JOÃO 13:35
Nisto conhecerão todos
que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros
O amor é a grande
marca que nos identifica como seguidores de Cristo. Ele teve início em Deus,
que nos amou primeiro e nos revelou o sentido máximo do sacrifício e da
entrega. Quando entendemos essa dimensão, percebemos que fomos alcançados para
nos tornarmos testemunhas desse amor.
O amor cristão deve
transpor as paredes do lar, indo além do conforto de amar apenas os mais
próximos. O exemplo supremo é o de Jesus, que se envolveu com pecadores e
perdoou nossas culpas quando éramos indignos. Esse padrão divino é inegociável.
O verdadeiro rompimento de barreiras acontece quando entendemos a Graça.
Purificados por Deus, recebemos a missão de estender esse Amor ao próximo,
gerando discípulos e transmitindo tudo o que Ele nos confiou.
Nossa missão é
gerar discípulos, e sendo imitadores do Mestre que ordenou esta tarefa. Um amor
que muitas vezes vai doer, como as feridas que Ele suportou.
Essa prática vai
muito além de abraços e palavras doces. Ela exige perdão genuíno e a anulação
de dívidas emocionais. Devemos amar o próximo exatamente da maneira como fomos
amados por Deus. Esta é a chave, este é o motivo e esta é a solução. A mão que
se doa, é a mesma que sangrou. Ame de tal maneira que a sua vida reflita alguém
transformado pela Graça.
Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua,
mas de fato e de verdade.
Somos seres carentes por natureza. Ao estudarmos a Palavra, vemos
inúmeras manifestações desse sentimento, especialmente em pessoas que buscam a
Deus em suas lutas, solidão e necessidades, mas que raramente são recíprocas no
seu amor ao Senhor.
Com o passar dos tempos, cumprindo-se a profecia de Jesus de que o “amor
de muitos se esfriaria” (Mt 24:12), notamos que precisamos labutar na
perseverança e na obediência do amar. Amar não é tarefa simples, pois há um
abismo entre os seres humanos, que sempre exigem retorno por sua dedicação.
Entre as demandas do “amor ao próximo” (Mt 22:39), surge a
pergunta no tempo de Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). A
resposta, na Parábola do Bom Samaritano, vai além da religiosidade aparente.
Muitas vezes, tentamos identificar um cristão por costumes, roupas ou
linguagem. Contudo, Jesus é claro: a marca de um discípulo não é o que ele
fala, mas como ele ama, liberando seu coração para uma entrega plena.
Quando olhamos para Jesus, que se doou até a morte, compreendemos o
princípio da “negação de nós mesmos” (Lc 9:23). Não precisamos temer o
amor sacrificial, mesmo que exija dor e o perdão diário, pois toda a lei se
cumpre nisto: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14). Ame sem
medo.
JOÃO 21:15
Simão, filho de João,
amas-me mais do que estes outros?
Apenas
descobriremos o peso de um chamado para ser de Cristo, quando a opressão ímpia
estiver sobre nós. Vendo a carreira de Pedro, o apóstolo, entenderemos o dizer
de Cristo, alertando-o sobre as possíveis dores do apostolado, do ser
testemunha do Senhor.
Após evidente
queda, na sua negação, dando a si mesmo o consentimento de negar o Mestre,
agora se deparava com um teste para seu papel na história da igreja: pastorear
o rebanho de Deus.
Nero, pelos anos 60
de nossa era, causou dano terrível aos seguidores de Cristo, lançando muitos
servos às dores mais profundas e a perdas mais absurdas, como foi com Pedro, e
olha que se tratava do que negou - tudo passava pelo ensino e exortações do Bom
Mestre Jesus.
E sob a pergunta,
"tu me amas, Pedro?", emergia também o tipo de um homem, mesmo
em suas falhas, que seria alguém relevante para o Cristianismo - e foi!
Mas sob a tensão da
perseguição, morte, negação de si mesmo, agora pretendia caminhar diante da
cruz, que era seu vínculo real com o Salvador.
Seguir a Cristo
significa estar disposto a ir até mesmo para onde não quer (como Jesus descreve
a velhice e a prisão no versículo 18). O discipulado cristão autêntico carrega
a cruz. Precisamos resgatar o sentimento que Jesus quis implantar no coração de
Pedro: “apascenta minhas ovelhas”, se me amas de fato.