DIA 4 DE OUTUBRO
Não pensemos ser um dia fora do controle de Deus. Ao contrário, somemos ao
ato positivo da confiança na soberania e sabedoria divina a certeza de que Deus
também nos prova por meio dos acontecimentos da história. Como? A começar em
nossas escolhas diárias e cívicas.
As urnas apontarão alguns detalhes vitais para
todos nós:
1.
Quem de fato somos, quando uma nação depende
do caráter moral e espiritual de cada eleitor. O voto manifesta a nossa
cosmovisão e revela em quem cremos, fundamentado em nossas escolhas.
2.
O espelho do rei Ezequias, cuja história bíblica
relata uma oração fervorosa feita e soberanamente respondida. Contudo, na
resposta, ele pecou ao pensar que “ele” era o fim em si mesmo e que Deus se
movera por causa de sua própria glória pessoal. Jamais! Como lembra João
Calvino, em suas Institutas da Religião Cristã (Livro III, Capítulo
20), “a verdadeira oração exige que o homem esvazie-se de toda pretensão de
mérito e reconheça que a glória pertence exclusivamente a Deus”.
3.
A oportunidade de exercer discernimento, compreendendo a separação
entre o que é santo e o que se opõe aos decretos divinos. A oração nos aproxima
do Senhor em profunda comunhão, permitindo-nos perceber as astúcias das
ideologias contrárias à Palavra de Deus.
E se a Bíblia - a inerrante e infalível Palavra de
Deus - não for um livro de fábulas, veremos que:
a. A oração de um justo pode
muito em sua eficácia (Tiago 5:16).
b. Determinadas fortalezas
espirituais e malignas só são quebradas com jejum e oração (Mateus 17:21).
c. Se buscarmos, acharemos; se
invocarmos o Senhor com sinceridade de coração, Ele nos ouvirá (Jeremias
29:12-13).
d. O peso da verdadeira
comunhão com o Senhor não está em vermos nossas vontades satisfeitas, mas no
sublime prazer de vermos a Vontade de Deus realizada, o que nos concede
paz consoladora, mesmo que, porventura, um "Nabucodonosor" seja
levantado como instrumento de juízo divino sobre a nossa nação.
Voltando ao episódio de Ezequias, veremos que, após
ter sua morte decretada, a misericórdia de Deus derramada e seus anos de vida
acrescentados, o rei colheu as amargas consequências de sua própria insensatez
e soberba (Isaías 39). Como observa Matthew Henry em seu Commentary
on the Whole Bible:
"O orgulho do coração humano é sutil, e mesmo
após grandes livramentos divinos, tendemos a roubar a glória que pertence
somente ao Altíssimo, atraindo sobre nós e sobre as devidas e severas correções
divinas."
Viver este processo é compreender que Deus
disciplina aqueles a quem ama. Portanto, ao andarmos rumo às urnas,
lembremo-nos de que o ato de votar atua como um espelho de nosso caráter e
de nossa fidelidade ao Senhor, independentemente de quem seja o eleito,
pois o trono dos céus permanece inviolável e soberano sobre os reinos da terra.
Para fundamentar teologicamente sobre a soberania
de Deus nas eleições, o juízo histórico e a atitude do cristão, destacamos as
seguintes falas:
João Calvino - Institutas da Religião
Cristã (Livro IV,
Capítulo 20: "Do Governo Civil"): argumenta que “os magistrados e governantes
são ordenados por Deus, e que a escolha de líderes, mesmo em contextos de juízo
ou misericórdia, está sob o decreto absoluto da Providência Divina. O voto e a
participação civil devem ser exercidos com temor a Deus, sabendo que a desordem
política muitas vezes reflete o juízo de Deus sobre uma sociedade rebelde”.
Matthew Henry - Comentário Bíblico de
Matthew Henry (Comentário sobre Isaías 39 e 2 Crônicas 32): Ao
analisar a queda de Ezequias no orgulho após a cura, Henry enfatiza que “os
corações humanos são propensos à autossuficiência. Na política e na vida
pública, o crente reformado jamais deve depositar sua confiança absoluta em
príncipes ou sistemas terrenos, mas reconhecer que Deus usa governantes tanto
para abençoar quanto para disciplinar as nações”.
Abraham Kuyper - Calvinismo
(Conferências de Stone, 1898 - Conferência sobre Política): "Não há um
centímetro quadrado em todo o domínio da nossa existência humana sobre o qual
Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: 'É meu!'." Aplicado ao
texto, isso significa que a política, as eleições e o voto não são neutros;
eles pertencem ao senhorio de Cristo, exigindo do cristão discernimento contra
cosmovisões seculares e destruidoras da dignidade humana.
Concluindo: Que esta meditação nos lembre que a nossa
esperança final não repousa em urnas ou governos humanos, mas na soberania daquele
que remove reis e estabelece reis, sustentando a sua Igreja em qualquer cenário
histórico.