Isaías 55:8-9
Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos”, declara o Senhor. “Como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos.
Teus pensamentos são mais altos que os meus...
(A) Leva-me à total confiança.
(B) Leva-me à total subordinação.
(C) Leva-me à total tranquilidade para viver.
Ele tem pleno conhecimento de todas as eras e vidas; tudo o que cruzar o meu caminho terá um propósito além do que eu possa ver.
O verso que ecoa no Novo Testamento é dito por Paulo: “todas as coisas cooperam para o bem” (Romanos 8:28), trazido por Salomão quando diz que “há tempo e propósito para todas as coisas debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1), sempre corroborando a soberania divina.
A Transcendência e a Soberania de Deus
Este texto toca nos pilares mais profundos da fé reformada: a Soberania Absoluta de Deus, a Incompreensibilidade Divina e a Providência. Quando João Calvino e outros reformadores olhavam para a Escritura, eles viam um Deus que não apenas assiste à história, mas que a governa ativamente até nos mínimos detalhes.
Isto desdobra-se nas três vertentes:
1. Total Confiança (A Providência Divina)
A tradição reformada não crê em "sorte", "azar" ou "coincidência". Como você bem pontuou citando Paulo em Romanos 8:28, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
Confiar que os pensamentos de Deus são mais altos significa descansar no fato de que o decreto de Deus é sábio e bom.
Mesmo quando o cenário atual parece caótico (o "caminho" que não entendemos), o reformado confia porque sabe que o Deus que decreta o fim também decreta os meios, e Ele nunca falha. "Seja feita tua vontade" não é dar direitos ao Senhor, mas declarar para mim mesmo que Ele tem cuidado de tudo.
2. Total Subordinação (A Incompreensibilidade e o Respeito ao Decreto)
A distância entre os pensamentos de Deus e os nossos é comparada à distância entre o céu e a terra.
Chamamos isso de transcendência e incompreensibilidade de Deus.
Não significa que não podemos conhecê-Lo, mas sim que não podemos conhecê-Lo totalmente (exaustivamente).
Diante de um Deus cuja mente é infinitamente superior, a única postura lógica e piedosa é a subordinação (submissão).
O Catecismo Maior de Westminster nos lembra que o fim principal do homem é "glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre".
Submeter-se aos caminhos d'Ele, mesmo sem entendê-los, é o ápice da adoração cristã. É calar a nossa lógica humana perante a soberana vontade do Criador.
3. Total Tranquilidade para Viver (O Descanso na Soberania)
Tal tranquilidade se conecta perfeitamente com o conceito puritano e reformado de contentamento espiritual.
Se Deus tem o controle de todas as eras e vidas (Onisciência e Eternidade), o crente não precisa viver ansioso.
Como diz a primeira pergunta do Catecismo de Heidelberg: "Qual é o seu único consolo, na vida e na morte? Que eu... pertenço de corpo e alma ao meu fiel Salvador Jesus Cristo... e que ele me protege de tal maneira que, sem a vontade de meu Pai celeste, nem um fio de cabelo pode cair da minha cabeça; sim, todas as coisas devem servir para a minha salvação."
Saber que Salomão estava certo em Eclesiastes 3:1 - "que há um tempo determinado para tudo" - nos tira o peso de tentar controlar o futuro.
O controle é d'Ele; a nós, cabe a fidelidade no presente.
Resume-se perfeitamente o pensamento do cristão: porque Deus é supremamente soberano (Isaías, Paulo, Salomão), a nossa alma pode finalmente repousar em paz, sabendo que a história não está à deriva, mas sendo conduzida pelo Deus cuja glória e sabedoria são insondáveis.
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