Mateus
6:12 - “e perdoa-nos... assim como nós temos perdoado”
A
RAIZ DA AMARGURA corrói a alma quando alimentamos desculpas para guardar
o rancor. Diante da petição de Mateus 6:12 - “e perdoa-nos... assim como nós
temos perdoado” -, somos confrontados com a nossa incapacidade natural.
Como
bem pontuou João Calvino, “o coração humano é uma fábrica perpétua de
ídolos e dureza, um verdadeiro coração de pedra que resiste à graça e se
apega ao ressentimento” (As Institutas da Religião Cristã (especificamente
no Livro 1, Capítulo 11, Seção 8).
Nossa
vã tendência é criar subterfúgios sociais para justificar a falta de perdão.
Contudo, o remédio para essa dureza não reside em um esforço puramente humano
ou moralista, mas na contemplação da obra de Cristo.
Como
nos lembra Paulo em Filipenses 2, “Jesus esvaziou-se, assumindo a forma
de servo até a morte de cruz”. Esta atitude não foi um mero impulso emocional,
mas a suprema disposição redentora ordenada pelo Pai.
Tal
disposição opera em nós não por mérito próprio, mas como fruto indispensável da
união com Cristo e da habitação regeneradora do Espírito Santo. Quem foi alvo
da graça soberana não pode guardar dívidas contra o próximo, pois compreende a
imensidão da dívida que lhe foi perdoada.
Quando
Jesus nos ensina a orar "não nos deixes cair em tentação"
incluindo a si mesmo no pronome plural, Ele nos revela que a dependência da
graça é diária e comunitária. O perdão horizontal é o reflexo inevitável do
perdão vertical recebido.
Como
ponderava Thomas Watson, "Não precisamos subir ao céu para ver se
os nossos pecados estão perdoados: olhemos para os nossos corações e vejamos se
conseguimos perdoar aos outros" – (The Lord’s Prayer)
Portanto,
tratar a amargura exige abandonar a hipocrisia das aparências e buscar a
comunhão secreta com o Pai. É no oculto do nosso quarto, em quebrantamento
diante da santidade divina, que a nossa soberba é quebrada.
A
verdadeira piedade não floresce da ostentação, mas na contrição silenciosa onde
reconhecemos que somos miseráveis pecadores salvos unicamente pela
misericórdia.
Quando
experimentamos esse galardão íntimo, o rancor perde o seu domínio sobre nós, e
perdoar deixa de ser um fardo insuportável para se tornar a marca evidente de
que pertencemos, de fato, à família de Deus. Vá para teu quarto escuro e com
teu Pai, em secreto, aprenda perdoar.
Pastor Carlos Puck
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