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Um dia de misturas
O Céu que cumpre sua vontade
E o Filho de Deus em agonia,
Sem poder atestar que sua alegria
Era maior que aquela dor exposta.
Alvorada de dor,
Simples ato de profundo amor,
Lugar de vistas trevas,
Local de esferas celestes
Em cantos de "está consumado".
Eis a sombra da cruz,
Vereda citada por Cristo
Para que, no meio de tudo isto,
Moisés e a Lei se efetivem
Em total profundidade.
Homem de dores e que sabia do sofrer,
Homem desnudo que experimentou o moer,
Homem do Céu que soube bem
Como amar a todo alguém,
Ainda que desprezado tenha sido.
Línguas pelas quais brigam os homens
Agora não mais em Babel;
Um Pentecostes de paixão
Para almas perdidas mudarem o coração.
De um trino excelso e belo,
Soberano em vontade,
Estava ali o Filho de Deus,
Entregue a uma corrente sem o elo,
Mas que ligaria povos ao Eterno.
Não houve erro de cálculo,
Tampouco plano segundo,
Pois a Salvação deste mundo
Era certa, ainda que um absurdo
Pela máscara de ódio em cada pessoa.
Não há como retribuir a Graça,
Mas impera que se faça
A imitação deste perfeito Mestre,
Que tão docemente se entregou
Porque a tantos Ele amou.
Desta agonia, agonizante face,
Tiram-se lições de vida,
Seja o poeta quem a trace
Por bela poesia,
Um momento que abrace.
Eis o mundo,
Servo do pecado tão profundo,
Mas alvo de um presente
Que pode mudar
A mente de toda essa gente.
A marca do cravo
Para um povo que é escravo
Mas que liberto está
Pelo aroma da lápide solta
Numa pedra que rolou,
O corpo que já ressuscitou.
"Consummatum est".
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