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terça-feira, 13 de outubro de 2026

SALMO 143:5

       SALMO 143:5

Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero as obras das tuas mãos.

É comum esperarmos dos líderes uma postura que não expresse fraqueza, aproximando-os do mito dos semideuses. Essa deificação cobria os homens com um manto de invulnerabilidade. A riqueza de Davi, contudo, está na exposição sincera de si mesmo - uma poesia profunda que mergulha na existência humana. Sob a tensão por Absalão, a perseguição de Saul ou as ameaças de exércitos, ali estava um rei e servo à mercê do cuidado divino.

Podemos guardar quatro lições preciosas deste Salmo:

1.    “Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (v. 2): ampara-nos nesta confiança em um Deus justo e reto em tudo que faz, inclusive em seus juízos (Sl 51:4). Em seu Comentário aos Salmos, João Calvino observa que Davi, reconhecendo que nem os reis estão isentos da culpa, recorre à misericórdia de Deus, sabendo que a única esperança do crente diante do Juiz supremo é a graça perdoadora.

2.    “O inimigo tem perseguido a minha alma; tem lançado por terra a minha vida” (v. 3): aponta a dor das adversidades e o combate contra os próprios pares. Em A Vida de Davi, Arthur W. Pink destaca que as tribulações permitidas pela soberania divina não visam destruir o servo de Deus, mas despi-lo de toda autoconfiança, conduzindo-o a encontrar abrigo exclusivo na fidelidade do Senhor.

3.    “A minha alma anseia por ti como terra sedenta. Senhor, responde-me depressa!” (v. 6-7): abre nossos olhos para as necessidades mais urgentes, que devem ser levadas ao Altar - sem medo de se expor a Deus, quem sabe mediante o pedir as orações ao Corpo de Cristo, a igreja.

4.    “Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio” (v. 8): mostra a busca ideal na Fonte de toda segurança. Na obras Dogmática Reformada, Herman Bavinck afirma que a oração do crente reflete a dependência absoluta da providência divina, na qual a memória das obras passadas de Deus sustenta a esperança presente da alma.

Como temos nos relacionado com Deus em nossas orações? Ao olharmos para o passado e contemplarmos a fidelidade descrita por esses homens, somos lembrados de que a memória dos atos de Deus é o combustível da nossa fé. Lembre-se do que Ele já realizou e siga confiando inteiramente Nele.

Pastor Carlos Puck