Pesquisar este blog

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SALMO 37:28

SALMO 37:28

Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos; serão preservados para sempre

Ao me deparar com um texto assim, fico a pensar, por que razão sofrem tanto os que tentam ser fieis ao Senhor, e por que massacram tanto aqueles que desejam se fazer testemunhas da Vida e do Amor.

Então no mesmo Salmo, Ele me responde: “confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade”. E não se dando por satisfeito, o salmista ainda traz mais palavras que nos confortam, nos alegram e nos fazem perseverar nesta empreitada que chamamos de vida: “agrada-te do Senhor”, “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará”, “fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia”, “descansa no Senhor e espera nele”, “os justos, o Senhor os sustém”, “o Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz”, “se cair, não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão”, “jamais vi o justo desamparado”.

Mais do que tentar vociferar ânimo, está o Salmista mostrando a realidade de nosso Deus e Pai, que é como “a nossa sombra à nossa direita” (121:5) - jamais se desgruda. E como é bom saber disso. Muito bom.

Servir a Deus, ser chamado pelo seu Nome, rebanho do seu pastoreio, propriedade exclusiva Dele... e a razão é esta: “no coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão”. Faça do Senhor a razão de seu viver.

Pastor Carlos Puck


1 TESSALONICENSES 5:9

1 TESSALONICENSES 5:9

porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo

Paulo, em sua escatologia, é direto, com voz profética e clara, sem desperdiçar palavras: “relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva” (1 Ts 5:1). Sua objetividade tem razão de ser diante no contexto de perseguição e dor em que a comunidade vivia.

Embora na carta aos Romanos ele afirme que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade” (Rm 1:18), aqui o apóstolo caminha em outra direção. Ele destaca que Deus não nos destinou à sua ira - destino este reservado àqueles que rejeitam as coisas do Reino e persistem na desobediência.

Para ilustrar essa postura de vigilância, Paulo reúne conselhos práticos e advertências: "o Dia do Senhor vem como ladrão de noite" (5:2); e “quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (5:3). Em contrapartida, orienta “os crentes a viverem em união com Cristo” (5:10), a “edificarem-se reciprocamente” (5:11), a “orarem sem cessar” (5:17) e a “não apagarem o Espírito” (5:19).

Ao conectar esses versículos, percebe-se um sentido impressionante, análogo às parábolas de Jesus sobre a vigilância. Precisamos estar atentos ao Dia do Senhor; o tempo urge.

Não desprezemos as profecias” (1 Ts 5:20).


terça-feira, 11 de agosto de 2026

SALMO 143:8

SALMO 143:8

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma


Externar a satisfação e a dependência total do Senhor não é fraqueza, mas adoração. Ele nos criou para sua glória e para sabermos que, ao partirmos, retornamos a Ele, que nos fez e de quem somos. Logo, quando nos entregamos a esse sentimento de cuidado divino, estamos cumprindo o propósito de confiança na sua soberania e providência.


Para isso, devemos nos despir de toda vaidade e arrogância, e da ilusão de que o Senhor não se importa conosco ou de que nossos assuntos são irrelevantes.


E como ouvir ao despertar sobre a Graça se não formos até Ele em oração e leitura da Palavra? Este momento devocional nos levará a um tempo de refazer nossos pensamentos, sentimentos e a visão do que devemos fazer no dia que se inicia.


Pedir a direção não deve reforçar a ideia errada de que Deus faz a parte dele e nós a nossa. Se temos um Deus que nos dá direção, nada melhor do que conhecê-la para, ao final do dia, termos a certeza de dever cumprido. Uma vez posta diante do Senhor nossa confiança e certeza, podemos orar ainda: “sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23,24).


Carlos Puck

*Nunca fui eu, sempre foi Ele.

domingo, 9 de agosto de 2026

JOÃO 13:35 - 1 JOÃO 3:18 - JOÃO 21:15

JOÃO 13:35

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros

O amor é a grande marca que nos identifica como seguidores de Cristo. Ele teve início em Deus, que nos amou primeiro e nos revelou o sentido máximo do sacrifício e da entrega. Quando entendemos essa dimensão, percebemos que fomos alcançados para nos tornarmos testemunhas desse amor.

O amor cristão deve transpor as paredes do lar, indo além do conforto de amar apenas os mais próximos. O exemplo supremo é o de Jesus, que se envolveu com pecadores e perdoou nossas culpas quando éramos indignos. Esse padrão divino é inegociável. O verdadeiro rompimento de barreiras acontece quando entendemos a Graça. Purificados por Deus, recebemos a missão de estender esse Amor ao próximo, gerando discípulos e transmitindo tudo o que Ele nos confiou.

Nossa missão é gerar discípulos, e sendo imitadores do Mestre que ordenou esta tarefa. Um amor que muitas vezes vai doer, como as feridas que Ele suportou.

Essa prática vai muito além de abraços e palavras doces. Ela exige perdão genuíno e a anulação de dívidas emocionais. Devemos amar o próximo exatamente da maneira como fomos amados por Deus. Esta é a chave, este é o motivo e esta é a solução. A mão que se doa, é a mesma que sangrou. Ame de tal maneira que a sua vida reflita alguém transformado pela Graça.

1 JOÃO 3:18

Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.

Somos seres carentes por natureza. Ao estudarmos a Palavra, vemos inúmeras manifestações desse sentimento, especialmente em pessoas que buscam a Deus em suas lutas, solidão e necessidades, mas que raramente são recíprocas no seu amor ao Senhor.

Com o passar dos tempos, cumprindo-se a profecia de Jesus de que o “amor de muitos se esfriaria” (Mt 24:12), notamos que precisamos labutar na perseverança e na obediência do amar. Amar não é tarefa simples, pois há um abismo entre os seres humanos, que sempre exigem retorno por sua dedicação.

Entre as demandas do “amor ao próximo” (Mt 22:39), surge a pergunta no tempo de Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10:29). A resposta, na Parábola do Bom Samaritano, vai além da religiosidade aparente.

Muitas vezes, tentamos identificar um cristão por costumes, roupas ou linguagem. Contudo, Jesus é claro: a marca de um discípulo não é o que ele fala, mas como ele ama, liberando seu coração para uma entrega plena.

Quando olhamos para Jesus, que se doou até a morte, compreendemos o princípio da “negação de nós mesmos” (Lc 9:23). Não precisamos temer o amor sacrificial, mesmo que exija dor e o perdão diário, pois toda a lei se cumpre nisto: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14). Ame sem medo.

JOÃO 21:15

Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?

Apenas descobriremos o peso de um chamado para ser de Cristo, quando a opressão ímpia estiver sobre nós. Vendo a carreira de Pedro, o apóstolo, entenderemos o dizer de Cristo, alertando-o sobre as possíveis dores do apostolado, do ser testemunha do Senhor.

Após evidente queda, na sua negação, dando a si mesmo o consentimento de negar o Mestre, agora se deparava com um teste para seu papel na história da igreja: pastorear o rebanho de Deus.

Nero, pelos anos 60 de nossa era, causou dano terrível aos seguidores de Cristo, lançando muitos servos às dores mais profundas e a perdas mais absurdas, como foi com Pedro, e olha que se tratava do que negou - tudo passava pelo ensino e exortações do Bom Mestre Jesus.

E sob a pergunta, "tu me amas, Pedro?", emergia também o tipo de um homem, mesmo em suas falhas, que seria alguém relevante para o Cristianismo - e foi!

Mas sob a tensão da perseguição, morte, negação de si mesmo, agora pretendia caminhar diante da cruz, que era seu vínculo real com o Salvador.

Seguir a Cristo significa estar disposto a ir até mesmo para onde não quer (como Jesus descreve a velhice e a prisão no versículo 18). O discipulado cristão autêntico carrega a cruz. Precisamos resgatar o sentimento que Jesus quis implantar no coração de Pedro: “apascenta minhas ovelhas”, se me amas de fato.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SALMO 100:3

SALMO 100:3

Sabei que o Senhor é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio

Muitos teimam em negar a criação divina e a mão criativa de Deus sobre todas as coisas. Como é infeliz o ser que rejeita tamanha presença. Ao contemplar os Escritos Sagrados - seja nos Salmos 19, 100 ou 139 -, percebe-se que, sem essa perspectiva, a existência humana torna-se vazia, por mais que alguns insistam em negá-la. E como é bom conhecer um Ser tão supremo e ter intimidade com Ele.

Estudando o propósito de Deus em tudo o que Ele fez e sua admiração pelas obras de suas próprias mãos, é impossível não amadurecer na fé. Nutrimos a esperança de um dia vivermos com nosso Criador, que nos acolhe como filhos por intermédio de Jesus - Nosso Deus Criador e criativo nos dá sentido para viver.

É maravilhoso crer que fomos criados por Ele, tornados filhos e que aguardamos a plenitude dos tempos para vê-lo face a face. Ser “povo de Deus” e “rebanho do seu pastoreio” é deleitar-se nas profundezas do amor e num oceano de perdão. É viver cheio do Espírito e, como Davi, contar com Ele nos vales mais sombrios, onde nos guia com segurança pelas águas tranquilas.

Deus é nossa bonança e nosso repouso em tempos agitados. Aquele que tudo criou é também quem nos sustenta com fidelidade inabalável. Quando vejo Paulo, um judeu se convertendo a Cristo, e logo expressando sua poesia, consigo entender que força tem o Senhor do Universo, que “viu que tudo que fizera, era muito bom”. “A Ele seja a Glória eternamente” (RM 11:36).

John Flavel, em sua clássica obra A Providência, destaca que “as mãos que moldaram o universo são as mesmas que sustentam os seus filhos nos mínimos detalhes”. João Calvino em suas Institutas (Vol I), “o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo estão intrinsecamente ligados: não conhecemos quem somos até contemplarmos a Majestade do Criador”. Herman Bavinck lembra que “a verdadeira paz reside na dependência da Aliança de Deus”.

E J. I. Packer (O Conhecimento de Deus) argumenta que “ignorar a mão criativa de Deus é a maior insensatez que o ser humano pode cometer. Para ele, o mundo não é um acidente mecânico; ele pertence a Deus e é governado por Ele. Negar a criação divina significa arrancar o sentido da própria existência, pois o homem foi moldado com a finalidade específica de conhecer, glorificar e desfrutar do seu Criador. Para Packer, conhecer a Deus não é acumular dados teóricos, mas maravilhar-se com o fato de que o Criador do cosmos condescendeu em se tornar o nosso Pai redentor por meio de Cristo”.

Pastor Carlos Puck


domingo, 2 de agosto de 2026

GÁLATAS 5:24,25

GÁLATAS 5:24,25

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito

O ser humano é bem complicado mesmo. Gosta de legalismos infindos. Tem a liberdade dada por Jesus, mas abre mão dela para buscar o jugo da Lei. E, neste contexto, Paulo vem exortar os gálatas... e os chama de “insensatos” (3:1), lhes pergunta “se foi pela Lei que receberam o Espírito ou por Cristo e sua Palavra” (3:2) e completa dizendo que “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (3:5).

Onde reside a insensatez? Tendo sido salvos pela Graça, cuja justiça vem de Cristo, agora querem se justificar pela Lei, os famosos judaizantes penetrando no Corpo e instigando os crentes a buscarem viver sob as obras da carne/Lei - Igrejas estão voltando a Moisés.

Mostra-nos: “…Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei…” (4:4b, 5a), “…porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (4:6b). Teimamos em “…sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos…” (4:9). O que buscamos, afinal de contas?

Se Cristo é o tabernáculo entre nós, o sacerdote e o sacrifício, o que mais precisamos? Tornamos a sua presença aqui inutilizada, pois ficamos brincando de tocar chofares, colocar arcas como amuletos, falar e desejar festejar as festas judaicas que apontavam para Cristo. Estudar. Aprender é uma coisa, mas trazer tais rudimentos é o que Paulo chamará de insensatez. A Lei deve apontar para o pecado, e nos conduzir ao Senhor Jesus. Nada mais. Então, como os Gálatas, cessemos de retornos inúteis e nos lancemos no que é útil para nossa fé.

Paulo ensina sobre os frutos do Espírito (5:22), e traduza: “mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (5:18) e “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (5:25).

Gostamos deste legalismo por ser a vida de aparência, mas em nada poderá competir com a Graça, favor imerecido, que projeta todo mérito a Jesus.