Pesquisar este blog

sábado, 24 de outubro de 2026

LAMENTAÇÕES 3:64-66

Lamentações 3:64-66

⁶⁴ Tu lhes darás a paga, Senhor, segundo a obra das suas mãos.

⁶⁵ Tu lhes darás cegueira de coração, a tua maldição imporás sobre eles.

⁶⁶ Na tua ira, os perseguirás, e eles serão eliminados de debaixo dos céus do Senhor.

 

Outrora, vestindo pano de saco e com roupas rasgadas em sinal de contrição, o povo de Israel ouviu do Senhor que, mais do que rasgar suas vestes, era necessário rasgar o próprio coração. Aquele coração encontrava-se putrefato, impregnado de paganismo e corrompido pelo fascínio pelas ideologias das nações vizinhas, cujos hábitos cúlticos envenenavam as estruturas religiosas estabelecidas pela Lei de Deus.

Embora pareça difícil imaginar a razão de corações se tornarem tão tolos e desgarrados, ao observar as escolhas do povo de Deus nos dias atuais, fica evidente que, se o Senhor não abrir os olhos e os corações, as mentes humanas permanecerão escravizadas pelas obras infrutíferas das trevas. Como ensina o teólogo reformado Herman Bavinck:


"O pecado não é uma simples fraqueza ou imperfeição, mas uma rebelião deliberada contra Deus, que cega o entendimento e perverte a vontade humana."

Alguns ainda ousariam defender as trevas como no passado, mas essa é uma questão essencialmente moral e de caráter. Não se pode servir a dois senhores. Lendo recentemente o Manifesto Comunista, reafirmei a convicção de que a humanidade precisa se converter urgentemente de seus maus caminhos e acelerar o processo de arrependimento segundo a Palavra.

O atual presidente, um líder insano e corrompido que instrumentalizou os poderes ao lado de juízes iníquos, subverte uma multidão de eleitores. Essa adesão surpreende, ainda que a força da iniquidade seja um fenômeno amplamente conhecido na história humana. Sobre essa cegueira espiritual promovida pela impiedade, João Calvino adverte em suas instruções teológicas:


"A mente humana, quando privada da luz do Espírito de Deus, torna-se uma fábrica contínua de ídolos e falsas ideologias, caindo sob o justo juízo da cegueira de coração."

Mesmo ao conversar com pessoas próximas - que afirmam ter cultura e discernimento -, percebo a manifestação exata do que o apóstolo Paulo descreve no capítulo primeiro da Epístola aos Romanos, um dos textos que mais tenho estudado para defender a fé cristã. A equação humana se revela claramente quando o ser humano, por opção deliberada e falha de caráter, escolhe servir e adorar a criatura em lugar do Criador. Negligencia-se o texto bíblico por conveniência, pois lê-lo à luz do Espírito Santo exigiria uma mudança radical e imediata de vida.

A adesão a essas ideologias reflete precisamente o diagnóstico paulino: "Deus os entregou a uma disposição mental reprovável", tornando-os alheios à verdade e atraindo a ira divina não apenas sobre quem pratica tais coisas, mas também sobre quem as aprova. Como ressalta o apologista reformado Cornelius Van Til acerca da neutralidade da mente humana:


"Não existe terreno neutro no universo de Deus. A mente humana ou se submete ao pensamento de Deus, ou se rebela contra Ele, criando sistemas de pensamento que visam suprimir a verdade em injustiça."

À luz do livro de Habacuque, dos demais profetas e do clamor de Lamentações 3:64-66 - onde o profeta suplica que o Senhor retribua aos ímpios segundo as suas obras, impondo-lhes cegueira de coração e a sua maldição -, compreendo que, se este governo permanecer, colheremos exatamente aquilo que semeamos. A oportunidade de arrependimento foi dada; cabe agora tomar consciência da realidade, algo de que as mentes aprisionadas por ideologias de esquerda se mostram incapazes. E eis as urnas que surgem para atestar nosso caráter.

Por fim, afirmo categoricamente: o mero ato de vestir verde e amarelo não é garantia de um coração sensato, mas pode ocultar um coração obstinado pela cegueira espiritual que assola a humanidade.

Que o nosso Deus perdoe, segundo a sua soberana vontade, tamanha desfaçatez. Afinal, não estamos diante de uma mera ignorância, mas de uma escolha consciente, pautada na disposição do caráter humano.

-------------------------- 

Bibliografia das Citações Reformadas

  • BAVINCK, Herman. Dogmática Reformada: Sincretismo, Pecado e Salvação (Vol. 3). São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012
  • CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã (Vol. 1). Edição Especial. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, Livro I, Capítulo XI
  • VAN TIL, Cornelius. Apologética Cristã. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2010

 


Salmo 94

 Salmo 94

20 Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo? um trono que faz injustiças em nome da lei?

21 Eles planejam contra a vida dos justos e condenam os inocentes à morte.

22 Mas o Senhor é a minha torre segura; o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio.

23 Deus fará cair sobre eles os seus crimes, e os destruirá por causa dos seus pecados; o Senhor, o nosso Deus, os destruirá!


---------------------------------


Do Manifesto Comunista, foca no impacto prático e teórico das ideias de Karl Marx e Friedrich Engels:


1. Abolição da Propriedade Privada

2. A Noção de Luta de Classes e Divisão Social

3. O Totalitarismo Estatal e o Autoritarismo

4. Coletivismo contra o Individualismo

5. Ataque às Instituições Tradicionais (Família e Religião)


Vi muitas ideias e lendo sobre o assunto, percebo ainda mais isto se concretizar no Brasil.

E pessoas inaptas votando nesta filosofia do inferno.


---------------------------------


---------------------------------

• As Institutas da Religião Cristã (Livro 4, Capítulo 20, Seção 25): Calvino argumenta que os governantes maus ou injustos são levantados por Deus para punir a maldade e a corrupção do povo. Ele afirma que um rei iníquo ou tirano é a expressão da ira de Deus sobre a terra.

• Comentários Bíblicos (como em passagens de Isaías, Oséias e Romanos 13): O reformador reforça que as autoridades constituídas — mesmo as más — operam sob a soberania de Deus, servindo muitas vezes como "açoites" ou instrumentos de correção divina diante dos pecados de uma sociedade.


No Livro 4, Capítulo 20, Seção 25 ("Sobre o Governo Civil"), Calvino discute como Deus levanta governantes bons ou maus: ele afirma que os governantes justos são uma bênção, mas que aqueles que governam injustamente e com incompetência são levantados por Deus para punir a maldade do povo, e que um rei ímpio é expressão da ira de Deus sobre a terra.

•  As Institutas da Religião Cristã (ou Institution de la Religion Chrétienne).

• Livro: IV (Quarto Livro).

• Capítulo: XX ("Do Governo Civil").

• Seções: Aproximadamente entre os itens 24 e 31, onde ele discute a providência de Deus sobre os reis maus e a obediência ou resistência a eles.


---------------------------------


24. ESSES MAGISTRADOS, PORÉM, QUE DESLUSTRAM OU DESVIRTUAM SEU OFÍCIO, CEDENDO A MÚLTIPLOS DESVIOS, DEIXAM DE MERECER O RESPEITO E ACATAMENTO DE MUITOS QUE A POSIÇÃO LHES CONFERE E como até aqui temos descrito o magistrado tal como deve ser, que verdadeiramente corresponda a seu título, isto é, um pai da pátria e, como diz o poeta, pastor do povo, guardião da paz, defensor da justiça, vindicador da inocência, com toda razão será tido por aquele a quem não se aprove tal governo. Mas, como de ordinário acontece que a maioria dos príncipes anda bem longe do verdadeiro caminho; e, como este é o exemplo de quase todas as eras, que uns dentre os príncipes, sem preocupar-se por nada de seu dever, se espojam em seus prazeres e deleites, outros, dominados pela avareza, põem à venda todas as leis, privilégios, direitos, juízos; outros saqueiam ao povo pobre, que, depois, esbanjam em insanas liberalidades; Outros, pilhando os lares, “violando matronas e, matando inocentes, cometem meros assaltos; esses, porém, não é fácil ser reconhecidos por príncipes, a cujo mando, até onde é possível, se lhes deve obedecer sem questionar. Porque, quando em meio de tantos vícios, tão enormes e alheios, não só ao ofício de governante, mas inclusive a todo senso de humanidade, não se vê nos superiores prova alguma da imagem de Deus que deve resplandecer em todo governante, nem qualquer rastro de um ministro do Senhor, que foi posto para louvor dos bons e castigo dos maus, não reconhecem nele àquele superior cuja autoridade e dignidade a Escritura nos recomenda. E certamente, sempre esteve não menos arraigado no coração dos homens o sentimento de aborrecimento e ódio aos tiranos, que o de amor aos reis justos, que cumprem com seu dever.


31. AO CIDADÃO COMUM NÃO ASSISTE O DIREITO DE ATENTAR CONTRA A MAJESTADE DOS REIS. OS MAGISTRADOS, PORÉM, QUE SÃO CONSTITUÍDOS PARA A DEFESA DOS DIREITOS DO POVO, PODEM E DEVEM RESISTIR AOS ABUSOS DOS SOBERANOS Mas, de qualquer modo que sejam julgados os próprios feitos dos homens, no entanto o Senhor executava igualmente sua obra através deles, quebrantando e subvertendo os cetros sanguinários de reis insolentes cujos governos não se pode tolerar. Ouçam os príncipes e tremam. Entrementes, porém, cabe-nos com o máximo empenho precaver-nos que não desprezemos nem violemos aquela plena autoridade da veneranda majestade dos magistrados, a qual Deus sancionou com os mais poderosos editos, ainda que ela resida em soberanos os mais indignos, e que, quanto está em si, a poluem por sua iniqüidade. Porque ainda que a correção e o castigo do mando desordenado seja vingança que Deus para si toma, nem por isso devemos julgar pessoalmente que nos foi conferida, a quem nenhum outro mandamento foi dado que o de obedecer e de suportar. Estou sempre falando de pessoas individualmente. Mas, se agora alguns são constituídos magistrados do povo para moderar-se a prepotência dos reis, como eram outrora os éforos que foram contrapostos aos reis lacedemônios; ou os tribunos da plebe aos cônsules romanos; ou os demarcas ao senado dos atenienses; e, como estão as coisas agora, talvez também de qualquer poder que em cada reino exercem as três ordens representativas quando realizam suas assembléias gerais; a tal ponto não os proíbo de, em função de seu ofício, resistir ao estuante desbragamento dos reis que, se se façam coniventes aos reis a oprimirem e assolarem violentamente ao populacho humilde. Eu afirmaria que tão nefária perfídia não carece de sua dissimulação, visto que estão a trair fraudulentamente a liberdade do povo, da qual devem saber que foram postos por guardiães pela ordenação de Deus.


---------------------------------


Liderança Corrupta


• Provérbios 28:2: "Quando há corrupção num país, os seus líderes mudam constantemente, mas a ordem se mantém com um líder sábio e sensato".

• Miquéias 3:1-3: O profeta denuncia os chefes de Jacó e governantes de Israel que odeiam o bem e amam o mal, arrancando a pele do povo e os ossos.

• Êxodo 23:8: "Não aceite suborno, pois o suborno cega os que têm vistas claras e torce as palavras dos justos".

• Salmos 94:20: "Poderia um trono corrupto associar-se a ti? Um trono que faz da injustiça uma lei?"


HABACUQUE 3:16

HABACUQUE 3:16

Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu, à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram; em silêncio, devo esperar o dia da angústia...


Ah! Intenso pavor de um homem que, inserido em um contexto complexo, entre um povo que teima em se afastar do Senhor e o próprio Juízo anunciado.


O terror invade sua alma, quando Judá estava cheia de violência, injustiça e desobediência à Lei de Deus, e o profeta questionava por que Deus parecia tolerar isso em silêncio (1:2-4), e Deus responde a Habacuque dizendo que traria um instrumento de julgamento: os caldeus (babilônios - 1:5-11) - Isso abala o profeta, pois a Babilônia era ainda mais ímpia do que Judá - Ímpios produziriam a dor mais profunda ao povo de Deus e de dura cerviz.


Mas num salto de fé e esperança, em forma de oração, o profeta diz: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (3:17,18). Eis uma postura de quem conhece o Senhor, mesmo na mais profunda cova - “O Senhor Deus é a minha fortaleza,” - uma poesia de louvor lembrando de como Deus agiu no passado para salvar o seu povo. 


Viva desta forma. Ainda que tudo pareça fora de controle. Creia e alimente, pela fé, a esperança.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

SALMO 24:3-5

 

SALMO 24:3-5

“Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação.”

 

Estamos a um segundo da incerteza sobre o amanhã e a um piscar de olhos da eternidade. Diante do inevitável encontro com o Criador, o Salmo 24 lança a pergunta crucial: Quem subirá ao monte do SENHOR e quem permanecerá no Seu santo lugar?

A resposta exige mãos limpas (retidão exterior) e coração puro (motivação interior). Contudo, a doutrina da Depravação Total nos lembra que nenhum ser humano caído atinge esse padrão por si mesmo. Como adverte João Calvino, "no que diz respeito à nossa própria justiça, ninguém jamais atingirá este padrão por seus próprios méritos, pois a Lei de Deus exige uma perfeição que excede todas as forças humanas".

Entendemos também: o texto exige recusa à idolatria e integridade de aliança. Herman Bavinck observa que "a integridade exigida na Aliança só é possível quando o próprio Deus escreve a sua Lei no coração regenerado mediante a Graça Soberana". Sozinhos, estamos completamente excluídos. Como afirma John Owen, exigir pureza de um homem em seu estado natural "é exigir vida de um cadáver".

A mensagem central do texto é Jesus Cristo como o único homem perfeito que cumpriu cabalmente a Lei. Ele subiu o Calvário para expiar a nossa culpa e ascendeu aos céus para nos abrir o caminho. A justiça que nos permite habitar com Deus não é produzida por nós, mas imputada mediante a fé.

Nas palavras de Charles Spurgeon, "apenas Aquele cujas mãos são perfeitamente limpas e cujo coração é totalmente puro pode subir ao monte do Senhor por direito próprio. Esse é Jesus Cristo. E nós, que estamos Nele, somos aceitos no Amado". Trata-se de uma declaração legal. Conforme escreve Louis Berkhof, Deus nos declara justos "unicamente com base na perfeita obediência e satisfação de Cristo, imputadas a nós e recebidas mediante a fé".

Diante dessa verdade, somos chamados à urgência da conversão e ao compromisso com a santificação contínua. Mãos limpas e coração puro não são a causa da nossa salvação, mas o fruto inevitável de uma vida regenerada. Descanse na justiça perfeita de Cristo e viva hoje para a sua glória!

 

Pastor Carlos Puck

2 Crônicas 7:14

2 Crônicas 7:14 - "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra."

Ao examinarmos o livro de Neemias, percebemos com clareza que, para Deus agir na história, deve haver algo infinitamente maior do que meros pedidos. Clamores desacompanhados de reconhecimento de pecados e de mudança de vida não passam de ritos vazios, religiosidade oca e cisternas rotas.

Espiritualmente mortos não podem clamar ao Senhor. Se permanecemos mortos em nossos delitos, nada podemos alterar em nossa trajetória, tampouco no destino de uma nação. Desejamos ver o favor divino operando no meio do caos instalado, mas nos recusamos a olhar para dentro de nós mesmos. Não percebemos que, frequentemente, escolhemos caminhos, pessoas e prioridades segundo os desejos de um coração corrompido pelo pecado. O resultado inescapável dessa negligência é a própria ira divina sobre a sociedade.

Neemias não apenas clamou; ele chorou por suas próprias falhas e confessou o pecado nacional - aquele mesmo desvio que levara o povo ao cativeiro e à miséria. Sua disposição nasceu de confissão sincera, arrependimento profundo e genuína transformação. Do contrário, a reconstrução de Jerusalém resultaria em muros restaurados para abrigar um povo de má índole.

O texto de 2 Crônicas 7:14 carrega esse mesmo peso e esclarece verdades vitais: "Meu povo": Deus fala com pertencentes a Ele, ainda que estejam vivendo longe de sua vontade; Identificação: Trata-se de uma gente que carrega sobre si o próprio nome do Senhor; "Humilhar-se": Na tradição bíblica, significava rasgar a alma, vestir pano de saco e expor a própria vilania perante o Criador; "Buscar": Exige caminhar ativamente na direção da Vontade Divina e da obediência aos seus Mandamentos; "Oração e jejum": Ampliam a humilhação, pois só clama assim quem reconhece a própria falência e urgência de socorro.

Somente após esse processo de quebrantamento haverá resposta dos Céus. A cura para uma nação jamais virá de ritos superficiais ou da ilusão de esperar de homens o que pertence unicamente a Deus. Escolher o que caminha nas trevas e em pacto com o mal não trará restauração.

Como Israel, desejamos soluções. Contudo, precisamos entender: nunca haverá harmonia entre a luz e as trevas, pois isso constitui o pior dos jugos desiguais. Neste momento decisivo, aponte quem de fato é Deus em sua vida e o que domina o seu coração. Observe com sobriedade se as suas escolhas carregam a luz da verdade ou as trevas da impiedade. O "meu povo" somos nós. Ou exibiremos as marcas de Cristo, ou revelaremos a quem realmente servimos.

Pastor Carlos Puck

============

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra."

— 2 Crônicas 7:14

Ao lermos o livro de Neemias, percebemos que, para Deus agir, deve haver mais do que meros pedidos a Ele. Pedidos sem reconhecimento de pecados e sem mudança de vida são ritos vazios, ocos e cisternas rotas.

Mortos não podem clamar ao Senhor. Disso aprendemos que, se estamos mortos em nossos delitos e pecados, nada podemos alterar na história de nossas vidas, tampouco na história da nação. Queremos Deus operando em meio ao caos instalado, mas nos negamos a olhar para dentro de nós mesmos e ver que escolhemos pessoas e coisas segundo um coração condenado pelo pecado. O resultado disso é a ira divina repousando sobre todos.

Neemias clama por si e por seus pecados, além de confessar o pecado nacional — que levara o povo ao cativeiro e a viver em total miséria. Sua disposição parte de confissão, arrependimento e mudança. Do contrário, seriam apenas muros restaurados para abrigar gente de má índole.

O texto exposto acima (2 Crônicas 7:14) traz o mesmo conteúdo e peso, a fim de esclarecer que:

(a) "Meu povo": ou seja, não se trata de desconhecidos, ainda que estejam vivendo de forma errada e longe da vontade do Senhor;

(b) Identificação: é um povo que se identifica pelo nome de Deus;

(c) "Humilhar-se": nos tempos antigos, significava jogar terra sobre a cabeça, vestir-se de pano de saco, rasgar as vestes e a alma, e expor a própria maldade (conceito que o próprio Jesus aplicou a Si mesmo em Sua humilhação);

(d) "Buscar": significa caminhar na direção da Vontade Divina, dos Seus mandamentos e da obediência;

(e) "Oração e jejum": ampliam a dimensão da humilhação, pois somente busca dessa forma quem chegou ao fundo do poço e reconhece que precisa de socorro urgentemente.

Somente a partir de todo esse processo haverá a resposta divina ao clamor do povo.

A cura para a nação não está em ritos religiosos superficiais, mas no profundo arrependimento de uma gente que insiste em esperar de homens aquilo que somente Deus pode fazer. Escolher coisas, objetos ou pessoas que andam em profundas trevas e em pactos com o mal jamais trará soluções que glorifiquem ao Senhor.

Queremos, como Israel, uma solução. Precisamos escolher. Mas entendamos: nunca haverá harmonia entre a luz e as trevas, pois isso configura o pior dos jugos desiguais.

Portanto, neste final de semana, aponte quem de fato é Deus e o que realmente enche o seu coração. Observe se quem você vai escolher não carrega mais trevas do que luz.

"Se o meu povo..." somos nós. Ou mostraremos as marcas de Cristo, ou revelaremos o que realmente domina o nosso coração.


ATOS 12:7

 

ATOS 12:7

Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos.

O Salmo 91 diz que o Senhor daria ordem aos anjos a nosso respeito, e vemos dois momentos singulares em que o serviço angelical funciona com presteza: “apareceu-lhe um anjo do céu que o confortava” (Lc 22:43) e este em que Pedro é liberto de suas algemas. Há mais intervenções, mas destaco estas para evidenciar que Deus não deixa de socorrer o seu povo.

Para isso, sinais e prodígios compõem este universo espiritual, a fim de mostrar que precisamos confiar no “socorro bem presente na angústia”.

Negarmos essa ação prometida por Deus ainda no Antigo Testamento é dar as costas a um grande benefício da parte Dele. Expresso meu interesse neste assunto sobretudo para tratar da Providência.

Tiago havia sido morto à espada. Pedro dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere. Ele declarou: “agora sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo”.

Os anjos atuam como ministros e instrumentos de Deus, e a glória do socorro pertence unicamente ao Senhor. Não se trata de supervalorizar os anjos, mas de crer que Deus é capaz de nos socorrer e nos deixar sob cuidados especiais. Creiamos firmes no cuidado divino.

ATOS 13:51,52

 

ATOS 13:51,52

E estes, sacudindo contra aqueles o pó dos pés, partiram para Icônio. Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo.

Quando Deus mostra a um servo que os ouvintes rejeitam a Palavra, até o pó das sandálias deve ser deixado para trás. Essa instrução foi dada pelo próprio Senhor Jesus ao enviar os seus discípulos em missão.

Neste trecho, após anunciarem o Evangelho e testemunharem a incredulidade de muitos, Paulo e Barnabé saem, limpando a poeira de seus pés.

Anteriormente, no sábado, quase toda a cidade havia se reunido para ouvir a Palavra de Deus. Os apóstolos os persuadiam a perseverar na graça, e muitos gentios se regozijavam, glorificavam o Senhor e criam na vida eterna. Contudo, diante da forte oposição, os servos de Deus foram expulsos daquela região e partiram.

Mesmo sob perseguição, nota-se algo espetacular: a alegria tomava conta dos corações e o Espírito Santo transbordava entre eles. Há uma beleza sublime na vida dos convertidos que, mesmo enfrentando tribulações e ameaças de prisão, encontram profundo prazer em testemunhar de Cristo nas cidades, vilarejos e entre todos os povos alcançados pelas Boas Novas da Salvação.

Nossa fé pode mover montanhas e transformar corações de pedra. Permaneçamos firmes e inabaláveis na obra do Senhor, certos de que nosso trabalho nunca será em vão. Apenas creia e siga em frente.

2 TIMÓTEO 4:1-5

 

2 TIMÓTEO 4:1-5

Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.

Um servo bem instruído não cai nas armadilhas dos falsos ensinos. Não por acaso, Paulo orienta Timóteo a cuidar de si mesmo e da doutrina, lembrando a origem de seu aprendizado e o alertando a se esquivar de maus ensinadores, que se infiltram no meio do povo de Deus para iludir, mentir e conduzir à ruína.

Muitos pensam que o desvio da Verdade não afeta a Igreja. Engano. O erro não apenas compromete a fé individual, mas destrói a comunidade inteira contaminada pelo pecado.

A fonte da verdade é uma só: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16). O termo “toda” reforça a suficiência e a finalidade da Palavra. A razão desse alerta é clara: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças [...] e se recusarão a dar ouvidos à verdade”. Paulo conclui: “Tu, porém, sê sóbrio em tudo, suporta as aflições”.

Ou nos sujeitamos integralmente à Palavra, ou cairemos no erro.

SALMO 24:3-5

 

SALMO 24:3-5

Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação.

Estamos sempre a um segundo da incerteza sobre o amanhã e a um milésimo de segundo de saber onde passaremos a eternidade. Em um simples piscar de olhos, somos lançados ao desconhecido.

A eternidade com Deus é o destino almejado por muitos: um lugar de promessas, descanso, presença e vida plena.

A linguagem bíblica traduz essa dimensão sob a figura do “Monte do Senhor e Santo Lugar”. É nesse contexto poético e profético que o Deus poderoso se revela, usando símbolos e sombras para nos instruir sobre a terra prometida, a Aliança Eterna e a preparação necessária para o que realmente importa.

No entanto, o texto estabelece condições claras: ter mãos limpas, coração puro e viver sem falsidade ou enganos. Tais exigências parecem simples, mas trazem uma profunda responsabilidade inerente ao chamado de habitarmos na presença santa do Senhor.

Não nos iludamos. É indispensável compreender a urgência da conversão, a busca por uma vida santificada e um encontro genuíno com Jesus hoje, para que possamos desfrutar da Vida neste Santo Lugar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

1 JOÃO 2:16-17

 

1 JOÃO 2:16-17

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo ... porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.

Pensando nos prazeres da vida, seguindo a lógica bíblica de termos prazer nas coisas do Reino Eterno, onde habita nosso Pai, então perceberemos: “quanto à antiga maneira de viver, dispam-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, para serem renovados no modo de pensar e se vestirem do novo homem, criado para ser semelhante a Deus” (EF 4:22-24); “o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (RM 6:6); “procurem as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (CL 3:1-2).

O que tento dizer é que “vaidade de vaidades! - diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade.” (EC 1:2)

Amar este presente século é deixar de amar a Deus e toda a sua proposta, de onde surgirá, sem dúvida, a apostasia, que nada mais é que o abandono da Verdade.

A vaidade, o gosto por este presente século, são elementos que devemos descartar se amamos a Deus.

A realidade é que “o mundo passa, bem como a sua nossos desejos; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (2:17) - o que escolheremos?