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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Por Kika Gama Lobo - Veja Rio - 18 agosto 2026

 O PESO DE VIVER MUITO. JÁ FEZ O SEU DEVER?


Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.


Por Kika Gama Lobo 

Veja Rio

 18 ago 2026


Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.


Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça. 

Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento.

Precisamos falar do peso de viver muito.

Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas.

A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.


Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta 

dela.


E não estou falando apenas de dinheiro. 

Estou falando de planejamento.


Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.


Porque ninguém envelhece sozinho. 


Mesmo quando mora sozinho.


A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso.

Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera  dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.


Estamos criando uma geração de longevos sem rede. 

Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.


Muito caro.


A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes 

desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro. 

E quem não tem?


Quem não construiu uma reserva?


Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?


Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?


Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?


Quem tem 91 e nenhum filho?


A longevidade não é democrática.


E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.


Não existe um único envelhecimento.


Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem  plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.


Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.


Uma espécie de Disney grisalha.


Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.


É bonito.


É inspirador.


E é profundamente insuficiente.


Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.


Ótimo.


Mas quem paga?


Quem prepara a comida?

Quem leva ao hospital?


Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?


A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos.

Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.


Se você envelhecer mal, a culpa será sua.


Não se cuidou.


Não guardou dinheiro.


Não fez terapia.


Não se exercitou.

Não teve propósito.


Ora, façam-me o favor.


É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.


Mas sorte também  importa.


Genética importa.


Classe social importa. 


Acesso à saúde importa.


Políticas públicas importam.


O problema é que não estamos preparados para essa vida.


Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.


Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.


Educação financeira deveria falar de longevidade.


Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.


A escola deveria discutir cuidado.


A sociedade deveria discutir moradia para idosos.


As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.


O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.


O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.


E as famílias deveriam conversar sobre  dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.


A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”


Essa pergunta já está velha.


A pergunta que precisamos fazer agora é:


“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”


Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.


Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.


Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.


Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.


Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?


Porque viver muito é maravilhoso.


Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.

DEUTERONÔMIO 6:5a

*Deuteronômio 6:5a*


“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.”


​Amar a Deus deveria ser um ato espontâneo de entrega de quem reconhece ter sido amado primeiro. 


Afinal, desde o Éden, Deus demonstrou sua graça ao vestir o homem e apontar para Jesus como o único instrumento de perfeita justificação.


​Contudo, o amor ao Senhor é apresentado como um mandamento. 


Trata-se de uma ordem necessária para vivermos de modo a agradá-lo e glorificar o seu Santo Nome. 


Em Deuteronômio 6, Deus instrui seu povo a guardar seus estatutos e a transmiti-los às futuras gerações. 


Esse amor deve englobar tudo o que sentimos, vivemos e possuímos, mesmo quando nossa natureza inclinada ao pecado tenta resistir a essa ordem.


​Essa mensagem reflete diretamente os dias atuais. 

Vivemos em uma época em que muitos rejeitam a devoção ao Criador para se entregarem ao egocentrismo. A sociedade moderna constrói sua própria religiosidade, voltada para a satisfação pessoal e distante do Deus Vivo.


​Por isso, o Senhor ordena: “e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (v. 9). Nossos lares precisam carregar a marca daquele que nos amou. 


Não vale a pena seguir o curso de uma humanidade superficial. 


É tempo de nós e nossas famílias amarmos a Deus sobre todas as coisas, reconhecendo que tudo o que somos e temos vem dele e a ele pertence.

domingo, 23 de agosto de 2026

ISAÍAS 48:21

ISAÍAS 48:21

Não padeceram sede, quando ele os levava pelos desertos; fez-lhes correr água da rocha; fendeu a pedra, e as águas correram

Lendo a Palavra, encontramos diversas citações sobre a provisão de Deus. Experimentar tais provisões nos alegra, nos fortalece e nos ajuda a perseverar.

O deserto, na trajetória do povo de Deus, representava o fim da escravidão pesada no Egito - curiosamente, o mesmo local para onde o Senhor os levara inicialmente para livrá-los de uma grande fome. Logo, o deserto não era uma punição, mas um instrumento de livramento.

Podemos nos perguntar: se Deus podia fazer brotar água no deserto, por que não os livrou da fome ainda em sua própria terra? Sendo onisciente, por que permitiu o sofrimento sob as pressões de Faraó?

A resposta ecoa na Palavra: Isaías: "Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o ensinou?" Jó: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado." Paulo: "Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!"

Caminhar pelos desertos da vida certamente envolve cansaço e dor. Contudo, é exatamente nesse cenário árido que o Senhor se manifesta de forma sobrenatural, revelando sua glória. Portanto, escolha não murmurar; decida crer. Deus continua guiando seus filhos e fazendo brotar mananciais no meio das terras secas.


1 CORÍNTIOS 15:19

1 CORÍNTIOS 15:19

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

A fé cristã possui elementos motivadores profundos. Ao falar sobre a ressurreição, o apóstolo Paulo aponta para uma esperança que deve gerar perseverança diante das provações e dos ataques daqueles que rejeitam a verdade.

Paulo conecta a promessa da vida após a morte à nossa motivação diária, tornando este o eixo central de seu ensino. Naquela época, crer na ressurreição era um enorme desafio cultural, enfrentando a oposição de seitas e descrentes. Por isso, ele exorta: “venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei”, convidando os irmãos a firmarem o pensamento nessa Verdade Absoluta, independentemente das circunstâncias. Isso se conecta diretamente à sequência do texto: “Cristo morreu pelos nossos pecados... e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. É justamente por causa dessa realidade que ele afirma ser a nossa esperança limitada a esta vida sinônimo de total infelicidade. A tese central aponta a realidade da fé em seus dias: "como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?".

Passados os séculos, nós também precisamos nos reafirmar e estimular a crer firmemente em nosso Senhor ressurreto, que está assentado à direita do Pai e cuja volta aguardamos com expectativa. Que esta seja sempre a base e a razão da nossa fé e esperança inabaláveis.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SALMO 37:28

SALMO 37:28

Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre

Ao me deparar com um texto assim, fico a pensar, por que razão sofrem tanto os que tentam ser fieis ao Senhor, e por que massacram tanto aqueles que desejam se fazer testemunhas da Vida e do Amor.

Então no mesmo Salmo, Ele me responde: “confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade”. E não se dando por satisfeito, o salmista ainda traz mais palavras que nos confortam, nos alegram e nos fazem perseverar nesta empreitada que chamamos de vida: “agrada-te do Senhor”, “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará”, “fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia”, “descansa no Senhor e espera nele”, “os justos, o Senhor os sustém”, “o Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz”, “se cair, não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão”, “jamais vi o justo desamparado”.

Mais do que tentar vociferar ânimo, está o Salmista mostrando a realidade de nosso Deus e Pai, que é como “a nossa sombra à nossa direita” (121:5) - jamais se desgruda. E como é bom saber disso. Muito bom.

Servir a Deus, ser chamado pelo seu Nome, rebanho do seu pastoreio, propriedade exclusiva Dele... e a razão é esta: “no coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão”. Faça do Senhor a razão de seu viver.

Pastor Carlos Puck


1 TESSALONICENSES 5:9

1 TESSALONICENSES 5:9

porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo

Paulo, em sua escatologia, é direto, com voz profética e clara, sem desperdiçar palavras: “relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva” (1 Ts 5:1). Sua objetividade tem razão de ser diante no contexto de perseguição e dor em que a comunidade vivia.

Embora na carta aos Romanos ele afirme que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade” (Rm 1:18), aqui o apóstolo caminha em outra direção. Ele destaca que Deus não nos destinou à sua ira - destino este reservado àqueles que rejeitam as coisas do Reino e persistem na desobediência.

Para ilustrar essa postura de vigilância, Paulo reúne conselhos práticos e advertências: "o Dia do Senhor vem como ladrão de noite" (5:2); e “quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (5:3). Em contrapartida, orienta “os crentes a viverem em união com Cristo” (5:10), a “edificarem-se reciprocamente” (5:11), a “orarem sem cessar” (5:17) e a “não apagarem o Espírito” (5:19).

Ao conectar esses versículos, percebe-se um sentido impressionante, análogo às parábolas de Jesus sobre a vigilância. Precisamos estar atentos ao Dia do Senhor; o tempo urge.

Não desprezemos as profecias” (1 Ts 5:20).


terça-feira, 11 de agosto de 2026

SALMO 143:8

SALMO 143:8

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma


Externar a satisfação e a dependência total do Senhor não é fraqueza, mas adoração. Ele nos criou para sua glória e para sabermos que, ao partirmos, retornamos a Ele, que nos fez e de quem somos. Logo, quando nos entregamos a esse sentimento de cuidado divino, estamos cumprindo o propósito de confiança na sua soberania e providência.


Para isso, devemos nos despir de toda vaidade e arrogância, e da ilusão de que o Senhor não se importa conosco ou de que nossos assuntos são irrelevantes.


E como ouvir ao despertar sobre a Graça se não formos até Ele em oração e leitura da Palavra? Este momento devocional nos levará a um tempo de refazer nossos pensamentos, sentimentos e a visão do que devemos fazer no dia que se inicia.


Pedir a direção não deve reforçar a ideia errada de que Deus faz a parte dele e nós a nossa. Se temos um Deus que nos dá direção, nada melhor do que conhecê-la para, ao final do dia, termos a certeza de dever cumprido. Uma vez posta diante do Senhor nossa confiança e certeza, podemos orar ainda: “sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23,24).


Carlos Puck

*Nunca fui eu, sempre foi Ele.

domingo, 9 de agosto de 2026

JOÃO 13:35 - 1 JOÃO 3:18 - JOÃO 21:15

JOÃO 13:35

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros

O amor é a grande marca que nos identifica como seguidores de Cristo. Ele teve início em Deus, que nos amou primeiro e nos revelou o sentido máximo do sacrifício e da entrega. Quando entendemos essa dimensão, percebemos que fomos alcançados para nos tornarmos testemunhas desse amor.

O amor cristão deve transpor as paredes do lar, indo além do conforto de amar apenas os mais próximos. O exemplo supremo é o de Jesus, que se envolveu com pecadores e perdoou nossas culpas quando éramos indignos. Esse padrão divino é inegociável. O verdadeiro rompimento de barreiras acontece quando entendemos a Graça. Purificados por Deus, recebemos a missão de estender esse Amor ao próximo, gerando discípulos e transmitindo tudo o que Ele nos confiou.

Nossa missão é gerar discípulos, e sendo imitadores do Mestre que ordenou esta tarefa. Um amor que muitas vezes vai doer, como as feridas que Ele suportou.

Essa prática vai muito além de abraços e palavras doces. Ela exige perdão genuíno e a anulação de dívidas emocionais. Devemos amar o próximo exatamente da maneira como fomos amados por Deus. Esta é a chave, este é o motivo e esta é a solução. A mão que se doa, é a mesma que sangrou. Ame de tal maneira que a sua vida reflita alguém transformado pela Graça.

1 JOÃO 3:18

Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.

Somos seres carentes por natureza. Ao estudarmos a Palavra, vemos inúmeras manifestações desse sentimento, especialmente em pessoas que buscam a Deus em suas lutas, solidão e necessidades, mas que raramente são recíprocas no seu amor ao Senhor.

Com o passar dos tempos, cumprindo-se a profecia de Jesus de que o “amor de muitos se esfriaria” (Mt 24:12), notamos que precisamos labutar na perseverança e na obediência do amar. Amar não é tarefa simples, pois há um abismo entre os seres humanos, que sempre exigem retorno por sua dedicação.

Entre as demandas do “amor ao próximo” (Mt 22:39), surge a pergunta no tempo de Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). A resposta, na Parábola do Bom Samaritano, vai além da religiosidade aparente.

Muitas vezes, tentamos identificar um cristão por costumes, roupas ou linguagem. Contudo, Jesus é claro: a marca de um discípulo não é o que ele fala, mas como ele ama, liberando seu coração para uma entrega plena.

Quando olhamos para Jesus, que se doou até a morte, compreendemos o princípio da “negação de nós mesmos” (Lc 9:23). Não precisamos temer o amor sacrificial, mesmo que exija dor e o perdão diário, pois toda a lei se cumpre nisto: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14). Ame sem medo.

JOÃO 21:15

Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?

Apenas descobriremos o peso de um chamado para ser de Cristo, quando a opressão ímpia estiver sobre nós. Vendo a carreira de Pedro, o apóstolo, entenderemos o dizer de Cristo, alertando-o sobre as possíveis dores do apostolado, do ser testemunha do Senhor.

Após evidente queda, na sua negação, dando a si mesmo o consentimento de negar o Mestre, agora se deparava com um teste para seu papel na história da igreja: pastorear o rebanho de Deus.

Nero, pelos anos 60 de nossa era, causou dano terrível aos seguidores de Cristo, lançando muitos servos às dores mais profundas e a perdas mais absurdas, como foi com Pedro, e olha que se tratava do que negou - tudo passava pelo ensino e exortações do Bom Mestre Jesus.

E sob a pergunta, "tu me amas, Pedro?", emergia também o tipo de um homem, mesmo em suas falhas, que seria alguém relevante para o Cristianismo - e foi!

Mas sob a tensão da perseguição, morte, negação de si mesmo, agora pretendia caminhar diante da cruz, que era seu vínculo real com o Salvador.

Seguir a Cristo significa estar disposto a ir até mesmo para onde não quer (como Jesus descreve a velhice e a prisão no versículo 18). O discipulado cristão autêntico carrega a cruz. Precisamos resgatar o sentimento que Jesus quis implantar no coração de Pedro: “apascenta minhas ovelhas”, se me amas de fato.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SALMO 100:3

SALMO 100:3

Sabei que o Senhor é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio

Muitos teimam em negar a criação divina e a mão criativa de Deus sobre todas as coisas. Como é infeliz o ser que rejeita tamanha presença. Ao contemplar os Escritos Sagrados - seja nos Salmos 19, 100 ou 139 -, percebe-se que, sem essa perspectiva, a existência humana torna-se vazia, por mais que alguns insistam em negá-la. E como é bom conhecer um Ser tão supremo e ter intimidade com Ele.

Estudando o propósito de Deus em tudo o que Ele fez e sua admiração pelas obras de suas próprias mãos, é impossível não amadurecer na fé. Nutrimos a esperança de um dia vivermos com nosso Criador, que nos acolhe como filhos por intermédio de Jesus - Nosso Deus Criador e criativo nos dá sentido para viver.

É maravilhoso crer que fomos criados por Ele, tornados filhos e que aguardamos a plenitude dos tempos para vê-lo face a face. Ser “povo de Deus” e “rebanho do seu pastoreio” é deleitar-se nas profundezas do amor e num oceano de perdão. É viver cheio do Espírito e, como Davi, contar com Ele nos vales mais sombrios, onde nos guia com segurança pelas águas tranquilas.

Deus é nossa bonança e nosso repouso em tempos agitados. Aquele que tudo criou é também quem nos sustenta com fidelidade inabalável. Quando vejo Paulo, um judeu se convertendo a Cristo, e logo expressando sua poesia, consigo entender que força tem o Senhor do Universo, que “viu que tudo que fizera, era muito bom”. “A Ele seja a Glória eternamente” (RM 11:36).

John Flavel, em sua clássica obra A Providência, destaca que “as mãos que moldaram o universo são as mesmas que sustentam os seus filhos nos mínimos detalhes”. João Calvino em suas Institutas (Vol I), “o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo estão intrinsecamente ligados: não conhecemos quem somos até contemplarmos a Majestade do Criador”. Herman Bavinck lembra que “a verdadeira paz reside na dependência da Aliança de Deus”.

E J. I. Packer (O Conhecimento de Deus) argumenta que “ignorar a mão criativa de Deus é a maior insensatez que o ser humano pode cometer. Para ele, o mundo não é um acidente mecânico; ele pertence a Deus e é governado por Ele. Negar a criação divina significa arrancar o sentido da própria existência, pois o homem foi moldado com a finalidade específica de conhecer, glorificar e desfrutar do seu Criador. Para Packer, conhecer a Deus não é acumular dados teóricos, mas maravilhar-se com o fato de que o Criador do cosmos condescendeu em se tornar o nosso Pai redentor por meio de Cristo”.

Pastor Carlos Puck


domingo, 2 de agosto de 2026

GÁLATAS 5:24,25

GÁLATAS 5:24,25

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito

O ser humano é bem complicado mesmo. Gosta de legalismos infindos. Tem a liberdade dada por Jesus, mas abre mão dela para buscar o jugo da Lei. E, neste contexto, Paulo vem exortar os gálatas... e os chama de “insensatos” (3:1), lhes pergunta “se foi pela Lei que receberam o Espírito ou por Cristo e sua Palavra” (3:2) e completa dizendo que “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (3:5).

Onde reside a insensatez? Tendo sido salvos pela Graça, cuja justiça vem de Cristo, agora querem se justificar pela Lei, os famosos judaizantes penetrando no Corpo e instigando os crentes a buscarem viver sob as obras da carne/Lei - Igrejas estão voltando a Moisés.

Mostra-nos: “…Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei…” (4:4b, 5a), “…porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (4:6b). Teimamos em “…sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos…” (4:9). O que buscamos, afinal de contas?

Se Cristo é o tabernáculo entre nós, o sacerdote e o sacrifício, o que mais precisamos? Tornamos a sua presença aqui inutilizada, pois ficamos brincando de tocar chofares, colocar arcas como amuletos, falar e desejar festejar as festas judaicas que apontavam para Cristo. Estudar. Aprender é uma coisa, mas trazer tais rudimentos é o que Paulo chamará de insensatez. A Lei deve apontar para o pecado, e nos conduzir ao Senhor Jesus. Nada mais. Então, como os Gálatas, cessemos de retornos inúteis e nos lancemos no que é útil para nossa fé.

Paulo ensina sobre os frutos do Espírito (5:22), e traduza: “mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (5:18) e “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (5:25).

Gostamos deste legalismo por ser a vida de aparência, mas em nada poderá competir com a Graça, favor imerecido, que projeta todo mérito a Jesus.


terça-feira, 28 de julho de 2026

SALMO 111:1

SALMO 111:1

Aleluia! De todo o coração renderei graças ao Senhor, na companhia dos justos e na assembleia.

Notáveis são as obras do Senhor. Não há palavras que possam descrever sua grandeza e seu poder, ainda mais quando podemos recorrer a Ele em nossos mais tempestuosos momentos.

Quem sabe o tamanho do mar e tem contada cada gota que o compõe é o próprio DEUS, assim como é capaz de pegar uma talha de água e mudá-la e vinho; Quem sabe possamos perceber o Senhor num mar que se abra à nossa frente ou de uma pedra que gera água no meio do deserto.

Este Salmo se abre com alegria poética, exalando ações de graças por quem Ele é e pelo que Ele faz.

Ser ou não ser grato é opção de cada um, porém, como diz “entre os justos” ou “aos retos fica bem louvá-lo” - em união, para quem gosta dos seus isolamentos distantes do povo de DEUS - agradecer a DEUS é para os seus. O ajuntamento alegra a DEUS e fortalece os irmãos, os seus eleitos.

Olhar para DEUS no correr do Salmo é perceber a riqueza de sua Palavra, que nos é como manjar, uma refeição especial que sacia toda nossa fome.

Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre” - pois esta sempre será vontade de DEUS - um povo grato, unânime em voz para lhe oferecer cantos de adoração. Adore-o sempre!

JÓ 29:2

JÓ 29:2

Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados, como nos dias em que DEUS me guardava!

Alguém poderia sentir saudade de DEUS? Jó expressa a angústia de quem desce ao "hades" e sente, no sofrimento, a aparente distância do Criador. Ele recorda a vida de abastança e bênçãos, quando era socorro ao próximo - “me fazia de olhos para o cego e de pés para o coxo e dos necessitados era pai” (29:15,16).

Precisamos ver JESUS como a chave para interpretar a sua história: (a) "fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça" remete à comunhão rica com DEUS e seu povo; (b) "quando eu, guiado por sua luz, caminhava pelas trevas" evoca o vale escuro, onde o Senhor era a direção, refletindo a presença do Bom Pastor (Salmo 23); (c) "a amizade de DEUS estava sobre a minha tenda" lembra que, embora provado, Jó era amigo de DEUS, em eco à poesia de Davi; (d) "o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos, em redor de mim" traduz o lamento pela sensação da ausência em meio à dor.

Podemos fazer da dor de Cristo e de Jó testemunhos de que, na mais profunda cova, Ele jamais nos abandona.

Mesmo quando o silêncio e o sofrimento desafiam a nossa fé, o Senhor permanece conosco.

A experiência do lamento não anula a amizade divina; pelo contrário, revela que, na escuridão mais densa, DEUS continua sendo o nosso refúgio, o divino companheiro que caminha ao nosso lado até o fim.


JÓ 19:21

JÓ 19:21

Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de DEUS me atingiu

Um brado de socorro. Eis a voz de alguém que se sentia na mais profunda opressão do inferno, abandonado por todos e ignorado pelos seus.

Não consigo ler Jó sem entendê-lo como uma figura de Cristo no Antigo Testamento. Não mesmo!

E nesta releitura e constância na Palavra, sofro com estes homens do passado, quando, por exemplo, vejo um apelo aos “amigos”, quem sabe os mais íntimos que tinha e a quem imaginava poder recorrer.

Este verso se une a outros e nos mostra a crua realidade da solidão de pessoas que andam em nosso redor e pedem socorro, às vezes num silêncio ensurdecedor de seu olhar: (a)os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho”, a sensação de quem tinha todos perto e muito longe de seu clamor;  (b)chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo”, que horrível pedir algo e não receber a devida atenção; (c)meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe” - consegue entender o drama deste homem? (d)as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim” - ah! Profunda agonia de quem quando estava bem tinha todos perto.

Como anda nosso olhar para o próximo em dor?


JÓ 14:22

JÓ 14:22

Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma.

Certo dia chorei, quem sabe em devaneio, pensando que meus amigos, aquele momento específico jamais tornaria. Era, naquele momento, mera sensação emocional de quem não queria sair daquele local.

Mas não estava errado meu coração. Tudo ocorreu numa despedida sem adeus e num destino diferente para cada pessoa que ali se encontrava. Antecipava minha dor.

E dali para frente, entre perdas e ganhos, solidão e novas pessoas, vivi cada instante, mas jamais um como aquele - e tudo passa, vai e volta - que normalidade bruta.

O servo Jó, em meio aos seus devaneios e totalmente justificáveis, diante do estrago do diabo em sua vida e com a autorização divina, sofria perdas em todas as áreas, tendo seus ouvidos banhados por vozes e um coração dolorido que ninguém poderia imaginar.

Somos um composto de encontros e despedidas - e quem dera, morte e estações não existissem! E não reclamo, mas é lícito sentir, habilidade inclusive de nosso Cristo amado, que em sua caminhada se serve de frases como “desamparo”, “se possível”, “em tuas mãos entrego”... Colocar-se no lugar de Jó ou de Cristo seria interessante: “como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono”. Ah! Esperança que precisamos.


ECLESIASTES 1:7

 ECLESIASTES 1:7

Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.

A vida como é um ciclo de vai e volta, sob a ótica de Salomão, da maneira quase frustrante, se levarmos em conta um sentimento que permeava sua alma sobre o tempo e as questões gerais: “vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (EC 1:2).

E sua mente não parava: (a)geração vai e geração vem”, parecia uma tentativa de mostrar que além da vaidade, as gerações mudavam e tudo permanecia assim; (b)o vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se e retorna aos seus circuitos”, e qual o sentido da vida, senão perceber um Criador e a sua Sabedoria em inflamar toda a criação e assim, quem sabe, gerar sentido ao viver; (c)todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir”, num buscar infindo de alguém que tudo tinha, inclusive a sabedoria que veio do DEUS - como não cansar desta rotina de ver e ouvir? (d)nada há, pois, novo debaixo do sol... Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós” e como extrair prazer nestas rotinas de ver os dias e noites...

Para Salomão que tinha tudo e gentes ao seu redor, o cair no esquecimento se torna real: “já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória”.

Atrás de que temos corrido, como este servo trata?


SALMO 139:23

 

SALMO 139:23

Sonda-me, ó DEUS, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos

Uma das realidades maravilhosas que encontramos na Palavra de DEUS, é sabermos que Ele nos conhece, que Ele vasculha nosso íntimo, que o mais escondido de nossos pensamentos não lhe são ocultos.

DEUS é assim: perfeito em todo seu conhecimento e planos, e que não pode ser ludibriado com nossas mazelas e intenções, ainda que tenhamos mil desculpas.

Ele é maravilhoso, mas deve nos trazer temor, pois ao encontro com sua Santidade, precisamos nos colocar como o salmista: “vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (v. 24) - isto nos auxiliará em pormos limites em nosso ser e estar.

Mas isto não ocorre de graça. Percebamos com que clareza nos alerta a Palavra: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (SL 1)

Nesta hora entendo Davi sofrendo com seu pecado, sua forma de conduzir sua vida e clamando para que DEUS “crie um coração puro” (SL 51), a fim de estabelecer a clareza de um verdadeiro servo de DEUS.

Precisamos rever nossas condutas na sociedade e buscar esta presença do Senhor cada vez mais, a fim de termos a aprovação do Céu.


EFÉSIOS 5:19

 EFÉSIOS 5:19

...falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais...

Nossos resumos diários do que pensamos, falamos ou fazemos compõem um quadro de profunda confissão diante do Altar Divino, considerando a santidade do Senhor. Muitas vezes nem percebemos, com os ouvidos acostumados a normalizar o inaceitável. Contudo, Deus não mudou as regras, tampouco abriu precedentes.

Com o passar dos anos, manias humanas são inseridas sutilmente, transformando-se em costumes. Nada do que praticamos surge no "de repente".

Frequentemente excedemos limites, esquecendo a decência e a ordem.

Paulo, escrevendo em um contexto complexo, posiciona este versículo logo após alertar contra a “embriaguez que leva à dissolução”. O descontrole de nossas palavras assemelha-se ao efeito do álcool: revela um caráter alterado por ações impensadas. Imediatamente após, ele ensina sobre “encher-se do Espírito” - algo raro hoje devido à escassez de Palavra e oração na rotina cristã.

Nosso comportamento precisa ser profundamente permeado pela presença de Deus, que opera mediante o Espírito Santo. É impossível refletir a santidade exigida por Ele vivendo de maneira displicente ou dissoluta. A verdadeira adoração brota de uma mente transformada, alinhada aos padrões celestiais, na harmonia de hábitos que ecoam diretamente de Deus e sua Graça.

O Salmo 139:23, “sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos”, trará uma das realidades maravilhosas que encontramos na Palavra de Deus, é sabermos que Ele nos conhece, que Ele vasculha nosso íntimo, que o mais escondido de nossos pensamentos não lhe são ocultos.

Deus é assim: perfeito em todo seu conhecimento e planos, e que não pode ser ludibriado com nossas mazelas e intenções, ainda que tenhamos mil desculpas.

Ele é maravilhoso, mas deve nos trazer temor, pois ao encontro com sua Santidade, precisamos nos colocar como o salmista: “vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (v. 24) - isto nos auxiliará em pormos limites em nosso ser e estar.

Mas isto não ocorre de graça. Percebamos com que clareza nos alerta a Palavra: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (SL 1)

Nesta hora entendo Davi sofrendo com seu pecado, sua forma de conduzir a vida e clamando para que Deus “crie um coração puro” (SL 51), a fim de estabelecer a clareza de um verdadeiro servo de Deus.

Precisamos rever nossas condutas na sociedade e buscar esta presença do Senhor cada vez mais, a fim de termos a aprovação do Céu. 

(Pastor Carlos Puck)

 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Romanos 12:1

Romanos 12:1

"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus..."


Deus fez, por nós, o sacrifício perfeito: seu Filho.

O que requer de seus filhos? "Que apresentemos o nosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional. E não nos conformemos com este século, mas transformemo-nos pela renovação da nossa mente" (Romanos 12:1-2).

Ao nos depararmos com os exemplos antigos dos sacrifícios, vemos que a morte era imperativa em todos eles, e nisto veremos a morte do Cordeiro, num imperativo que transforma morte em vida.

Tais imperativos precisam ser lidos e compreendidos à luz da inspiração das Sagradas Escrituras.

E, se assim cremos, temeremos a Deus, ofereceremos o nosso melhor a Ele, o amaremos "de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força" (Deuteronômio 6:4-5) e, numa versão neotestamentária, "amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força" (Marcos 12:30).

Se considerarmos a instrução apostólica na Carta aos Hebreus (capítulo 1, versículos 1 a 3), onde lemos: "no passado, Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus, a expressão exata do seu ser, e sustenta todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas", resgataremos da inspiração a fonte que iluminará toda a nossa existência.  

E é nesta perspectiva que poderemos vivenciar a profundidade das figuras antigas apontando para a efetivação de tudo em Cristo, o que fez Dele o único e suficiente Mediador, Salvador e Senhor.

Nosso culto tem que expressar toda esta intensidade do que Deus mesmo fez para nos redimir, nos salvar do "império das trevas" (Colossenses 1:13-20), quando "estávamos mortos em nossos delitos e pecados" (Efésios 2:1), e assim podermos dar passos que honrassem o Criador.

É chegado o tempo, a oportunidade de buscarmos, invocarmos e ouvirmos em obediência a chamada do céu para a vida eterna, assim como nos lembra a palavra: "aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece" (João 3:36).

Eis o tempo. Eis o Senhor. Eis a hora exata. (Hebreus 3:7-19//Isaías 55)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

SALMO 51:4

SALMO 51:4

Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar

Não! Não reconheço meu pecado apenas para me livrar dele. Tampouco, por medo do castigo do Senhor.

Justo e puro definem o caráter de Deus imerso em amor e misericórdia, mesmo exalando a ira e a punição pelo pecado humano.

Davi, confrontado por Natã, recebeu correção. De forma metafórica, o profeta disse haver alguém com muitas ovelhas que tomara a única de outro. O que buscava o profeta? Que o rei promulgasse a sentença. E o fez. Recebeu então uma direta, sem figuras de linguagem: este homem é você!

Que dor deve ter sentido o rei naquela hora. E desta contrição emerge um poema lindo que começa assim: “Compadece-te de mim, ó Deus, conforme a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões”, “eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim”, “Lava-me completamente da minha iniquidade”, “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito”, “Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua exaltará a tua justiça”. Entendemos isto realmente?

É hora de olharmos para nós mesmos e não para os outros, reconhecer que nem sempre o outro é o culpado.


terça-feira, 14 de julho de 2026

ROMANOS 12:1-2

ROMANOS 12:1-2

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente

Se somos o sacrifício, que tipo de sacrifício temos oferecido ao Senhor? Levando em conta o Profeta Malaquias em suas ações reclamatórias sobre os sacerdotes e suas ofertas mancas e cegas, de um povo que estava roubando o Senhor, substituindo altares divinos por deuses estranhos e do mal, além de estarem se consumindo em relacionamentos com pagãos - o que fazermos para sermos este culto que se torna sacrifício santo e agradável a Deus?

O chamado profético nada é diferente do nosso, em dias que os próprios crentes abandonam o Altar verdadeiro para alçar voos junto a este século, com o qual jamais deveríamos nos assemelhar.

Portanto, se Deus se apresentou a Israel, se apresentará à igreja, sem medir as eras de sua ação: “Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?” (DT 32:6). Mas as misericórdias nos fazem ler: “a porção do Senhor é o seu povo” (DT 32:9), “guardou-o como a menina do seu olho” (DT 32:10) - João diria para tornarmos às primeiras obras. Eis tempo é de sermos “sacrifícios santos agradáveis a Deus”.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

1 TESSALONICENSES 5:12-13

Cultivando a Consideração pelos Nossos Pastores

(1 Tessalonicenses 5:12-13)

​"Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho que realizam"

​É intrigante como o nosso coração, por vezes, tende a ferir justamente aqueles que cuidam de nós.

​Temos testemunhado um ataque incessante àqueles que se dedicam ao ensino, ao pastoreio e ao cuidado com o rebanho de Deus. 

Para tentar justificar essa postura, usamos os mais diversos argumentos, muitas vezes nos colocando em uma posição de superioridade em relação a esses servos de Deus ou um vitimismo sem sentido.

​Poderíamos tentar relativizar a situação dizendo que os profetas e os homens de Deus sempre foram perseguidos no passado. 

No entanto, usar esse argumento para aceitar a situação atual é o mesmo que lançar uma "toalha quente" sobre o que, na verdade, é pecado, erro e falta de consideração.

​Também erramos quando tentamos usar o sofrimento de Jesus - o Mestre por excelência e Filho de Deus - para justificar o massacre que promovemos contra a liderança, sob o pretexto de que Ele mesmo nos alertou que teríamos aflições no mundo. 

Essa justificativa continua sendo um erro grave.

​Foi a natureza pecaminosa, herdada desde Adão, que levou Jesus à cruz, cumprindo o plano soberano de salvação desenhado pelo Pai. 

Contudo, o propósito de Deus em redimir a humanidade não justifica a malícia, a maldade e a leviandade daqueles que atacam os seus pastores hoje.

​Davi nos deixou um grande exemplo sobre isso.

Mesmo tendo a oportunidade de eliminar Saul, seu perseguidor, ele recuou por temor e respeito, reconhecendo que é Deus quem estabelece as autoridades.

​Antes de ferir, criticar destrutivamente ou maldizer o seu pastor - e, por extensão, todos aqueles que se dedicam à obra de Deus -, ore, leia a Bíblia, busque a Deus para não cometer esse pecado, e arrependa-se.

​Caso você tenha algum problema com o seu pastor, vá até ele em particular. 

Como irmão em Cristo, converse e ore com ele e por ele. 

Lembre-se do que diz a Palavra: "Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles, pois eles velam por vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes para que o trabalho deles seja uma alegria, e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês" (Hebreus 13:17). 

Compreenda também o apelo do apóstolo Paulo: "Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus" (Romanos 15:30).

​Encerro esta reflexão com o mesmo apelo contido em Hebreus 13:18: "Orem por nós. Estamos certos de que temos a consciência tranquila e desejamos viver de maneira honrosa em tudo."

​Ore e ame o seu pastor, seja você um oficial da igreja ou um membro da congregação. 

Não se permita ser usado como instrumento do diabo para divisão no corpo de Cristo.

Pastor Carlos Puck

domingo, 12 de julho de 2026

ROMANOS 5:17

ROMANOS 5:17

Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo

A reflexão sobre Romanos 5:17 nos confronta com o espelho da nossa própria existência diante de Deus. Ao olharmos para nossa alma, frequentemente somos tentados a nos definir por conceitos limitados de "bom" ou "mau", permitindo que o coração, muitas vezes enganoso, dite nossas percepções. No entanto, a ESCRITURA é clara: através da desobediência de um único homem, Adão, o pecado e a morte espiritual disseminaram-se, lançando uma sombra sobre toda a humanidade.

A causa primária, Satanás, encontrou no ser humano - criado à imagem e semelhança de Deus - um alvo. Desde o Éden, enfrentamos o dilema de olhar para nós mesmos sob a perspectiva da criação divina ou sob a influência da mentira. Se a desobediência trouxe a desgraça, a providência divina, em sua infinita misericórdia, estabeleceu a solução pela obediência de Jesus Cristo.

A LEI funciona como um aio, apontando nossa culpa e conduzindo-nos ao Advogado e Mediador. Jesus, sendo perfeitamente justo, mergulhou na morte que não lhe cabia, tornando-se o substituto da condenação. Diferente de Adão, o FILHO DE DEUS resistiu às tentações do mesmo satanás que corrompeu a humanidade. Ao negar as sensações da carne e manter-se fiel ao propósito do Pai, Ele reverteu a história da queda.

Ao retornarmos ao "espelho da solidão" com Deus, devemos ser honestos sobre quem Ele nos criou para ser. Nossos corpos e emoções, moldados pela sua vontade perfeita, não são erros: são testemunhos da soberania do Criador. O pecado, porém, torna ilegível essa imagem original. É aqui que a GRAÇA SE TORNA IRRESISTÍVEL: ela não apenas nos perdoa, mas nos concede a verdadeira leitura do que Deus requer para a VIDA ETERNA.

Se pela ação de Adão fomos separados, por Jesus somos autenticados para a comunhão plena com o Criador. A Graça nos leva a abandonarmos a voz do tentador e destinarmos nossa existência à glória de Deus. Sem esse favor imerecido, o pecador apenas se sente ofendido ao ser confrontado; sob a luz da Graça, ele vê seu pecado, arrepende-se e é renovado por DEUS.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós. O convite é urgente e transformador: vir para Cristo, a única porta real para a presença de Deus.

Pastor Carlos Puck


terça-feira, 7 de julho de 2026

ATOS 19:1

Estudo Devocional Completo sobre Paulo em Éfeso.

A Jornada do Evangelho em Éfeso: Poder, Conflito e Fé

Estudo Devocional baseado em Atos 19 e 20

 

Introdução Geral: Éfeso era uma das maiores metrópoles do Império Romano, um centro fervilhante de comércio, artes e, sobretudo, idolatria profunda voltada à deusa Ártemis. Quando Paulo chega a esta cidade, ele não encontra apenas um campo missionário; ele entra em um território sob forte domínio espiritual. Este estudo percorre o ministério paulino em Éfeso, revelando como o Evangelho, quando pregado com fidelidade, inevitavelmente transforma corações, confronta ídolos e provoca a resistência das trevas. Que estas meditações nos conduzam a uma fé que não apenas professa a Verdade, mas vive o "Caminho" em meio a uma cultura secularizada.

 

(I)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

Quanta coisa pode acontecer na vida de quem Deus chamou para ser sua testemunha! Fato é que, desde que Jesus foi elevado aos Céus, deixou a missão aos seus eleitos. Não há como negar que o “martírio” seguiu, como sombra, as vidas que decidiram andar junto com o Mestre.

Nesta caminhada, eis Paulo, seguindo para todos os cantos, falando às pessoas. E pensamos: sendo Paulo, quanta honra receberia ao chegar aos lugares. Porém, em muitos deles, o ambiente se tornaria inóspito, distante do conforto de amigos. Ele encontra discípulos de João e ali os rebatiza em nome do Senhor, como era a ordem de Cristo.

Pregou por três meses na sinagoga até que os judeus o mandaram sair; “começaram a falar mal do Caminho diante da multidão” (v. 9). Pregou por dois anos com milagres realizados por Deus (v. 10-11), e o “nome do Senhor era engrandecido” (v. 17). Nesta primeira etapa de Paulo em Éfeso, o Nome e o Caminho ficaram conhecidos e pessoas converteram-se, sendo algumas libertas do cativeiro e das trevas; enfermos foram curados e um morto ressuscitado (20:9-11).

“Os cristãos de Éfeso eram uma pequena minoria em uma vasta metrópole” (D. P. Barry). E essa pequena parte já incomodava a cidade, e ali estava Paulo, insistentemente pregando. Pergunta 1: o que nos motiva?

 

PARTE I: O Caminho e o Custo da Testemunha

(Atos 19:1-12)

Nota de Contexto: Paulo encontrou em Éfeso discípulos que conheciam apenas o batismo de João. Isso ilustra que, mesmo entre pessoas religiosas, pode faltar a experiência plena do Espírito Santo e o conhecimento total de Cristo. O ministério de Paulo em Éfeso durou cerca de três anos, sendo uma de suas estadias mais longas.

Reflexão: Quanta coisa pode acontecer na vida de quem Deus chamou para ser sua testemunha! Desde que Jesus foi elevado aos Céus, deixou a missão aos seus eleitos. Não há como negar que o “martírio” - o testemunho radical - seguiu como sombra as vidas que decidiram andar junto com o Mestre. Paulo enfrentou inospitalidade e resistência, mas perseverou, pois sabia que o Nome do Senhor precisava ser engrandecido.

Devocional:

·                     Pergunta: O que motiva a minha persistência quando o ambiente ao meu redor se torna inóspito ao Evangelho?

·                     Aplicação: Reflita sobre como você tem apresentado o "Caminho" para pessoas que, como os discípulos de João, possuem uma religiosidade incompleta.

·                     Oração: "Senhor, que a Tua Palavra tenha em mim a mesma força que teve em Éfeso. Que o meu testemunho seja fiel e que a minha vida aponte para a Tua soberania, mesmo quando eu me sentir em minoria."

 

(II)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

Diante das pregações e ensinos paulinos, via-se mudança de vida, a ponto de as pessoas negarem as práticas que tanto Paulo condenava. Semelhantemente, quando Jesus expulsa os demônios dominantes da região dos gadarenos, os homens blasfemam e pedem que Ele vá embora. No caso de Paulo, ocorre o oposto em determinado momento: “Muitos dos que creram vinham, confessavam e declaravam abertamente as suas más obras. Grande número dos que tinham praticado ocultismo reuniu os seus livros e os queimou publicamente” (At 19:18-19).

Para um povo negar suas práticas, é necessário haver uma conversão, e foi o que ocorreu após a libertação de uma pessoa (At 19:13-17). Não há como resistir a testemunhos vivos e convincentes. Judeus e gregos agora começam a se render ao Senhor.

O instrumento real das conversões: “a palavra do Senhor se difundia e se fortalecia poderosamente” (At 19:20), pois Paulo não desistia. Eis ali o servo fiel, que irá dizer a Timóteo que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” (2 Tm 3:16-17). Diante deste crescimento, o que se esperava era que o território grego fosse tomado de júbilo, paz e alegria. Mas “houve um grande tumulto por causa do Caminho” (At 19:23). Pergunta 2: quais são os nossos apegos e medos?

 

PARTE II: A Conversão Real e o Rompimento com o Passado

(Atos 19:13-20)

Nota de Contexto: A queima de livros de ocultismo (avaliados em 50 mil dracmas, uma fortuna imensa) foi um ato de ruptura pública. A verdadeira conversão sempre exige um custo e a renúncia explícita às práticas que desagradam a Deus.

Reflexão: Diante dos ensinos paulinos, via-se mudança de vida. Não há como resistir a testemunhos vivos. Quando a Palavra de Deus se difunde e se fortalece, ela torna obsoletos os ídolos e as práticas mágicas que antes prendiam as pessoas. Judeus e gregos renderam-se ao Senhor. A mudança foi tão profunda que o valor dos "livros" (manuais de magia) perdeu sentido diante da grandeza de Cristo.

Devocional:

·                     Pergunta: Quais são os apegos e medos que ainda guardo e que me impedem de uma entrega total ao Senhor?

·                     Aplicação: Identifique uma "prática de ocultismo" (algo que oculta a luz de Deus em sua vida) e decida hoje queimá-la em oração, confessando-a diante de Deus.

·                     Oração: "Senhor, ajuda-me a ter a coragem de descartar tudo o que rouba a Tua glória em meu coração. Que a Tua Palavra seja a autoridade máxima que dita meus passos."

 

(III)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

Ao que parece, Satanás toma a forma de ícones de adoração e acaba afetando a mente local. Um “ourives chamado Demétrio, que fazia miniaturas de prata do templo de Ártemis e que dava muito lucro aos artesãos” (At 19:24-28), é o exemplo.

Isto nos remete a reflexões profundas sobre o empecilho e as motivações de pessoas em nosso tempo que não abrem mão, por tradição, medo ou coração atraído por ídolos, o que gerará em seus corações aversão à verdade, como Paulo dirá sobre a tal “coceira nos ouvidos” e as “fábulas profanas” (2 Tm 4:3-4).

Tais desvios de adoração acabam por furtar a atenção que deveria ser apenas e tão somente de Cristo. E os artesãos, que viviam das atividades idolátricas, referindo-se a “Ártemis ou Diana”, temiam que a deusa, “adorada em toda a província da Ásia e em todo o mundo, fosse destituída da sua majestade divina”, pois “deuses feitos por mãos humanas não são deuses” (At 19:26-27).

Lembra-nos claramente quando os salmistas falavam do assunto, e ainda mais os profetas, mostrando o quanto este tipo de atitude feria a Fé e sobre o quanto Deus se irava e castigava. Desta terceira meditação, surge mais uma pergunta: dentre nossos ídolos do coração, não há algum que tem ofendido a Deus pela nossa escolha?

 

PARTE III: Os Ídolos do Coração e o Conflito de Interesses

(Atos 19:21-27)

Nota de Contexto: Demétrio, o ourives, não estava defendendo apenas a religião de Ártemis; ele estava defendendo o seu lucro. A idolatria muitas vezes tem uma raiz econômica e de poder. Quando o Evangelho ameaça a "fonte de renda" das trevas, o tumulto é inevitável.

Reflexão: Os desvios de adoração furtam a atenção que deveria ser apenas de Cristo. Quando o Evangelho é pregado, ele desafia a utilidade dos deuses feitos por mãos humanas. Isso incomoda aqueles que vivem da manutenção dessas falsas crenças. Assim como nos dias dos profetas, Deus se ira contra a idolatria que atrai o coração para longe da Verdade.

Devocional:

·                     Pergunta: Dentre os ídolos do meu coração, existe algum que ofende a Deus, mas que hesito em abandonar por medo ou conveniência?

·                     Aplicação: Analise se as suas escolhas atuais são norteadas pela Verdade ou pelo receio de perder a reputação perante o mundo.

·                     Oração: "Pai, purifica meu coração de toda idolatria. Que eu não permita que nenhum lucro ou tradição tenha mais valor que a Tua Verdade."

 

(IV)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

“Grande é a Ártemis dos efésios!” (At 19:28) – eis o brado de um povo que estava morto em seus delitos e pecados, preferindo, como Adão, a voz da serpente. Como e onde pregar tal Verdade em nossos dias? Seremos, certamente, chamados de fanáticos, fundamentalistas... em nada diferente dos dias de Paulo, quando “houve uma grande confusão na cidade” (At 19:29).

“Algumas autoridades da província, que eram amigos de Paulo, chegaram a mandar-lhe um recado, pedindo-lhe que não se arriscasse a ir ao teatro” (At 19:31) – alguém acha que Paulo pararia? “Todos gritaram a uma só voz durante cerca de duas horas: ‘Grande é a Ártemis dos efésios!’” (At 19:34). Isto nos lembra quando gritaram "Barrabás".

Disse o escrivão: “Efésios, quem não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Ártemis e da sua imagem que caiu do céu?” (At 19:35). Ele não estava totalmente errado: todo demônio "caiu" e tomou posse de corações incautos que não têm Cristo. Sob a voz deste escrivão, dissolveram o tumulto: “corremos o perigo de ser acusados de perturbar a ordem pública por causa dos acontecimentos de hoje” (At 19:40). E neste momento, eis a definição de quem era de quem: Cristo ou Satanás. Pergunta-se: de quem somos?

 

PARTE IV: O Tumulto contra a Verdade

(Atos 19:28-41)

Nota de Contexto: O grito de duas horas "Grande é a Ártemis dos efésios!" revela um povo desesperado. A idolatria, quando confrontada pela luz do Evangelho, reage com barulho e confusão para tentar abafar a voz da Razão Divina.

Reflexão: Como pregar a Verdade hoje? Seremos chamados de fanáticos ou fundamentalistas. A reação da cidade, o tumulto e a confusão são a resposta natural de um mundo que prefere a voz da serpente à Voz de Deus. Contudo, Paulo não se intimidou. A pergunta permanece: somos de Cristo ou do sistema que se agita contra Ele?

Devocional:

·                     Pergunta: Como tenho reagido quando o mundo tenta me intimidar a silenciar a minha fé?

·                     Aplicação: Observe um momento desta semana em que você precisou escolher entre a aprovação pública e a fidelidade a Cristo.

·                     Oração: "Senhor, dá-me a intrepidez de Paulo. Que, mesmo em meio à confusão deste mundo, eu saiba a quem pertenço e não me curve diante das gritas das trevas."

 

(V)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

Em Filipos e Trôade estava Paulo, o incansável discípulo. “No primeiro dia da semana, quando nos reunimos para partir o pão, Paulo falou aos irmãos e, porque iria embora no dia seguinte, continuou falando até a meia-noite”. Naquele momento, ocorre a queda de Êutico, que, logo após, é trazido da morte (At 20:7-12).

Eis o testemunho de Paulo: “servi ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas, sendo severamente provado pelas conspirações dos judeus” (At 20:19). Não se tratava de uma voz lamentosa, mas de despedida e atestado de missão realizada. “Não deixei de pregar a vocês nada que fosse proveitoso, mas ensinei tudo publicamente e de casa em casa” (v. 20). “Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que se arrependam” (v. 21).

Jesus também encontrou uma falha em sua congregação “valente pela verdade”: “abandonaste o teu primeiro amor” (Ap 2:4). O amor esfriara, sugerindo o esfriamento do amor por Jesus. Esta era uma congregação de muita atenção e ensino de Paulo, que nos deixa reflexões sobre “combater o bom combate, terminar a corrida, guardar a fé” (2 Tm 4:7-8). “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os designou...” (At 20:28). A pergunta que fica: temos feito a lição de casa?

 

PARTE V: A Missão e o Primeiro Amor

(Atos 20:7-38)

Nota de Contexto: A despedida de Paulo aos presbíteros de Éfeso é um dos momentos mais emocionantes do Novo Testamento. Ele apela para que cuidem do rebanho, antecipando que o perigo viria tanto de fora (predadores) quanto de dentro (falsos mestres).

Reflexão: O testemunho de Paulo é um atestado de missão realizada. Ele não deixou de pregar nada que fosse proveitoso. Mas Jesus nos lembra: é possível ser valente pela verdade e, ainda assim, abandonar o primeiro amor. Servir ao Senhor exige humildade, lágrimas e constante autovigilância.

Devocional:

·                     Pergunta: Tenho feito a minha lição de casa em relação ao cuidado com o meu coração e com aqueles que Deus colocou sob minha influência?

·                     Aplicação: Dedique um momento para avaliar se a sua rotina cristã ainda é movida pelo amor inicial ou apenas pelo "hábito" religioso.

·                     Oração: "Senhor, restaura o meu primeiro amor. Que o meu serviço a Ti não seja apenas tarefa, mas transbordamento de uma paixão que não esfria."

 

(VI)

ATOS 19:1

Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos.

Certamente, neste ciclo de meditações sobre Paulo e Éfeso, temos muitas lições. Fecho com alguns argumentos interessantes:

“Manter-se firmemente agarrado a ambos os pilares - verdade e amor - é um desafio constante para pecadores redimidos, que oscilam como pêndulos de um extremo a outro. Contudo, a sua palavra final não é de ameaça, mas de promessa. Assim, ‘vencer’ o maligno é combinar o compromisso com a verdade de Cristo. Quando a verdade do evangelho alcança nosso coração, isso resulta em amor pelos outros. A igreja guardou no coração as advertências de Paulo quanto aos predadores de fora e os enganadores de dentro; por isso, Jesus elogia a igreja.” (D. Johnson - Westminster Seminary California).

Este comentarista traz esta soma preciosa de pensamentos, onde podemos perceber que, mesmo sob o ensino sério e a forte ação divina, os servos do Senhor acabam se tornando vulneráveis, seja para amar a Deus e ao próximo, ou para correr riscos de voltar a velhos hábitos.

Estar numa cidade idólatra, numa nação idólatra, com lideranças religiosas e civis idólatras, trará pressão à Fé genuína no verdadeiro Deus e em seu Cristo. Disso aprendemos sobre perseverança e guardar tudo o que se ouviu e aprendeu. Que Deus nos ajude!

 

PARTE VI: O Desafio da Perseverança

Nota de Contexto: O equilíbrio entre "Verdade" e "Amor" é o grande pilar da vida cristã. Sem verdade, o amor vira sentimentalismo; sem amor, a verdade vira brutalidade.

Reflexão: Manter-se agarrado aos pilares da Verdade e do Amor é um desafio constante. O maligno tenta nos enganar de dentro e de fora. No entanto, a promessa de vitória é real. Estar em uma sociedade idólatra trará pressão à nossa Fé, mas perseverar é o caminho para guardar o que aprendemos. Que a fidelidade de Paulo em Éfeso seja o nosso combustível.

Devocional:

·                     Pergunta: Como posso ser, hoje, um exemplo de equilíbrio entre a firmeza na verdade e a demonstração do amor de Cristo aos perdidos?

·                     Aplicação: Faça um compromisso diário de estudar a Palavra (Verdade) e buscar uma oportunidade de servir alguém (Amor).

·                     Oração: "Graças Te dou, Senhor, pelo exemplo de Paulo e pela Tua Palavra que me sustenta. Fortalece a minha perseverança e guarda o meu coração em Tua Verdade. Amém."