Os tempos estão se acelerando
E, como que por encanto,
Percebo o desgaste amparando
Os ponteiros dançando em espanto.
Rego as flores através dos dias,
Mesmo sabendo que ventos sonantes
Venham acabar com estas manias
De fazer das vidas meras ambulantes.
Acelero encantamentos, sob espantos,
E nesta ignomínia linguística,
Varro os relógios e as ampulhetas.
Para que tais sustos não virem muletas
Onde o medo confronta os corajosos,
Ao dar ao tempo o valor de seus despojos.