SALMO 143:5
Lembro-me
dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero as obras das
tuas mãos.
É
comum esperarmos dos líderes uma postura que não expresse fraqueza,
aproximando-os do mito dos semideuses. Essa deificação cobria os homens com um
manto de invulnerabilidade. A riqueza de Davi, contudo, está na
exposição sincera de si mesmo - uma poesia profunda que mergulha na existência
humana. Sob a tensão por Absalão, a perseguição de Saul ou as ameaças de
exércitos, ali estava um rei e servo à mercê do cuidado divino.
Podemos
guardar quatro lições preciosas deste Salmo:
1. “Não entres em juízo com o
teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (v. 2): ampara-nos nesta confiança em
um Deus justo e reto em tudo que faz, inclusive em seus juízos (Sl 51:4). Em
seu Comentário aos Salmos, João Calvino observa que Davi, reconhecendo
que nem os reis estão isentos da culpa, recorre à misericórdia de Deus, sabendo
que a única esperança do crente diante do Juiz supremo é a graça perdoadora.
2. “O inimigo tem perseguido a
minha alma; tem lançado por terra a minha vida” (v. 3): aponta a dor das adversidades e
o combate contra os próprios pares. Em A Vida de Davi, Arthur W. Pink
destaca que as tribulações permitidas pela soberania divina não visam destruir
o servo de Deus, mas despi-lo de toda autoconfiança, conduzindo-o a encontrar
abrigo exclusivo na fidelidade do Senhor.
3. “A minha alma anseia por ti
como terra sedenta. Senhor, responde-me depressa!” (v. 6-7): abre nossos olhos para as
necessidades mais urgentes, que devem ser levadas ao Altar - sem medo de se
expor a Deus, quem sabe mediante o pedir as orações ao Corpo de Cristo, a
igreja.
4. “Faze-me ouvir, pela manhã,
da tua graça, pois em ti confio” (v. 8): mostra a busca ideal na Fonte de toda segurança.
Na obras Dogmática Reformada, Herman Bavinck afirma que a
oração do crente reflete a dependência absoluta da providência divina, na qual
a memória das obras passadas de Deus sustenta a esperança presente da alma.
Como
temos nos relacionado com Deus em nossas orações? Ao olharmos para o passado e
contemplarmos a fidelidade descrita por esses homens, somos lembrados de que a
memória dos atos de Deus é o combustível da nossa fé. Lembre-se do que Ele
já realizou e siga confiando inteiramente Nele.
Pastor
Carlos Puck
