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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

GENESIS 2:7

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente." (Gênesis 2:7).

O Pó da terra, matéria criada, com toda sua fragilidade e dependência de sua origem, Deus. Quando do sopro, transmissibilidade da vida sobre o pó em formação, alma vivente do ex nihilo, existência agora com propósito, integrado com o superior plano, Deus, em sua natureza transmitida, parte que brota do Senhor, e não da obra criada, pó.

João Calvino, em sua obra As Institutas da Religião Cristã (Livro I, Capítulo 15), ao tratar da criação do homem:

"A alma é uma essência incorpórea, contudo é uma verdadeira criatura; não é uma partícula da essência divina, mas uma centelha de vida criada por Deus a partir do nada, alojada no vaso de barro que é o corpo."

Se o espírito torna a Deus que o deu (Eclesiastes 12:7), concluímos que o corpo, ente passageiro originado do pó da terra, atua como o vaso que temporariamente contém a respiração e a ordenação de Divina. Soprar é muito mais que exalar sobre; é conferir propósito, força e existência racional.

Neste ato criativo, o sopro passa a ser a dignidade estrutural dada ao homem. Teimamos em dar valor excessivo ao visível e tangível, esquecendo-nos de que a nossa subsistência depende inteiramente da sustentação do Criador. Como destaca Herman Bavinck em sua Dogmática Reformada:

"O homem não é apenas um agregado de matéria e espírito; ele é uma unidade psicossomática criada para a comunhão com Deus. A morte não aniquila o homem, mas separa o receptáculo terreno da sua respiração espiritual, devolvendo cada parte à sua devida origem até o dia da redenção física."

É fascinante notar a tipologia bíblica: o primeiro Adão, formado do pó da terra, cedeu ao pecado e introduziu a morte. Mas, como argumentou o teólogo puritano John Owen ao discorrer sobre a encarnação e a obra de Cristo:

"O Filho de Deus tomou sobre si a verdadeira carne humana, gerada da estirpe de Davi, sujeitando-se às debilidades do pó para que, como o segundo Adão, pudesse resgatar tanto a alma quanto o corpo da corrupção."

A ressurreição de Cristo desmonta o triunfo absoluto da matéria morta. Ela exalta a soberania da criação sobre a sepultura. Quando Jesus ressuscita em carne glorificada, o próprio pó ganha significado eterno; o corpo físico não é descartado gnósticamente, mas redimido para a comunhão eterna com o Criador - pó e fôlego unidos na pessoa do homem glorificado.

Por que Deus insiste em resgatar e redimir aquilo que foi maculado pelo pecado? Porque a Sua graça é soberana e irrecusável em seus desígnios de adoção. Deus não despreza as obras de suas mãos. O valor da matéria reside na dignidade que o Criador lhe conferiu, e a alma encontra seu repouso somente quando reconciliada por meio de Cristo. Sem Deus, o ser humano é espiritualmente morto.

Agostinho de Hipona (As Confissões, Livro I, Capítulo 1, Parágrafo 1)disse:

"Fizeste-nos para ti, e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em ti."

Diante da transitoriedade da vida e da vã ilusão de acumular tesouros passageiros, as Escrituras nos lembram da soberania final de Deus sobre a história:

"Pela mesma Palavra, os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o Dia do juízo e para a destruição dos ímpios" (2 Pedro 3:7).

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mateus 24:35).

"Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça" (2 Pedro 3:13).

A ampulheta do tempo se esvai, conduzindo o corpo de volta ao seu elemento natural, a terra. Mas a esperança da fé fundamenta-se no criacionismo bíblico, na soberania absoluta de Deus e na eficácia da cruz de Cristo.

A eternidade não é um conceito abstrato, mas a concretização da promessa de que habitaremos para sempre na presença d'Aquele que é o Autor e o Consumador da nossa fé.


SALMO 23:5

SALMO 23:5 

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda


A Teologia carrega em sua interpretação a necessidade de contextos exatos em que o texto fora escrito, dedicando tempo sobre autor, data, tipos, etc.

Mas o grande lance da pregação e estudo emerge da aplicação, pois sem esta a fala fica distante do auditório.

E é nesta questão que amo a Palavra inspirada pelo Espírito Santo e a própria instrução deste sobre a mente que Ele leva cativa sob suas mãos.

"Preparas" me joga na total dependência dele enquanto Deus presente e consolador, sinônimo deste derramado de óleo que marca a vida de quem ele mesmo socorre e busca. Tal preparo está além do trato curativo, mas transcende à humanidade quando aprendemos que "devemos nos encher do Espírito".

Só pode derramar, de forma que não seja lançado de forma irreverente aquele servo e filho cuja unção, este derramar, encher toma conta.

Adversários, oi adversidades, ou nossa dureza de coração, ou mesmo a plena confiança no Pastor, sim, está que revelará em que nível da "taça" que somos nós o óleo, a unção estará.

Lembrando de outro Salmo que nos remete à leitura "desce pela barba, a barba de Arão".

A mesa preparada com o cálice transbordante me faz pensar na Graça que devo comunicar aos que me cercam, o ser testemunha do Sangue de Cristo lançado sobre a humanidade, o Amor que refaz a comunhão como Céu, o paraíso abandonado pelo meu pecado.

Mesa e cálice, muito próximo do último encontro do Senhor com os seus, quando reparte pão e cálice.

Ao cantarem o hino, muito devem ter se emocionado, mas em expressão de satisfação de dever cumprido e sequenciar a missão do Mestre e Salvador.

Eis-nos à Mesa.

Transbordemos ao nos enchermos do Espírito, no orar sem cessar e na gratidão por tão grande Salvação.

Não sejamos nós os nossos próprios inimigos, que ouvem e não praticam a Palavra.

MATEUS 6:12

 

MATEUS 6:12

...e perdoa-nos...assim como nós temos perdoado...

Como tratar a raiz da amargura? Partindo desta pergunta, é útil meditarmos em algumas questões importantes na Palavra.

Criamos muitos conceitos. Muitos. Muitas expressões, com cara de desculpa. Etc. Mas uma só é a razão de perdoarmos ou não: coração de pedra, que é a razão bíblica, por exemplo, para o divórcio, segundo a bíblia.

Coração de pedra é dura cerviz são expressões para nós apresentar a nós mesmos, sobre nossa natureza.

No meio dos conceitos, entra Jesus, de forma clara: "deixa sua glória, esvazia-se, fica parecido com a gente, entrega-se à vergonha e humilhação, e chega até a cruz" (filipenses 2), que é quando Paulo dirá "tenham o mesmo sentimento que Cristo teve" - a isto chamamos de disposição para... Sem disposição, Jesus jamais viria. E não é uma disposição natural, mas um produto de quem se enche do Espírito, busca a vontade de Deus e sabe que é um filho eleito. Disposição não deixa opções, mas convicções para se obedecer.

Some-se a isto, a palavra ainda mais direta, quando se pergunta a Jesus: "se perdoar será perdoado, se não, não será".

A graça dada é a mesma que temos que praticar. Senão banalizamos esta ação do Céu e a vendemos condicionadas às aparências - é fruta estragada.

E por isso Ele dirá na oração: "não nos deixe cair em tentação", e neste ensino, usa pronome que o inclui - "nos".

Se queremos andar com e como Cristo, tratando de perdão, então deveremos passar por este caminho, que nada mais é que um desenho tracejado que devemos preencher para cumprirmos o nosso papel de filhos de Deus.

Nisto entenderemos que esta ação da Graça em nós começa num encontro interior e íntimo, longe de tudo e de todos, como disse Jesus: "tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" (6:6) - define galardão.

O resto é hipocrisia e falso cristianismo (6:5).