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sábado, 9 de maio de 2026

"Consummatum est"

[156]


Um dia de misturas

O Céu que cumpre sua vontade

E o Filho de Deus em agonia,

Sem poder atestar que sua alegria

Era maior que aquela dor exposta.


Alvorada de dor,

Simples ato de profundo amor,

Lugar de vistas trevas,

Local de esferas celestes

Em cantos de "está consumado".


Eis a sombra da cruz,

Vereda citada por Cristo

Para que, no meio de tudo isto,

Moisés e a Lei se efetivem

Em total profundidade.


Homem de dores e que sabia do sofrer,

Homem desnudo que experimentou o moer,

Homem do Céu que soube bem

Como amar a todo alguém,

Ainda que desprezado tenha sido.


Línguas pelas quais brigam os homens

Agora não mais em Babel;

Um Pentecostes de paixão

Para almas perdidas mudarem o coração.


De um trino excelso e belo,

Soberano em vontade,

Estava ali o Filho de Deus,

Entregue a uma corrente sem o elo,

Mas que ligaria povos ao Eterno.


Não houve erro de cálculo,

Tampouco plano segundo,

Pois a Salvação deste mundo

Era certa, ainda que um absurdo

Pela máscara de ódio em cada pessoa.


Não há como retribuir a Graça,

Mas impera que se faça

A imitação deste perfeito Mestre,

Que tão docemente se entregou

Porque a tantos Ele amou.


Desta agonia, agonizante face,

Tiram-se lições de vida,

Seja o poeta quem a trace

Por bela poesia,

Um momento que abrace.


Eis o mundo,

Servo do pecado tão profundo,

Mas alvo de um presente

Que pode mudar

A mente de toda essa gente.


A marca do cravo

Para um povo que é escravo

Mas que liberto está

Pelo aroma da lápide solta

Numa pedra que rolou,

O corpo que já ressuscitou.


"Consummatum est".