Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua,
mas de fato e de verdade
Somos seres carentes por natureza. Ao estudarmos a Palavra, vemos
inúmeras manifestações desse sentimento, especialmente voltadas para pessoas
que buscam a Deus em suas lutas, solidão e necessidades, mas raramente
encontram reciprocidade.
Com o passar dos tempos, percebemos — cumprindo-se a profecia de Jesus
de que o “amor de muitos se esfriaria” (Mt 24:12) — que precisamos labutar na
manutenção, na perseverança e na obediência do amar. Amar não é tarefa simples,
pois há um abismo entre os seres humanos, que muitas vezes exigem retorno por
sua dedicação. No entanto, somos confrontados por Cristo, que nos desafia a
amar o próximo como a nós mesmos.
Entre as demandas do “amor ao próximo” (Mt 22:39), surge a pergunta no
tempo de Jesus: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10:25-37). A resposta, dada na
Parábola do Bom Samaritano, vai muito além da religiosidade aparente ou de
sacrifícios vazios.
Muitas vezes, tentamos identificar um cristão por costumes, vestimentas
ou linguagem. Contudo, Jesus é claro: a marca que identifica um discípulo não é
o que ele fala, mas como ele ama. O amor é a identidade que nos torna visíveis
ao mundo.
Esse abismo é criado pela dureza de nossos corações. Quando olhamos para
Jesus, que se doou por inteiro até a morte, compreendemos o princípio da
“negação de nós mesmos” (Lc 9:23). Não precisamos temer o amor sacrificial,
mesmo que ele exija dor e o exercício diário do perdão, pois toda a lei se
cumpre nesta única palavra: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14).