Romanos 11:33-36
³³ Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do
conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis, os seus caminhos!
³⁴ Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu
conselheiro?
³⁵ Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser
restituído?
³⁶ Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as
coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!
A Reforma não nasceu no século XVI. O
que testemunhamos na história foi apenas o reflexo visível de algo que já havia
sido forjado na eternidade. Antes de ser um brado histórico, a Sola Scriptura se
faz carne e vem habitar entre nós no Verbo encarnado. Deste Verbo vivo, a
Escritura ganha rosto e nome em Solus Christus,
aquele que invade a nossa alma com a imerecida Sola
Gratia, produzindo em nosso ser a Sola
Fide - uma fidelidade viva ao que
foi profetizado, capaz de nos gerar para a Vida Eterna e nos conduzir,
finalmente, a um estilo de vida fundamentado no Soli
Deo Gloria.
Tão habituados estamos com as
respostas do Catecismo de Westminster que frequentemente declaramos de forma
automática que fomos criados para glorificar a Deus. No entanto, é preciso
pausar e examinar o coração: será que Ele tem sido verdadeiramente glorificado
pelo nosso viver? Afinal, se viver é Cristo, é no próprio Filho que
contemplamos o perfeito modelo de uma vida inteiramente voltada para o Pai.
N’Ele, percebemos que a verdadeira glória se traduz em obediência graciosa aos
Mandamentos - uma regra de vida para todo aquele que professa a fé neste Cristo
amado que nos amou primeiro.
Compreender a Reforma é reconhecer
que a Palavra de Deus se fez carne na manjedoura para povoar a Terra com o Seu
Amor Total, caminhando decididamente em direção ao Madeiro para cumprir a
promessa de libertação do Seu povo escolhido - um povo comprado por Seu Sangue
e justificado por Sua justiça. Pensar nos lemas reformados é, em última
análise, viajar pela profunda reforma que Jesus realizou na alma humana,
agraciando-nos com Sua vitória sobre a morte para que, por meio D’Ele, também
sejamos vitoriosos.
É assim que os lemas ganham
verdadeiro sentido: eles nos resgatam para a forma e a função originais do
design divino - uma Bauhaus Divina - , lembrando-nos de que os reformadores do
século XVI foram apenas vozes a nos recordar do imperativo de retornar ao ponto
inicial - um eco da própria chamada apocalíptica às sete igrejas. Reformar é,
em sua essência, voltar. Voltar ao início, à origem, ao próprio Deus. E o
Caminho, nós já conhecemos: é o Verbo, Solus Cristo.
Nesta jornada de retorno à origem, os
cinco pilares da Reforma ganham vida em nossa caminhada diária:
Sola Scriptura: A Bíblia como a única
autoridade final, infalível e suficiente para guiar nossa fé e nossa prática.
Solus Christus: Jesus como o único
Salvador e o exclusivo mediador entre Deus e a humanidade.
Sola Gratia: A salvação compreendida
como um dom gratuito e imerecido, nascido do favor divino e não de méritos
humanos.
Sola Fide: A justificação recebida
unicamente pela confiança em Cristo, abrindo mão de qualquer tentativa de
autojustificação por obras.
Soli Deo Gloria: A consciência de que
toda a criação, a salvação e a vida do crente existem exclusivamente para o
louvor da glória de Deus.
Pelos méritos de Cristo e para Glória
de Deus.
Amém.