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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Por Kika Gama Lobo - Veja Rio - 18 agosto 2026

 O PESO DE VIVER MUITO. JÁ FEZ O SEU DEVER?


Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.


Por Kika Gama Lobo 

Veja Rio

 18 ago 2026


Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.


Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça. 

Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento.

Precisamos falar do peso de viver muito.

Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas.

A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.


Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta 

dela.


E não estou falando apenas de dinheiro. 

Estou falando de planejamento.


Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.


Porque ninguém envelhece sozinho. 


Mesmo quando mora sozinho.


A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso.

Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera  dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.


Estamos criando uma geração de longevos sem rede. 

Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.


Muito caro.


A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes 

desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro. 

E quem não tem?


Quem não construiu uma reserva?


Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?


Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?


Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?


Quem tem 91 e nenhum filho?


A longevidade não é democrática.


E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.


Não existe um único envelhecimento.


Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem  plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.


Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.


Uma espécie de Disney grisalha.


Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.


É bonito.


É inspirador.


E é profundamente insuficiente.


Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.


Ótimo.


Mas quem paga?


Quem prepara a comida?

Quem leva ao hospital?


Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?


A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos.

Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.


Se você envelhecer mal, a culpa será sua.


Não se cuidou.


Não guardou dinheiro.


Não fez terapia.


Não se exercitou.

Não teve propósito.


Ora, façam-me o favor.


É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.


Mas sorte também  importa.


Genética importa.


Classe social importa. 


Acesso à saúde importa.


Políticas públicas importam.


O problema é que não estamos preparados para essa vida.


Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.


Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.


Educação financeira deveria falar de longevidade.


Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.


A escola deveria discutir cuidado.


A sociedade deveria discutir moradia para idosos.


As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.


O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.


O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.


E as famílias deveriam conversar sobre  dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.


A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”


Essa pergunta já está velha.


A pergunta que precisamos fazer agora é:


“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”


Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.


Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.


Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.


Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.


Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?


Porque viver muito é maravilhoso.


Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.

DEUTERONÔMIO 6:5a

*Deuteronômio 6:5a*


“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.”


​Amar a Deus deveria ser um ato espontâneo de entrega de quem reconhece ter sido amado primeiro. 


Afinal, desde o Éden, Deus demonstrou sua graça ao vestir o homem e apontar para Jesus como o único instrumento de perfeita justificação.


​Contudo, o amor ao Senhor é apresentado como um mandamento. 


Trata-se de uma ordem necessária para vivermos de modo a agradá-lo e glorificar o seu Santo Nome. 


Em Deuteronômio 6, Deus instrui seu povo a guardar seus estatutos e a transmiti-los às futuras gerações. 


Esse amor deve englobar tudo o que sentimos, vivemos e possuímos, mesmo quando nossa natureza inclinada ao pecado tenta resistir a essa ordem.


​Essa mensagem reflete diretamente os dias atuais. 

Vivemos em uma época em que muitos rejeitam a devoção ao Criador para se entregarem ao egocentrismo. A sociedade moderna constrói sua própria religiosidade, voltada para a satisfação pessoal e distante do Deus Vivo.


​Por isso, o Senhor ordena: “e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (v. 9). Nossos lares precisam carregar a marca daquele que nos amou. 


Não vale a pena seguir o curso de uma humanidade superficial. 


É tempo de nós e nossas famílias amarmos a Deus sobre todas as coisas, reconhecendo que tudo o que somos e temos vem dele e a ele pertence.

domingo, 23 de agosto de 2026

ISAÍAS 48:21

ISAÍAS 48:21

Não padeceram sede, quando ele os levava pelos desertos; fez-lhes correr água da rocha; fendeu a pedra, e as águas correram

Lendo a Palavra, encontramos diversas citações sobre a provisão de Deus. Experimentar tais provisões nos alegra, nos fortalece e nos ajuda a perseverar.

O deserto, na trajetória do povo de Deus, representava o fim da escravidão pesada no Egito - curiosamente, o mesmo local para onde o Senhor os levara inicialmente para livrá-los de uma grande fome. Logo, o deserto não era uma punição, mas um instrumento de livramento.

Podemos nos perguntar: se Deus podia fazer brotar água no deserto, por que não os livrou da fome ainda em sua própria terra? Sendo onisciente, por que permitiu o sofrimento sob as pressões de Faraó?

A resposta ecoa na Palavra: Isaías: "Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o ensinou?" Jó: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado." Paulo: "Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!"

Caminhar pelos desertos da vida certamente envolve cansaço e dor. Contudo, é exatamente nesse cenário árido que o Senhor se manifesta de forma sobrenatural, revelando sua glória. Portanto, escolha não murmurar; decida crer. Deus continua guiando seus filhos e fazendo brotar mananciais no meio das terras secas.


1 CORÍNTIOS 15:19

1 CORÍNTIOS 15:19

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

A fé cristã possui elementos motivadores profundos. Ao falar sobre a ressurreição, o apóstolo Paulo aponta para uma esperança que deve gerar perseverança diante das provações e dos ataques daqueles que rejeitam a verdade.

Paulo conecta a promessa da vida após a morte à nossa motivação diária, tornando este o eixo central de seu ensino. Naquela época, crer na ressurreição era um enorme desafio cultural, enfrentando a oposição de seitas e descrentes. Por isso, ele exorta: “venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei”, convidando os irmãos a firmarem o pensamento nessa Verdade Absoluta, independentemente das circunstâncias. Isso se conecta diretamente à sequência do texto: “Cristo morreu pelos nossos pecados... e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. É justamente por causa dessa realidade que ele afirma ser a nossa esperança limitada a esta vida sinônimo de total infelicidade. A tese central aponta a realidade da fé em seus dias: "como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?".

Passados os séculos, nós também precisamos nos reafirmar e estimular a crer firmemente em nosso Senhor ressurreto, que está assentado à direita do Pai e cuja volta aguardamos com expectativa. Que esta seja sempre a base e a razão da nossa fé e esperança inabaláveis.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SALMO 37:28

SALMO 37:28

Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre

Ao me deparar com um texto assim, fico a pensar, por que razão sofrem tanto os que tentam ser fieis ao Senhor, e por que massacram tanto aqueles que desejam se fazer testemunhas da Vida e do Amor.

Então no mesmo Salmo, Ele me responde: “confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade”. E não se dando por satisfeito, o salmista ainda traz mais palavras que nos confortam, nos alegram e nos fazem perseverar nesta empreitada que chamamos de vida: “agrada-te do Senhor”, “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará”, “fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia”, “descansa no Senhor e espera nele”, “os justos, o Senhor os sustém”, “o Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz”, “se cair, não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão”, “jamais vi o justo desamparado”.

Mais do que tentar vociferar ânimo, está o Salmista mostrando a realidade de nosso Deus e Pai, que é como “a nossa sombra à nossa direita” (121:5) - jamais se desgruda. E como é bom saber disso. Muito bom.

Servir a Deus, ser chamado pelo seu Nome, rebanho do seu pastoreio, propriedade exclusiva Dele... e a razão é esta: “no coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão”. Faça do Senhor a razão de seu viver.

Pastor Carlos Puck


1 TESSALONICENSES 5:9

1 TESSALONICENSES 5:9

porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo

Paulo, em sua escatologia, é direto, com voz profética e clara, sem desperdiçar palavras: “relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva” (1 Ts 5:1). Sua objetividade tem razão de ser diante no contexto de perseguição e dor em que a comunidade vivia.

Embora na carta aos Romanos ele afirme que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade” (Rm 1:18), aqui o apóstolo caminha em outra direção. Ele destaca que Deus não nos destinou à sua ira - destino este reservado àqueles que rejeitam as coisas do Reino e persistem na desobediência.

Para ilustrar essa postura de vigilância, Paulo reúne conselhos práticos e advertências: "o Dia do Senhor vem como ladrão de noite" (5:2); e “quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (5:3). Em contrapartida, orienta “os crentes a viverem em união com Cristo” (5:10), a “edificarem-se reciprocamente” (5:11), a “orarem sem cessar” (5:17) e a “não apagarem o Espírito” (5:19).

Ao conectar esses versículos, percebe-se um sentido impressionante, análogo às parábolas de Jesus sobre a vigilância. Precisamos estar atentos ao Dia do Senhor; o tempo urge.

Não desprezemos as profecias” (1 Ts 5:20).


terça-feira, 11 de agosto de 2026

SALMO 143:8

SALMO 143:8

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma


Externar a satisfação e a dependência total do Senhor não é fraqueza, mas adoração. Ele nos criou para sua glória e para sabermos que, ao partirmos, retornamos a Ele, que nos fez e de quem somos. Logo, quando nos entregamos a esse sentimento de cuidado divino, estamos cumprindo o propósito de confiança na sua soberania e providência.


Para isso, devemos nos despir de toda vaidade e arrogância, e da ilusão de que o Senhor não se importa conosco ou de que nossos assuntos são irrelevantes.


E como ouvir ao despertar sobre a Graça se não formos até Ele em oração e leitura da Palavra? Este momento devocional nos levará a um tempo de refazer nossos pensamentos, sentimentos e a visão do que devemos fazer no dia que se inicia.


Pedir a direção não deve reforçar a ideia errada de que Deus faz a parte dele e nós a nossa. Se temos um Deus que nos dá direção, nada melhor do que conhecê-la para, ao final do dia, termos a certeza de dever cumprido. Uma vez posta diante do Senhor nossa confiança e certeza, podemos orar ainda: “sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23,24).


Carlos Puck

*Nunca fui eu, sempre foi Ele.

domingo, 9 de agosto de 2026

JOÃO 13:35 - 1 JOÃO 3:18 - JOÃO 21:15

JOÃO 13:35

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros

O amor é a grande marca que nos identifica como seguidores de Cristo. Ele teve início em Deus, que nos amou primeiro e nos revelou o sentido máximo do sacrifício e da entrega. Quando entendemos essa dimensão, percebemos que fomos alcançados para nos tornarmos testemunhas desse amor.

O amor cristão deve transpor as paredes do lar, indo além do conforto de amar apenas os mais próximos. O exemplo supremo é o de Jesus, que se envolveu com pecadores e perdoou nossas culpas quando éramos indignos. Esse padrão divino é inegociável. O verdadeiro rompimento de barreiras acontece quando entendemos a Graça. Purificados por Deus, recebemos a missão de estender esse Amor ao próximo, gerando discípulos e transmitindo tudo o que Ele nos confiou.

Nossa missão é gerar discípulos, e sendo imitadores do Mestre que ordenou esta tarefa. Um amor que muitas vezes vai doer, como as feridas que Ele suportou.

Essa prática vai muito além de abraços e palavras doces. Ela exige perdão genuíno e a anulação de dívidas emocionais. Devemos amar o próximo exatamente da maneira como fomos amados por Deus. Esta é a chave, este é o motivo e esta é a solução. A mão que se doa, é a mesma que sangrou. Ame de tal maneira que a sua vida reflita alguém transformado pela Graça.

1 JOÃO 3:18

Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.

Somos seres carentes por natureza. Ao estudarmos a Palavra, vemos inúmeras manifestações desse sentimento, especialmente em pessoas que buscam a Deus em suas lutas, solidão e necessidades, mas que raramente são recíprocas no seu amor ao Senhor.

Com o passar dos tempos, cumprindo-se a profecia de Jesus de que o “amor de muitos se esfriaria” (Mt 24:12), notamos que precisamos labutar na perseverança e na obediência do amar. Amar não é tarefa simples, pois há um abismo entre os seres humanos, que sempre exigem retorno por sua dedicação.

Entre as demandas do “amor ao próximo” (Mt 22:39), surge a pergunta no tempo de Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). A resposta, na Parábola do Bom Samaritano, vai além da religiosidade aparente.

Muitas vezes, tentamos identificar um cristão por costumes, roupas ou linguagem. Contudo, Jesus é claro: a marca de um discípulo não é o que ele fala, mas como ele ama, liberando seu coração para uma entrega plena.

Quando olhamos para Jesus, que se doou até a morte, compreendemos o princípio da “negação de nós mesmos” (Lc 9:23). Não precisamos temer o amor sacrificial, mesmo que exija dor e o perdão diário, pois toda a lei se cumpre nisto: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14). Ame sem medo.

JOÃO 21:15

Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?

Apenas descobriremos o peso de um chamado para ser de Cristo, quando a opressão ímpia estiver sobre nós. Vendo a carreira de Pedro, o apóstolo, entenderemos o dizer de Cristo, alertando-o sobre as possíveis dores do apostolado, do ser testemunha do Senhor.

Após evidente queda, na sua negação, dando a si mesmo o consentimento de negar o Mestre, agora se deparava com um teste para seu papel na história da igreja: pastorear o rebanho de Deus.

Nero, pelos anos 60 de nossa era, causou dano terrível aos seguidores de Cristo, lançando muitos servos às dores mais profundas e a perdas mais absurdas, como foi com Pedro, e olha que se tratava do que negou - tudo passava pelo ensino e exortações do Bom Mestre Jesus.

E sob a pergunta, "tu me amas, Pedro?", emergia também o tipo de um homem, mesmo em suas falhas, que seria alguém relevante para o Cristianismo - e foi!

Mas sob a tensão da perseguição, morte, negação de si mesmo, agora pretendia caminhar diante da cruz, que era seu vínculo real com o Salvador.

Seguir a Cristo significa estar disposto a ir até mesmo para onde não quer (como Jesus descreve a velhice e a prisão no versículo 18). O discipulado cristão autêntico carrega a cruz. Precisamos resgatar o sentimento que Jesus quis implantar no coração de Pedro: “apascenta minhas ovelhas”, se me amas de fato.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SALMO 100:3

SALMO 100:3

Sabei que o Senhor é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio

Muitos teimam em negar a criação divina e a mão criativa de Deus sobre todas as coisas. Como é infeliz o ser que rejeita tamanha presença. Ao contemplar os Escritos Sagrados - seja nos Salmos 19, 100 ou 139 -, percebe-se que, sem essa perspectiva, a existência humana torna-se vazia, por mais que alguns insistam em negá-la. E como é bom conhecer um Ser tão supremo e ter intimidade com Ele.

Estudando o propósito de Deus em tudo o que Ele fez e sua admiração pelas obras de suas próprias mãos, é impossível não amadurecer na fé. Nutrimos a esperança de um dia vivermos com nosso Criador, que nos acolhe como filhos por intermédio de Jesus - Nosso Deus Criador e criativo nos dá sentido para viver.

É maravilhoso crer que fomos criados por Ele, tornados filhos e que aguardamos a plenitude dos tempos para vê-lo face a face. Ser “povo de Deus” e “rebanho do seu pastoreio” é deleitar-se nas profundezas do amor e num oceano de perdão. É viver cheio do Espírito e, como Davi, contar com Ele nos vales mais sombrios, onde nos guia com segurança pelas águas tranquilas.

Deus é nossa bonança e nosso repouso em tempos agitados. Aquele que tudo criou é também quem nos sustenta com fidelidade inabalável. Quando vejo Paulo, um judeu se convertendo a Cristo, e logo expressando sua poesia, consigo entender que força tem o Senhor do Universo, que “viu que tudo que fizera, era muito bom”. “A Ele seja a Glória eternamente” (RM 11:36).

John Flavel, em sua clássica obra A Providência, destaca que “as mãos que moldaram o universo são as mesmas que sustentam os seus filhos nos mínimos detalhes”. João Calvino em suas Institutas (Vol I), “o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo estão intrinsecamente ligados: não conhecemos quem somos até contemplarmos a Majestade do Criador”. Herman Bavinck lembra que “a verdadeira paz reside na dependência da Aliança de Deus”.

E J. I. Packer (O Conhecimento de Deus) argumenta que “ignorar a mão criativa de Deus é a maior insensatez que o ser humano pode cometer. Para ele, o mundo não é um acidente mecânico; ele pertence a Deus e é governado por Ele. Negar a criação divina significa arrancar o sentido da própria existência, pois o homem foi moldado com a finalidade específica de conhecer, glorificar e desfrutar do seu Criador. Para Packer, conhecer a Deus não é acumular dados teóricos, mas maravilhar-se com o fato de que o Criador do cosmos condescendeu em se tornar o nosso Pai redentor por meio de Cristo”.

Pastor Carlos Puck


domingo, 2 de agosto de 2026

GÁLATAS 5:24,25

GÁLATAS 5:24,25

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito

O ser humano é bem complicado mesmo. Gosta de legalismos infindos. Tem a liberdade dada por Jesus, mas abre mão dela para buscar o jugo da Lei. E, neste contexto, Paulo vem exortar os gálatas... e os chama de “insensatos” (3:1), lhes pergunta “se foi pela Lei que receberam o Espírito ou por Cristo e sua Palavra” (3:2) e completa dizendo que “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (3:5).

Onde reside a insensatez? Tendo sido salvos pela Graça, cuja justiça vem de Cristo, agora querem se justificar pela Lei, os famosos judaizantes penetrando no Corpo e instigando os crentes a buscarem viver sob as obras da carne/Lei - Igrejas estão voltando a Moisés.

Mostra-nos: “…Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei…” (4:4b, 5a), “…porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (4:6b). Teimamos em “…sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos…” (4:9). O que buscamos, afinal de contas?

Se Cristo é o tabernáculo entre nós, o sacerdote e o sacrifício, o que mais precisamos? Tornamos a sua presença aqui inutilizada, pois ficamos brincando de tocar chofares, colocar arcas como amuletos, falar e desejar festejar as festas judaicas que apontavam para Cristo. Estudar. Aprender é uma coisa, mas trazer tais rudimentos é o que Paulo chamará de insensatez. A Lei deve apontar para o pecado, e nos conduzir ao Senhor Jesus. Nada mais. Então, como os Gálatas, cessemos de retornos inúteis e nos lancemos no que é útil para nossa fé.

Paulo ensina sobre os frutos do Espírito (5:22), e traduza: “mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (5:18) e “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (5:25).

Gostamos deste legalismo por ser a vida de aparência, mas em nada poderá competir com a Graça, favor imerecido, que projeta todo mérito a Jesus.