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domingo, 26 de abril de 2026

FUNDAMENTOS DA NOSSA FÉ: UM GUIA PARA O SERVIÇO E EDIFICAÇÃO

 Fundamentos da Nossa Fé: Um Guia para o Serviço e Edificação

Em tempos de tamanha confusão doutrinária, é imperativo que saibamos exatamente onde pisamos. Não podemos permitir que ideologias externas se sobreponham ao que é central em nossa caminhada. Nossa regra inegociável de fé e prática é a Bíblia Sagrada; nela firmamos nossa convicção.

Entretanto, além de indivíduos fundamentados na Palavra, somos parte integrante do Corpo de Cristo. Como Igreja do Senhor, seguimos um conjunto de doutrinas extraídas diretamente das Escrituras. Absolutamente nada em nossos manuais carece de fundamentação bíblica, pois zelamos pela advertência do apóstolo Paulo:

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema." (Gálatas 1:8 – ARA)

Esta apostila não pretende ser um compêndio teológico exaustivo. Trata-se de uma seleção de temas que, em minha percepção pastoral, são vitais para o amadurecimento de cada membro desta igreja local. Se você se dispõe a ler e aprender, Deus seja louvado.

Lembre-se: cada um recebeu dons com o propósito de aperfeiçoar os santos e promover o crescimento mútuo. Árvores que não produzem frutos são cortadas e lançadas ao fogo. Servir no Reino é compreender que a Noiva de Cristo aguarda o retorno do Noivo e, naquele dia, prestará contas a Ele.

Portanto, prepare-se: sirva e ame a Igreja do Senhor. É nela que encontramos força, ferramentas e treinamento para avançarmos rumo ao mundo e fazermos discípulos de todas as nações.

Minha gratidão ao Senhor pelas vidas que colaboraram com esta proposta.

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João 1.12 – Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.

 

Pecado e Castigo

Todas as pessoas, por causa dos atos de Adão, se tornaram pecadoras, sem haver a menor chance de salvação sem um ato de Deus.

Segundo as palavras do Salmo 51.5:

Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.

Os homens herdaram a condenação e a culpa pelo pecado.

Definindo pecado, chegamos à conclusão que é toda falta de conformidade com a Palavra de Deus, a Bíblia. Deus nos deixou uma Lei, uma regra de fé e prática. Esta Lei nos serve de guia para andarmos nesta vida. Tem em sua base o errar o alvo, que na verdade é seguir a vontade de Deus.

O fato é que o homem se afastou de Deus, embora tenha sido criado para glorificar a Deus e louvá-lo para sempre. O pecado reflete bem o que tem no coração humano: egoísmo, vaidade e amor a si próprio.

Deus age severamente contra o pecado. Pois o pecado ofende a sua santidade. E é bom que se saiba que o pecado nos separa de Deus. E leva ao inferno. O sofrimento eterno é o afastamento eterno de Deus, onde toda sorte de dores e gemidos surgirão e não terão fim. Pode ser conhecido como:

- Fogo eterno (Mateus 18.8): Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.

- Castigo eterno (Mateus 25.46): E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.

Todos pecaram e não há um justo sequer (Romanos 3.10-12):

Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.

 

 

Depravação Total

Tanto por causa do pecado original, como pelos seus próprios atos pecaminosos, toda a humanidade, exceto Cristo, em seu estado natural é inteiramente corrupta e completamente má, ela é restringida de manifestar a sua corrupção em plenitude por causa da instrumentalidade da graça comum de Deus. Em conformidade com a sua natureza, ela é completamente incapaz de salvar a si mesma.[1]

 

Defina pecado segundo estas passagens: Tiago 4.17:

Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.

Romanos 14.23:

Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Salmos 51.4:

Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.

 I João 3.4:

Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.

 

Pense se de fato você tem pecado e se de fato é um pecador.

Segundo Romanos 6.23, qual o salário do pecado?

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

 

De quem foi a iniciativa para solucionar o problema de pecado?

A solução

Deus sempre esteve no controle de todas as coisas. Então, já com planos de não deixar que o diabo os frustrasse, envia alguém para sanar esta problemática toda do pecado.

Tudo o que Adão desperdiçou, estragou no passado, Deus corrige com o envio de seu filho único, Jesus Cristo. Jesus em momento algum experimentou o pecado, mesmo sendo tentado por Satanás. Esta é a grande vitória de Jesus sobre o diabo, pois todas as suas propostas foram esmagadas pelo descendente de Adão, aquele prometido em Gênesis 3.15:

E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

O Santo, sem pecado. Somente nele e por Ele poderia a humanidade corrigir sua caminhada rumo ao céu. Sem Ele não haveria salvação.

Em João 3.16: Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

e Romanos 5.8: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Deus resolve o problema do pecado. A injustiça exigia um reparo. Alguém precisava pagar pelo erro cometido por Adão e consequentemente por nós. Pois herdamos a condenação.

Tiago 2.10 diz: Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.

 

Que o homem não podia salvar-se tendo providenciado um Salvador: seu filho Jesus.

Gálatas 4.4 (vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei) nos dá esta idéia completa.

Entendemos assim: de um lado o PAI que dá seu filho para nos substituir; do outro lado está o FILHO que se humilha, encarnando-se, derramando seu sangue em nosso lugar –

Romanos 5.8: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

 João 10.17-18: Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.

Desde o Antigo Testamento observamos esta promessa de uma correção do homem. Interessante ainda saber que depois de Jesus ter ressuscitado dos mortos, ou seja, Ele está vivo ainda e até a eternidade, cumpre-se ali o que Isaías referiu-se no capítulo 53.5:

Isaías 53.5: Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

 

O que então pode significar a Salvação?

Eleição Incondicional

Antes da criação do mundo, em sua simples e livre graça e amor, Deus elegeu a muitos pecadores para uma completa e final salvação, contudo, sem prever a fé ou as boas obras, ou qualquer outra coisa que lhes servisse de condição ou causa, que movesse Deus a escolhê-los. Que seja afirmado: a base da eleição não estava neles, mas em Si mesmo (Deus).

 

Expiação Limitada

Cristo morreu eficazmente, o que é verdadeira salvação somente para o eleito, apesar da infinita suficiência de sua expiação e o divino chamamento a todos ao arrependimento e confiança em Cristo, prover a garantia para a proclamação do evangelho a todos os homens. Eu pessoalmente prefiro os termos “expiação definitiva”, “expiação particular”, ou “expiação eficaz”, em vez de “expiação limitada”, tanto por causa de uma possível confusão da palavra “limitada”, como também, por causa de todo “limite” evangélico que a expiação possa ter em seu desígnio (o Calvinista), ou em seu poder de aplicar o seu propósito (o Arminiano). [2]

 

Necessidade da salvação:

Romanos 3.23

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus...

Ser salvo é receber de Deus o direito de ir morar no céu quando o Senhor Jesus voltar para buscar o seu povo. Segundo Filipenses 1.21-23: Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.

Em I Coríntios 15.19 diz o seguinte: se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

Bem, para muitos, viver esta experiência da salvação está atrelada a uma vida sem problemas. Isto é engano e mentira do diabo, pois a Palavra de Deus nos dá a nítida clareza de percebermos que no mundo teremos aflição. Certamente em Jesus temos a vitória sobre tudo. Temos a certeza de que os planos dele não serão frustrados. Que Ele não nos dá peso ou carga maior do que podemos suportar.

Mas uma idéia importante acerca desta realidade é saber que o homem não pode e nunca poderá salvar-se a si mesmo. A Salvação é dádiva de Deus. Cristo é o substituto perante a justiça divina, entregando-se à morte e à vergonha na cruz, derramando ali o seu inocente sangue para nos remir dos pecados. Qualquer doutrina ou filosofia que pregue ou ensine doutrina contrária a esta não vem da Palavra de Deus. Veja o que a Bíblia diz:

I Coríntios 15.3-4

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

I João 1.7

Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.

Por meio deste sacrifício de Jesus somos reconciliados com Deus e salvos.

Os passos para a salvação e que eram palavras pregadas nos tempos de Jesus eram de arrependimento dos pecados, ou seja, dar uma guinada na vida, um giro completo na direção que se seguia e tomar o caminho que o Senhor nos ordenou. Muda o comporta-mento, muda a vida, as ações, os pensamentos, a conduta na sociedade, o falar. É só lembrar-se da história do filho pródigo que a Bíblia narra em Lucas 15.

Não pode um ser humano que se sente salvo continuar arrogante, supondo ele que pode salvar-se ou que tem algum mérito para tal. A arrogância deve ser demolida no momento em que a Graça de Deus o alcança.

E é bom que se saiba que o pensamento é que a Graça de Deus é irresistível. Que nenhum ser humano resiste ao alcance do Amor Divino, que ninguém ao ser tocado pelo Espírito Santo poderá dizer que não o quer. Claro, sempre lembrando que não é no momento em que eu prego, mas trata-se aqui não de uma exposição bíblica, mas da ação do Senhor Espírito Santo. Portanto, destitui-se do homem qualquer mérito pelo ato da salvação.

 

Graça Irresistível

Esta doutrina não significa que o não-eleito encontrará a graça irresistível de Deus, mas sim, que a graça salvadora de Deus não se estende igualmente a ele. Nem mesmo significa que o eleito encontrará a irresistível graça salvadora de Deus, desde o início se estendendo a ele, como se o eleito pudesse resistir a sua oferta por um período. O que ela significa é que o eleito é incapaz de resistir continuamente a graciosa oferta de Deus. No tempo designado, Deus atrai o eleito, um por um, a si mesmo, removendo a sua hostilidade e oposição a Ele e seu Cristo, produzindo o desejo de receber o seu Filho. [3]

Saiba-se, de antemão, que a fé vem pelo anunciar a Palavra de Deus. Ouvir a Palavra é requisito essencial para a salvação.

Romanos 10.17: E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.

Em outra tradução:

De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.

Se você ainda acha que tendo uma vida certinha, reta, sem roubar, não cometendo aqueles pecados capitais e que se assim andar poderá alcançar os benefícios de Cristo... Deixe-me esclarecer: jamais! Ore o quanto quiser, mas a salvação é ato da Graça Divina.

Pense que nem todos que estão à sua volta, dentro do ambiente da igreja, foram alcançados por esta “maravilhosa Graça”. Em Efésios 2.8-9, podemos entender um pouco mais do que Deus nos quer ensinar:

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

O que faz o homem proclamar as boas novas do Evangelho é a segurança que este tem de sua salvação. Absoluta certeza. Deus nos perdoa os pecados, nos faz novas criaturas para que venhamos a dar frutos para sua glória. O que fizemos no passado deus apaga completamente. Esta é a segurança que somente os salvos podem ter. Segundo o apóstolo Paulo, em Romanos 8.1:

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

 

E Jeremias 31.34:

Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.

Temos que dar graças a Deus porque Ele mesmo nos dá a segurança de que se estivermos nele, jamais pereceremos. Veja o que João 6.37 diz:

Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Imagine você se Deus não conseguisse assegurar esta promessa ao salvo por Jesus. Ele não seria Deus. O que nos dá a esta segurança é o que chamamos perseverança dos Santos.

 

Perseverança dos Santos

O eleito está eternamente seguro em Cristo, que preserva para Si mesmo, capacitando-lhe a perseverar nEle até o fim. Aqueles que professam ser cristãos, e se apostatam da fé (I Timóteo 4.1), são como João disse: “eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (I João 2.19). [4]

 

Veja os textos citados acima:

I Timóteo 4.1: Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,

I João 2.19: Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.

Depois de uma abordagem sobre o pecado, salvação, dos meios utilizados para que fôssemos alcançados pelo Senhor, vamos diferenciar mais dois termos usados pela Palavra: Justificação e regeneração.

 

1. O que vem a ser a justificação pela fé?

É o ato jurídico de Deus pelo qual Ele declara o pecador justo á base da perfeita retidão de Cristo Jesus, conforme os textos que seguem:

Romanos 5.8-9:

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Não é um ato ou processo de renovação. Não afeta a condição, mas o estado do pecador. No tribunal divino, a Justificação remove a culpa do pecado e restaura o pecador. O autor é Deus. Acontece uma só vez. É atribuída ao Pai e livra o homem, de uma vez, da condenação do pecado.

Romanos 3.24-25:

sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

 

2. O que vem a ser a Regeneração?

É o ato de Deus pelo qual o princípio da nova vida é implantado no homem e a disposição da alma é santificada. É instantânea, irreversível, independente de meios e implica mudança moral. Lendo João 3.1-12, poderemos entender o que a Palavra diz.

Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho. Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?

Pela ação do Espírito Santo, no caminho que Jesus preparou, somos regenerados para a vida eterna. Quando o homem nasce de novo, ao receber Jesus Cristo como Salvador de sua vida, ele é feito nova criatura, nascido para ser de Deus, para suas boas obras, para a proclamação do Senhor e para ser com Deus é.

II Coríntios 5.17:

E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

I Coríntios 3.23:

e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus.

Efésios 2.10:

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

I Pedro 1.16:

Sede santos, porque eu sou santo.

Podemos ainda pensar em mais alguns termos importantes nesta caminhada. Por exemplo, distinguir o pecado da tentação.

Vejamos os dois termos. A diferença entre pecado e tentação reside no fato de que todos nós somos tentados todos os dias. Mesmo Jesus fora tentado, conforme Hebreus 4.15:

Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele (JESUS) tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

Mas a diferença é que ELE não pecou. Resistiu. Coisa que Adão não fez. Nem nós fazemos. Segundo Tiago, somos tentados pelos nossos próprios desejos.

Tiago 1.14: Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Lembre-se de que nosso livramento vem do Senhor, pois Ele nos garantiu que não nos daria tentação além de nossas forças.

O livramento vem pelo guardar a Palavra para não pecar contra Deus. Salmo 119.11:

Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.

 

Em tudo isto, podemos agora entrar num assunto muito interessante, que é a SANTIFICAÇÃO. Podemos dizer que a santificação é a purificação, consagrar ou separar. É um ato da Graça de Deus e é contínua ação do Espírito Santo pela qual o Senhor purifica o pecador da contaminação do pecado. Renova toda a sua natureza à imagem de Deus e o habilita à prática de boas obras.

Consiste numa mortificação do velho homem e na vivificação do novo homem.

Romanos 6.11:

Assim também vós vos considerai mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Hebreus 2.11:

Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos,

I Pedro 1.2:

eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.

 

 

I Coríntios 1.2:

à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

Efésios 5.26:

para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,

A santificação nunca acaba. É durante a vida inteira do ser humano alcançado por Jesus. Não se completa aqui nesta vida. Livra o homem do peso do pecado. Deve afetar o exterior (comportamento), o entendimento, a vontade, as paixões e a consciência.

Envolve a luta contra a carne e o espírito, conforme Gálatas 5.16-17:

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.

A santificação exige uma constante confissão de pecados e uma vida de oração e leitura da Palavra de Deus. Lembrar que o filho de Deus não vive na prática do pecado. Pode até tropeçar, mas não tem prazer em permanecer pecando. Logo sua consciência é incomodada pelo Espírito Santo. Ou seja, fica clara a idéia do processo contínuo da santificação.

Portanto, sem vida de oração e leitura da Palavra dificilmente uma pessoa conseguira ficar firme e não pecar. Deus nos quer santos. Dando bom testemunho. Sendo fiéis a Ele em tudo o que somos, falamos, pensamos e fazemos. Fora disso, é complicação e for Ada Lei do Senhor.

Vale a pena pensar e entender estes passos sobre a oração:

1. Deus fala comigo pela sua palavra;

2. Eu falo com Deus através da oração;

3. Preciso ter meu momento a sós com Deus;

4. Fale com Deus em detalhes. Exponha todos seus sonhos e pensamentos. Aproveite para mostrar a Ele que depende dele para tudo. Mostre sua insuficiência;

5. Deus fala com você, dando regras para seguir.

 

A Palavra de Deus

A Bíblia é nossa regra de fé e prática.

Aprendemos e damos graças a Deus porque temos acesso à sua Palavra Sagrada. Temos que aproveitar a oportunidade. Lermos toda ela. Mantermos uma vida diária de leitura da Palavra ajuda-nos a firmeza da fé. Quando cremos naquilo que Ele fala pela Bíblia, somos fortalecidos.

Se pudéssemos colocaríamos todo o Salmo 119, que trata sobre a pessoa que busca na Palavra recursos para sua vida.

 

Veja o que nossos Artigos de Fé[5] dizem acerca da Palavra de Deus:

3. Que é a Palavra de Deus?

As Escrituras Sagradas, o Velho e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática.

II Tim. 3:16; 11 Pedro 1:19 21; Isa. 8:20; Luc. 16:29, 31; Gal. 1:8-9.

4. Como se demonstra que as Escrituras são a Palavra de Deus?

Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus - pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus.

Os. 8:12; 1 Cor. 2:6-7; Sal. 119:18, 129, 140; Sal. 12:6; Luc. 24:27; At. 10:43 e 26;22; Rom, 16:25-27; At. 28:28; Heb. 4:12; Tiago 1:18; Sal. 19:7-9; Rom. 15:4: At 20:32; João 16:13-14.

5. Que é o que as Escrituras principalmente ensinam?

As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem.

João 20:31; 11 Tim. 1:13.

 

6. Que revelam as Escrituras acerca de Deus?

As Escrituras revelam o que Deus é, quantas pessoas há na Divindade, os seus decretos e como Ele os executa.

Mas. 3:16-17; Isa. 46:9-10; At. 4:27-28,

 

Você quer se dar bem na vida? Ande segundo os mandamentos do Senhor. Quer ter sucesso na vida? Faça conforme está escrito na Palavra. Ou seja, para quem quer ser feliz e ter uma vida bem sucedida, deve sempre estar debaixo da luz da Bíblia.

 

Vou dar algumas sugestões de leitura:

1. Salmo 1

2. Salmo 119

3. Salmo 52

4. I João 1.9

5. Filipenses 4.6-7

6. João 14.13-14

7. Lucas 11

8. Hebreus 5.14

Salmo 1.2:

Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Salmo 119.17:

Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra.

Salmo 119.101:

De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra.

Salmo 119.105:

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.

Josué 1.7:

Tão-somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares.

Deuteronômio 6.6-7:

Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

 

Pense em tudo o que leu até agora e veja se realmente não precisa rever alguns conceitos e mudar sua caminhada. É necessário crescermos. Fazermos com que as pessoas aprendam tudo isto. E só poderemos ensinar se praticarmos e conhecermos bem todo este ensinamento.

 

Prossiga, mas jamais deixando de rever estes conceitos. Sempre é preciso lembrar. Quer ser fiel a Deus. Faça discípulos. Ensine-os a guardar o que aprendeu na Palavra. Senão sua vida passa a ser vã, sem sentido e sem obediência.

Propagar esta mensagem de salvação não vem do desejo, da vontade ou do dom. Vem de um coração obediente ao Senhor Jesus. Muito mais do que tudo. Se você estiver vazio de conteúdo, certamente produzirá pessoas vazias.

Conheçamos um pouco mais sobre o nosso Livro maior, que atravessou os séculos até chegar a suas mãos.

A fé é baseada em fatos reais, que ocorreram na história da humanidade. Embora tenhamos homens que tentem criar a idéia de mitos, podemos crer, e somente pela fé, que Deus proporcionou ao homem conhecê-lo mediante uma apresentação escrita: a Bíblia.

Ela se torna para o cristão de todas as gerações um Manual de Vida. Embora tenha sido proibida por alguns tempos passados, podemos entender que na história Deus levantou homens que buscassem na Palavra a razão de sua fé. Um homem que trouxe à tona o uso da Palavra de Deus foi Marinho Lutero. No século XVI a Bíblia ainda estava oculta aos leigos, sendo de uso e interpretação somente do Clero. No entanto, os reformadores tiveram sua base doutrinária sendo instituída, o que tornou o acesso à Bíblia para todos.

Os pensamentos da Reforma batiam de frente com os mal intencionados, que davam seu próprio critério de interpretação. Entendia-se que havia duas fontes inspiradas: a tradição da igreja e a Bíblia. O pensamento da reforma protestante rompeu com esta idéia de deixou somente as Escrituras como fonte suficiente da voz de Deus para seu povo. Todos agora podiam empunhar suas Bíblia e lê-las. Assim, e por estes motivos é que temos tantas Bíblias no mundo.

Desde a Reforma Protestante este milagre aconteceu. As pessoas envolvidas neste processo passaram por privações, mas cremos que valeu a pena, pois temos acesso ainda hoje a esta maravilhosa voz de Deus.

Uma história que vale a pena ser lida é de William Tyndale, homem morto por traduzir a Bíblia para a língua inglesa.

Devemos também ter uma regra para ler a Bíblia: ela mesma se interpreta. Ela se completa e jamais se contradiz. Ela por si só diz o que tem que ser dito a cada um de nós. Nos Server de referência moral e ética, bem como de um compêndio de palavras que foram inspiradas pelo Espírito Santo.

Veja o que ela mesma diz:

Hebreus 4.12:

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

II Timóteo 3.16-17:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

I Coríntios 2.7-13:

mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.  Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.

O termo Bíblia vem do grego e quer dizer “livros”. Daí sabermos de onde vem a palavra biblioteca. Ela é composta por vários livros, sendo eles o número de 66. Na Bíblia Católica há a inserção de outros livros que denominamos de apócrifos (sete livros colocados pelo Concílio de Trento, em 1546), que não fazem parte do cânon reformado e não autenticados pelos pais da igreja. Eles são contraditórios aos ensinos expostos nos outros 66 livros. Por exemplo, uma das coisas que eles têm em seu corpo de texto é que justificam o suicídio, ensinam a feitiçaria e oração pelos mortos. Estes ensinos não são encontrados em nenhum outro livro e o que é pior, são reprovados pela própria Bíblia.

 

Dividimos esta coleção 36 autores, em aproximadamente 16 séculos de composição.

Então vamos guardar bem: temos 66 livros, escritos por aproximadamente 36 autores, por cerca de 16 séculos. Certo?! Grave isto.

 

Podemos dividir a Bíblia em dois Testamentos:

O Antigo Testamento, conhecido também como Velho Testamento e o Novo Testamento. O Antigo possui 39 livros, que registra o antigo pacto (acordo ou aliança) feito por Deus com seu povo, com Abrão e confirmado por Moisés quando recebeu a Lei ou Dez Mandamentos no Monte Sinai.

O Novo Testamento possui 27 livros, e marca a nova Aliança ou Pacto, realizado por Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo.

Podemos entender que os pactos são formados anteriormente por uma nação denominada Israel ou hebreus. Já a nova aliança é formada pelos crentes em Jesus Cristo, que o têm como Senhor e Salvador.

 

 

 

Detalhando um pouco mais:

Antigo Testamento

05 livros da Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

12 livros históricos: Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis, I Crônicas, II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester.

05 livros de poesia hebraica: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão ou como alguns chamam Cântico dos Cânticos.

05 livros dos Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel.

12 livros dos Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Novo Testamento

04 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.

01 Livro Histórico: Atos

13 Cartas ou Epistolas Paulinas: Romanos, I Coríntios, II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I Tessalonicenses, II Tessalonicenses, I Timóteo, II Timóteo, Tito e Filemon.

01 Carta cujo autor não se conhece, embora alguns estudiosos atribuam a Paulo: Hebreus

07 Cartas ou Epístolas Gerais: Tiago, I Pedro, II Pedro, I João, II João, III João, Judas.

01 livro profético: Apocalipse.

 

A leitura da Bíblia é pré-requisito para todo servo de Jesus que deseje conhecer a vontade de Deus e o que nosso Deus realizou no correr da história de seu povo. É a forma também de aprendermos a cada dia o que Deus fala e ensina ao seu povo. Não se pode ser chamado de povo de Deus se não crê e obedece à Palavra de Deus.

Quem diz ser cristão, mas não a obedece, está equivocado, e engana-se a si mesmo.

Se você quiser analisar alguns pontos importantes que poderão motivá-lo ainda mais a buscar a Palavra, leia estes versos na Bíblia:

Tornar-se mais forte: I João 2.14; salmo 119.28.

Alegrar-se, com paz e certeza da salvação: João 15.11; I João 5.13.

Pureza de coração numa vida sem pecado: João 15.3; Salmo 119.9-11.

Esperança e poder na oração: Romanos 15.4; João 15.7.

Nas decisões da vida: Salmo 119.105; Josué 1.8.

Alimenta espiritualmente: I Pedro 2.2

Dá sabedoria: Salmo 119.98-100

 

Como ler a Bíblia?

1. Diariamente. Se você almoça todos os dias para alimentar o corpo, assim deve ler a Palavra de Deus todos os dias para que teu espírito seja alimentado.

2. Sistematicamente. Leia 03 capítulos por dia e aos domingos 05 capítulos. Achou pesado? Pois bem, questione seu amor por Deus. Você pode ler a Bíblia num ano. E reler sempre.

3. Tenha paciência. Medite. Sem pressa. Deixe Deus falar com você.

4. Repetidamente. Você irá notar que a cada nova leitura, aprenderá uma nova lição.

5. Leia com disposição de obedecer aos ensinos nela propostos.

6. Peça a Deus que fale em seu coração.

7. Pergunte. Pense. O que Deus quer me ensinar neste trecho.

 

Vamos pensar um pouco no termo REVELAÇÃO.

Sabemos que a Bíblia para o cristão é regra de fé e prática. A única. Através dela, Deus nos guia e orienta. Para entendê-la melhor precisamos saber as diferenças entre revelação, inspiração e iluminação.

 

Revelação

É a ação de Deus se mostrando ao homem. Nenhum homem conheceria a Deus se Ele mesmo não tomasse a iniciativa de se revelar. Deus se revela através das obras da criação e da providência na preservação e no governo do universo (Salmo 19.1-6 e Romanos 1.20). Esta revelação é geral para todos os seres humanos, por isso tornando-se indesculpáveis quanto ao conhecimento de ser superior que criou todas as coisas.

Esta revelação não é suficiente para a salvação do homem. Toda a criação foi atingida pelo pecado. Tornou-se imperfeita. O plano eterno de Deus inclui a revelação especial, segundo Hebreus 1.1-2:

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

O ápice da revelação divina é Jesus Cristo. Na revelação especial, a Palavra de Deus, Deus nos mostra que Ele é, quem é Jesus, quem somos nós, de onde viemos, para onde iremos e todo seu plano para a salvação dos seus eleitos.

Este entendimento acerca do Deus todo poderoso só é possível mediante uma análise do Livro Sagrado, a Bíblia. Foi este Deus trino que nos deu a revelação de si mesmo.

 

Inspiração

É a ação de Deus sobre homens escolhidos por ELE mesmo para registrar, sem erros, a sua revelação especial. Estes homens estiveram sob a inspiração divina para escrever cada linha. Veja II Timóteo 3.14-17:

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Tenha cuidado apenas em saber que Deus não estava ditando em alta voz. Deus guiava a cada um na escolha das Palavras certas, na construção das frases, mas eles escreveram com seu próprio vocabulário, para que as pessoas tivessem entendimento. Por isso cada livro traz a marca de seu autor e do tempo histórico em que ele vivia.

 

Iluminação

É a ação de Deus na mente e no coração humano, através do Espírito Santo, capacitando-o a compreender o ensino da Bíblia. Na conversão de Lídia temos um exemplo de iluminação. Só ela se converteu, pois o Espírito Santo a iluminou Atos 16.14:

Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

 

Um breve resumo destes temas:

Quando estamos lendo a Bíblia, Deus está falando conosco. Através da Revelação Especial, Ele se deu a conhecer ao homem e mostrou o modo como devemos viver e servi-lo.

Pela inspiração, Deus levou os escritores a registrarem, sem erro, sua Revelação Especial.

Pela iluminação, através da ação do Espírito Santo em nossas mentes, Ele nos capacita a compreender sua Revelação Especial registrada na Bíblia.

 

Deuteronômio 4.2:

Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.

Gálatas 1.8:

Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.

 

Para entendermos a inclusão dos apócrifos pelos Romanistas

os protestantes chamam de "Apócrifos", os católicos chamam de "Deuterocanônicos" (do grego, "segundo cânon").

Aqui estão os fatos históricos sobre como esses livros foram integrados à Bíblia Católica.

Quais são os livros?

Os livros em questão fazem parte do Antigo Testamento e são:

Tobias, Judite, Sabedoria (de Salomão), Eclesiástico (Sirácida), Baruc (incluindo a Carta de Jeremias), 1 e 2 Macabeus, Adições em Ester e Daniel.

Quem os introduziu e quando?

Diferente do que muitos pensam, não houve uma pessoa única que "decidiu" incluir esses livros em um momento isolado. Foi um processo gradual de reconhecimento.

1. A Origem: A Septuaginta (Século III a.C.)

A base para a inclusão desses livros é a Septuaginta (LXX), uma tradução das escrituras hebraicas para o grego feita no Egito. Essa versão continha os livros deuterocanônicos. Como o grego era a língua franca da época, os primeiros cristãos e os autores do Novo Testamento usavam a Septuaginta como sua "Bíblia".

2. Concílios Regionais (Séculos IV e V)

O cânon católico começou a ser formalizado em concílios regionais (que não tinham autoridade universal, mas eram influentes):

Concílio de Hipona (393 d.C.) e Concílio de Cartago (397 d.C.): Sob a influência de Santo Agostinho, esses concílios listaram os 73 livros da Bíblia Católica atual, incluindo os deuterocanônicos.

Papa Inocêncio I (405 d.C.): Confirmou essa mesma lista em uma carta ao bispo de Toulouse.

3. A Vulgata Latina

São Jerônimo, ao traduzir a Bíblia para o latim (Vulgata), inicialmente teve dúvidas sobre esses livros porque eles não constavam no cânon hebraico da época. No entanto, por obediência à tradição da Igreja, ele os incluiu na tradução, que se tornou o padrão da Cristandade por mil anos.

4. A Ratificação Definitiva: Concílio de Trento (1546)

Este é o ponto crucial. Durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero questionou a autoridade desses livros (baseando-se no cânon judaico de Jerusalém). Em resposta, a Igreja Católica, no Concílio de Trento, declarou o cânon de forma dogmática e infalível.

Fato Histórico: O Concílio de Trento não "inventou" esses livros; ele apenas oficializou o que já era tradição litúrgica e teológica há mais de um milênio, fechando a questão contra os questionamentos da Reforma.

Por que a diferença entre as Bíblias?

A divergência resume-se a qual fonte de autoridade seguir para o Antigo Testamento:

Visão Católica (Deuterocanônicos)

·                    Segue a Septuaginta (Tradição Grega)

·                    Argumenta que os apóstolos citavam a Septuaginta

·                    Considerados inspirados e canônicos

 

Visão Protestante (Apócrifos)

·                    Segue o Cânon Massorético (Tradição Hebraica)

·                    Argumenta que Jesus nunca citou esses livros diretamente

·                    Considerados úteis para leitura, mas não inspirados

Em resumo: os livros foram "introduzidos" pela aceitação da tradução grega Septuaginta pelos primeiros cristãos, "confirmados" nos concílios do século IV e "selados" oficialmente em 1546 no Concílio de Trento.

 

Um pouco sobre Deus, conforme os artigos de fé

Veja nosso símbolo de fé[6]:

8. Há mais que um Deus?

Há um só Deus, o Deus vivo e verdadeiro.

Deut. 6:4: Jer. 10:10; 1 Cor. 8:4.

9. Quantas pessoas há na Divindade?

Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; estas três pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais.

Mat. 3:16-17, e 28:19; 11 Cor. 13:14; João 10:30.

10. Quais são as propriedades pessoais das três pessoas da Divindade?

O Pai gerou o Filho, o Filho foi gerado pelo Pai, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, desde toda à eternidade.

Heb. 1:5-6; João 1:14 e 15:26; Gal. 4:6.

11. Donde se infere que o Filho e o Espírito Santo são Deus, iguais ao Pai?

As Escrituras revelam que o Filho e o Espírito Santo são Deus igualmente com o Pai, atribuindo-lhes os mesmos nomes, atributos, obras e culto que só a Deus pertencem.

Jer. 23:6; Isa. 6:3, 5, 8; João 12:41; At. 28:25; 1 João 5:20; Sal. 45:6; At. 5:3-4; João 1:1; Isa. 9:6; João 2:24-25; 1 Cor. 2:10-11; Col. 1:16; Gen. 1:2; Mat. 28:19; 11 Cor. 13:14.

 

Pense nesta pergunta:

1. Qual é o fim supremo e principal do homem? [7]

Resposta. O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.  

Com base neste artigo primeiro, podemos tirar algumas lições essenciais para nossa existência:

a)    O homem não foi criado em vão

b) O homem tem uma finalidade como criação

c) Esta finalidade é primordial e se levada a sério, pode torná-lo sábio para salvação

d) Há um Deus, que criou o homem e que determinou o que ele deveria fazer

e) O home m sem o referencial do Criador perde sua noção de direção

f) Glorificar a Deus é destituir-se de qualquer glória para si mesmo

g) “Sempre” condiciona o homem que seu estado nunca deve ser temporário no papel de adorador

h) Gozo pressupõe eternidade, pois na eternidade obtemos o gozo eterno na presença de Deus.

 

Sobre os dons e papéis dos crentes na Igreja

Os talentos são naturais nos seres humanos. E fácil notar quando um jovem de imediato consegue desenvolver-se na música. Outro nas artes impressas. Outro ainda no ensino. Enfim, podemos perceber que é algo que se desenvolve naturalmente. Estes talentos podem ser usados, pois foram dados por Deus.

Porém há dons espirituais, que são concedidos pelo Espírito Santo aos cristãos para o serviço e adoração, co m vistas ao aperfeiçoamento dos santos.

Leiamos, por exemplo algo dito pela Palavra de Deus, em Efésios 4.11-14:

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.

Entendemos que o servo de Cristo, no momento de sua conversão, recebe o Espírito Santo, buscando desenvolver a sua salvação e aprimorar-se com o correr dos tempos, buscando a plenitude de uma vida no Espírito.

Assim, os dons que Deus concede aos seus filhos, são diferentes dos que são dados aos que não são crentes. Pois o diferencial está em quem gerencia este dom e para que é usado. No crente, quem gerencia os dons é Senhor Espírito Santo.

Não podemos e nem devemos crer que um dom seja dado sem um fim proveitoso. Para edificação da igreja. Todos os dons concedidos pelo Senhor são para sua obra, obrigatoriamente. Diferenciamos nossa interpretação dos dons, referente aos pentecostais, porque enfatizam um dom específico como sinal e segunda bênção. Em nossa doutrina, cremos que se Deus quer dar um dom, Ele o dá, como lhe apraz, conforme I Coríntios 12.4-12:

Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente. Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.

 

Vamos resumir diretamente o motivo dos dons existirem:

1. Para serem utilizados. Na igreja não há lugar para ociosidade e comodismo. Somos os despenseiros da multiforme graça de Deus – I Pedro 4.10:

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

2. Para assistir a outros. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos – I Coríntios 12.7:

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.

3. Para edificação da igreja. Os dons são dados para a edificação pessoal e coletiva, segundo I Coríntios 14.12:

Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja.

4. A falta de crescimento de muitas igrejas advém da utilização incorreta dos dons ou da falta de utilização, segundo Efésios 4.16:

de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

 

Mas há um destaque especial, onde muitos têm se esquecido. O poder para testemunhar de Cristo. Sem o Espírito Santo, é ineficaz qualquer tentativa de proclamar a verdade.

Por isso, em Atos 1.8, temos dito o seguinte:

Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

A maior bênção que um crente pode receber é ter de Deus a capacitação para testemunhar de seus feitos, de tudo o que o Senhor tem feito em suas vidas. De poder falar aos outros sobre a Palavra de Deus. É sem dúvida, um privilégio.

Mas porque preciso falar aos outros sobre Cristo? Simplesmente porque o céu e o inferno são realidades. Veja Lucas 16.19-31.

Mais do que isso, foi uma ordem dada pelo próprio Senhor Jesus, em Mateus 28.19.20:

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Outro parecer da Palavra acerca do discutido: somos embaixadores do Reino, conforme diz II Coríntios 5.20:

De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

Vamos pensar em mais alguns motivos:

1. O tempo é curto – II Coríntios 6.2

2. Há recompensa – I Coríntios 9.23-25

 

Mas como posso falar?

1. Pode começar contando as mudanças ocorridas em sua vida.

2.   Falando sobre o plano de salvação.

Lembre-se dos passos:

- A pessoa tem que admitir que é pecadora e merece a morte.

- A pessoa tem que crer no Senhor Jesus, que Ele morreu e ressuscitou ao terceiro dia por causa dela.

- A pessoa deve clamar ao Senhor, pedindo perdão de seus pecados e necessita da salvação.

Lembre-se de que jamais estará sozinho para falar. O Espírito Santo prometeu que estaria ali com você, dando poder. Ele o ajudará.

 

Pense em como o Espírito Santo opera em sua vida para falar:

- João 14.17:

O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

 

- Atos 1.8:

mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

- II Timóteo 1.7:

Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.

 

E como Ele age no meu ouvinte?

- Convence do pecado – João 16.9:

do pecado, porque não crêem em mim;

- Convence da justiça – João 16.10:

da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;

- Convence do juízo – João 16.11:

do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

 

Seria muito útil você saber a sequência do Plano de Salvação, a fim de saber como e o que falar. Mas lembre-se, decorar não adianta... Se foi importante para você a vida que Jesus te deu, certamente você desejará falar aos seus amigos. Quando nos dá prazer de fazer isto, fica bem mais fácil.

Tenha uma vida de oração e leitura da Palavra de Deus, diária; Ore por seus amigos; Escreva seu testemunho pessoal numa folha e leia para você mesmo.

Saia com seu pastor, com alguém e fale. Senão peça para dar testemunho na igreja. Tenha folhetos na mão e sempre dê aos outros. Importante: busque pessoas que não conhecem a Jesus.

E para encerrar o assunto dons, deixamos umas dicas:

- Assuma o dom com um ato de fé;

- Tenha um desejo irresistível de servir ao próximo;

- Entenda que é carnalidade utilizar o dom para fins que não sejam benefício de pessoas e a glória de Deus;

- Abandone a idéia de que o seu dom é superior ou inferior ao dos outros e não esquente a cabeça por não receber este ou aquele dom.

 

Um item de muita importância relaciona-se com uma vida de santificação, que trata da plenitude do espírito, ou seja, quando você com um cálice, transborda para os outros. Analise debaixo de oração estes termos que serão citados:

1. Sabedoria – algo prático e diário, que nos capacita a solucionar os problemas da vida (Atos 6.3):

... Escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço;

2. – O Espírito Santo usa a Palavra de Deus para aumentar e solidificar a nossa fé (Romanos 10.17):

E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.

3. Graça – Um homem na Bíblia é citado como sendo homem cheio da Graça de Deus (Atos 6.8):

Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

4. Poder – O mesmo homem que tinha a Graça de Deus, estava cheio do Espírito Santo, cheio do poder de Deus (Atos 6.8):

Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

5. Alegria e Ação de Graças – É importante que você seja uma pessoa alegre, afinal você tem algo mais do que precioso: a salvação. O louvor e as ações de graça (gratidão a Deus) devem estar sempre em seu coração. Não se trata de uma felicidade superficial, que depende do ambiente e da situação, mas que está diretamente ligada ao Deus que te salvou. Não é uma mera condição emocional, é satisfação por ter a Deus, ter o Filho amado de Deus com Salvador e Senhor. O que reparamos dia-a-dia é que as pessoas estão pesadas, cansadas, envolvidas com suas crises e não olham para o Deus que resolve tudo. Por isso não temos atingido objetivos de evangelismo nas igrejas, porque ser crente se tornou pesado demais. Prazer na Lei do Senhor, no qual medita de dia e de noite. Restaura a alegria da salvação. Voltar ao primeiro amor. São citações bíblicas que mostram isso. Não podemos agir como aquele povo que se encontrava no deserto, sem prazer e murmurando o tempo todo. Precisamos reagir urgentemente. Porque uma pessoa deve aceitar ao teu Deus se você vive com a cara de quem é a pessoa mais infeliz, ou porque mantém uma tradição? Veja Efésios 5.18-19:

18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos

19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

Isaías 61.3:

e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a sua glória.

Colossenses 4.2:

Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.

Salmo 100.4:

Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.

6. Humildade – A humildade se manifesta m respeito ao próximo e o desejo de trabalhar com ele e por ele. Sem este entendimento, jamais haverá cristianismo. Por exemplo, se você tem uma retórica, uma fala de que todos devem acolher o outro em suas limitações, mas vive maldizendo a pessoa pelos cantos, você é mentiroso e fofoqueiro. Pessoas assim jamais podem dizer que conhecem a Jesus. Pense nas motivações pelas quais você cita o teu próximo: para auxiliar no seu bem-estar ou simplesmente porque você se acha alguém superior? Pense e responda para si mesmo. Leia Efésios 5.21:

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Lembre-se que estar sujeito a alguém é considerar o outro superior. É fácil? Claro que não. Mas é uma ordem de Deus. Portanto, obedeça.

É interessante saber que o fato de você se sujeitar está numa voz ativa, ou seja, depende de alguém externamente e aqui, do Espírito Santo. Estar pleno do Espírito é deixar-se envolver por sua vontade e influência. Não é uma ato seu de fato, pois além de tudo, trata-se de uma ação de obediência. E não é pontual, algo fechado num momento só da sua vida, mas é ontem, é hoje e será amanhã. Entendendo assim, você se sujeitará sempre.

7. Vitalidade – A esta palavrinha. Como tem sido difícil ver vitalidade na igreja. Vemos louvores mortos, desanimados. Vemos as pessoas sem querer compartilhar a Palavra de Deus. Sequer após o culto. Não se tem aquela vitalidade em expressar o que Deus falou, fez... tipo... venci a corrida, venci na vida, glórias a Deus. Por isso, temos que de alguma maneira entender porque alguns irmãos dão “glórias a Deus” em meio ao culto, pois se aquilo for algo que brota de uma vida que entende a maravilhosa Graça de Deus, então ela está expressando algo importante para ela. O que percebemos que o assunto em voga na maioria das vezes é algo que não a Palavra e edificação do outro. Vemos nossos jovens calados na igreja, vemos cada um deles sem conversar sequer uma palavrinha concernente ao reino de Deus. Mas quando os vemos falar de vídeo-games, esportes, namoro, moda... que alegria, que espontaneidade, que firmeza... o que isso nos faz entender? Pense. O crente cheio do Espírito Santo é como um oásis no meio do deserto abrasador. Traz alívio. Leia Salmo 1.3:

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.

João 7.38:

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

 

Veja como deveria ser sua vida. É assim? Então você está andando em plenitude de vida. Não é assim? Então mude urgente.

Todas as partes do Corpo de Cristo têm sua função. Cada uma é diferente da outra. Senão seria um corpo doente, deformado. Imagine duas cabeças, dois polegares, quatro olhos... Isso serviria de aberração aos olhos. Então entenda uma vez por todas que seu irmão é pé, você mão, sua irmã um olho e assim por diante. Um depende do outro. E um edifica o outro.

Se aprendermos isso, não ficaremos por aí, buscando experiências mirabolantes, que nem vem de Deus, nem vem de homens. Afaste-se destas teorias absurdas de que para ser crente precisa falar em línguas, ou profetizar. Para ser crente basta ser salvo por Jesus. A segunda bênção nunca existiu. Você quer trocar a primeira que é a salvação por outra?

Oração

Sobre a Oração temos muito a falar, mas para começar, tenha paciência e leia o que diz o nosso documento da igreja[8] acerca da oração. Mas leia os textos bíblicos, pois neles é que se tem o atestado que estamos seguindo a Bíblia e não referências mortas.

 

Pergunta 178. O que é oração?

R: Oração é um oferecimento de nossos desejos a Deus, em nome de Cristo e com o auxílio de seu Espírito, e com a confissão de nossos pecados e um grato reconhecimento de suas misericórdias.

Ref.: Sl 62.8; Jo 16.23,24; Rm 8.26; Dn 9.4; Fp 4.6.

Pergunta 179. Devemos orar somente a Deus?

R: Sendo Deus o único que pode esquadrinhar o coração, ouvir os pedidos, perdoar os pecados e cumprir os desejos de todos, o único em quem se deve crer e a quem se deve prestar culto religioso, a oração, que é uma parte especial do culto, deve ser oferecida por todos a ele só, e a nenhum outro.

Ref.: I Rs 8.39; Sl 65.2; Mq 7.18; Sl 145.16,19; II Sm 22.32; Mt 4.10; I Co 1.2; Lc 4.8; Is 42.8; Jr 3.23.

Pergunta 180. O que é orar em nome de Cristo?

R: Orar em nome de Cristo é, em obediência ao seu mandamento e em confiança nas suas promessas, pedir a misericórdia por amor deles, não por mera menção de seu nome; porém derivando o nosso ânimo para orar, a nossa coragem, força e esperança de sermos aceitos em oração, de Cristo e sua mediação.

Ref.: Jo 14.13,14; Lc 6.46; Hb 4.14-16; I Jo 5.13-15.

Pergunta 181. Por que devemos orar em nome de Cristo?

R: O homem, em razão de seu pecado, ficou tão afastado de Deus que a ele não se pode chegar sem ter um mediador; e não havendo ninguém, no céu ou na terra, constituído e preparado para esta gloriosa obra, senão Cristo unicamente, o nome dele é o único por meio do qual devemos orar.

Ref.: I Jo 14.6; I Tm 2.5; Jo 6.27; Cl 3.17; Hb 13.15.

Pergunta 182. Como o Espírito nos ajuda a orar?

R: Não sabendo nós o que havemos de pedir, como convém, o Espírito nos assiste em nossa fraqueza, habilitando-nos a saber por quem, pelo quê, e como devemos orar; operando e despertando em nossos corações (embora não em todas as pessoas, nem em todos os tempos, na mesma medida) aquelas apreensões, afetos e graças que são necessários para o bom cumprimento desse dever.

Ref.: Rm 8.26; Sl 80.18; Sl 10.17; Zc 12.10.

Pergunta 183. Por quem devemos orar?

R: Devemos orar por toda a Igreja de Cristo na terra, pelos magistrados e outras autoridades, por nós mesmos, pelos nossos irmãos e até mesmo pelos nossos inimigos, e pelos homens de todas as classes, pelos vivos e pelos que ainda hão de nascer; porém, não devemos orar pelos mortos, nem por aqueles que se sabe terem cometido o pecado para a morte.

Ref.: Ef 6.18; I Tm 2.1,2; II Ts 3.1; Gn 32.11; Tg 5.16; Mt 5.44; I Tm 2.1; Jo 17.20; I Jo 5.16.

Pergunta 184. Pelo quê devemos orar?

R: Devemos orar por tudo quanto realça a glória de Deus e o bem-estar da Igreja, o nosso próprio bem ou o de outrem, nada, porém, que seja ilícito.

Ref.: Mt 6.9; Sl 51.18; Mt 7.11; Sl 125; I Ts 5.23; I Jo 5.14; Tg 4.3.

Pergunta 185. Como devemos orar?

R: Devemos orar com solene apreensão da majestade de Deus e profunda convicção de nossa própria indignidade, necessidades e pecados; com corações penitentes, gratos e francos; com entendimento, fé, sinceridade, fervor, amor e perseverança, esperando nele com humilde submissão à sua vontade.

Ref.: Sl 33.8; Gn 18.27; Sl 86.1; Sl 130.3; Sl 51.17; Zc 12.10-11; Fp 4.6; Sl 81.10; I Co 14.15; Hb 10.22; Sl 145.18; Sl 17.1; Jo 4.24; Tg 5.16; I Tm 2.8; Ef 6.18; Mq 7.7; Mt 26.39.

Pergunta 186. que regra Deus nos deu para nos dirigir na prática da oração?

R: Toda a Palavra de Deus é útil para nos dirigir na prática da oração; mas a regra especial é aquela forma de oração que nosso Salvador Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos, geralmente chamada "Oração do Senhor".

Ref.: Ii Tm 3.16,17; Mt 6.9-13; Lc 11.2-4.

Pergunta 187. Como a oração do Senhor deve ser usada?

R: A oração do Senhor não é somente para direcionamento, como modelo segundo o qual devemos orar; mas também pode ser usada como uma oração, contanto que seja feita com entendimento, fé, reverência e outras graças necessárias para o correto cumprimento do dever da oração.

Ref.: Mt 6.9; Lc 11.2.

 

Quero ampliar a discussão.

Alguém muito melhor que nós, perfeito, sem pecado, tinha uma vida de oração. Ele até nem precisaria se fôssemos olhar pela ótica de que Ele é Deus. De quem falo? Jesus Cristo.

Bem sabemos que nosso Senhor andava pelo deserto, pelas localidades, abençoando as vidas que vinham até Ele. Ele queria ensinar a origem de seu poder e majestade. Estava em Deus Pai, onde Jesus buscava seus recursos de comunhão. A fonte de tudo era o Pai. Porque Ele se retirava? Porque se fazia solitário por momentos? Para estar junto ao Pai, com quem Ele mantinha profunda e perfeita comunhão. Sem isso, claro, nos tornamos volúveis, vazios e cheios de nós mesmos. Pecamos. Caímos em tentação.

Jesus tinha na oração a chave de seu chamado. Era a chave para abrir as portas da manhã e com a qual Ele fechava à noite. Ou seja, começava sua vida diária com oração e terminava assim. Orou o tempo todo. E nos deixou este ensino, este exemplo. Siga!

Pela oração:

1. Deus opera em nós;

2. Deus opera nos outros;

3. Deus opera nas circunstâncias.

 

Você tem motivos para orar? Então porque orar? Pense em como obedecer a DEUS orando em todo o tempo

1. Glorificar a Deus e santificá-lo (Mateus 6.9):

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

2. Louvar a Deus até pelas dores e espinhos. Lembre-se, tudo tem propósito em sua vida. Nada é em vão (I Tessalonicensses 5.17-18):

17 Orai sem cessar.

18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

3. Satisfazer nossas necessidades (Hebreus 4.16):

Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

4. Obter respostas de Deus para situações específicas (Mateus 7.7-8):

7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.

8 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.

5. Obter vitória sobre as tentações (Mateus 6.13):

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

6. Apresentar nossas preocupações a Deus (Filipenses 4.6-7):

6 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

7. Confessar nossos pecados e falhas (Salmo 38.18):

Confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa do meu pecado.

I João 1.9:

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

 

Como e quando orar:

1. Sozinho – faça sua vida diária com Jesus. Ore a Ele. Mantenha uma vida de oração, em particular, sem depender das orações dos outros.

2. Ore na igreja com os irmãos e pelos irmãos.

3. Ore em todo o tempo: trabalho, na rua, andando, parando, em todo o lugar...

 

A oração não é opção religiosa, mas uma exigência da Vida Eterna. Se você é cidadão do céu, então não tem escapatória, tem que orar. Afinal, pela oração você estabelece contato com teu Deus, com teu Senhor e com o Senhor que te motiva a viver para Deus, o Espírito Santo. É com eles que você trata quando ora. Fale com eles. Pai, Filho e Espírito Santo.

Algumas pessoas, já na igreja, ainda não entenderam porque devem orar em nome de Jesus. Não há outro mediador entre os homens e Deus senão o Filho (Hebreus 10.19-22):

19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,

20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,

21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,

22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado {purificado: aspergido} de má consciência e lavado o corpo com água pura.

Quando fazemos a oração em nome de Jesus, é Ele quem intercede por nós. Não deixe de orar. Perca o medo, a timidez. Não é a vontade de Deus que você esteja sem orar. Sua fraqueza virá mais dia menos dia. Você perceberá que teu apego ao Senhor diminui quando não ora. Deus não está preocupado com lindas palavras de sua boca, mas da pura intenção do teu coração. Ele quer que você esteja conversando com Ele. Abra tua boca. Afinal, você a abre para falar com tanta gente menos importante que Jesus. De tantos assuntos menos importantes que o Reino. Por isso ORE. ORE e ORE.

 

O que pode nos atrapalhar na vida de oração?

1. Não pedir;

2. Não pedir com fé;

3. Pedir por motivação errada;

4. Pedir em desacordo com a vontade de Deus;

5. Pecados não confessados;

6. Usar de repetições sem sentido;

7. Orar para agradar as pessoas;

8. Ansiedade;

9. Problemas na vida familiar que muitas vezes não estamos dispostos a resolver.

Elementos de uma oração:

Louvor e adoração;

Agradecimentos;

Arrependimento e confissão;

Intercessão: pedir por você mesmo e pelos outros.

 

O sustento da Casa de Deus – dízimos e ofertas

 

UM POUCO DE ENSINO PARA A IGREJA SOBRE DÍZIMOS:

SURGE A NECESSIDADE DE ENSINO BÁSICO, POR SURGIREM AS SEGUINTES QUESTÕES -

# Quem não dá o dízimo não tem salvação?

# A segunda pergunta é segunda e última quem não dá o dízimo está roubando de Deus?

O DÍZIMO E A VIDA CRISTÃ: SALVAÇÃO, FIDELIDADE E MORDOMIA

1. A Salvação é Somente pela Graça

A primeira distinção fundamental que devemos fazer é que o dízimo não possui mérito salvífico.

De acordo com as Escrituras e a Confissão de Fé de Westminster, a salvação é um dom gratuito de Deus, operada mediante a fé em Jesus Cristo (Sola Fide).

Associar a entrega do dízimo à garantia da vida eterna é um erro teológico grave, pois:

A salvação é pela Graça (Efésios 2:8-9).

O preço foi pago integralmente pelo sacrifício vicário de Jesus Cristo.

Tentar "comprar" ou "garantir" a salvação através de obras (como o dízimo) anula o valor da cruz.

Portanto, o dízimo não é um pré-requisito para o céu, mas um fruto de quem já foi alcançado pela misericórdia divina.

2. Fidelidade e Continuidade do Princípio

Embora a salvação não dependa do dízimo, a nossa caminhada cristã exige fidelidade. O dízimo não deve ser visto apenas como uma lei do Antigo Testamento que expirou, mas como um princípio de mordomia.

Muitos argumentam que o dízimo ficou restrito à Antiga Aliança, esquecendo-se de que princípios morais e de gratidão transcendem dispensações. Jesus, ao confrontar os fariseus em Mateus 23:23, validou a prática:

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas [o dízimo] e não omitir aquelas [a justiça e a fé]."

O Senhor não revogou o dízimo; Ele exigiu que a entrega fosse acompanhada de um coração transformado.

3. O Dízimo na Prática Presbiteriana

Na Igreja Presbiteriana, entendemos que tudo o que temos pertence a Deus. O dízimo (a décima parte) é o reconhecimento prático de que Ele é o dono de tudo.

Não é barganha: Não dizimamos para receber em troca (teologia da prosperidade), mas porque Deus já é fiel a nós.

Sustento da Obra: Os dízimos e ofertas são os meios regulares que Deus estabeleceu para a manutenção do culto, o sustento dos pastores e o avanço da obra missionária.

Sobre o "Roubo" (Malaquias 3:8-10): O texto profético de Malaquias é uma exortação sobre a negligência espiritual. Quando retemos o que pertence ao Senhor, demonstramos que nosso coração está cativo ao materialismo e que desconfiamos da provisão divina. A "maldição" mencionada refere-se à disciplina de Deus sobre um povo desobediente e ingrato.

Conclusão

Dizimamos por amor, obediência e zelo pela Casa de Deus. Se desejamos uma igreja com ambiente de qualidade, assistência social e expansão missionária, devemos ser mordomos fiéis.

A infidelidade financeira muitas vezes reflete uma infidelidade espiritual. Que nossa entrega não seja do que "sobra", mas uma primazia que honre Aquele que nos deu a vida eterna.

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa..." (Malaquias 3:10)

 

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Gênesis 14:20: Abraão entrega o dízimo de tudo ao rei e sacerdote Melquisedeque, muito antes da Lei de Moisés existir.

Provérbios 3:9-10: "Honre o Senhor com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas colheitas; os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho novo."

Malaquias 3:10: "Tragam todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e depois façam prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não lhes abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vocês uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherem."

Lucas 6:38: "Deem, e lhes será dado: uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês."

Mateus 23:23: Jesus critica os fariseus por darem o dízimo de ervas pequenas, mas esquecerem "o peso da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade", afirmando que deveriam praticar o dízimo sem omitir essas outras coisas.

 

Dízimos e Ofertas[9]

Malaquias 3.10  versão corrigida

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.

Malaquias 3.10 – versão atualizada

Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.

Provérbios 3.8-10:

8 será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos.

9 Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda;

10 e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.

 

DEFINIÇÃO DE DÍZIMOS E OFERTAS

A palavra hebraica para "dízimo" (ma’aser) significa literalmente "a décima parte".

(1) Na Lei de Deus, os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte das crias dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas bênçãos divinas (ver Lv 27.30-32; Nm 18.21,26; Dt 14.22-29; ver Lv 27.30 nota). O dízimo era usado primariamente para cobrir as despesas do culto e o sustento dos sacerdotes. Deus considerava o seu povo responsável pelo manejo dos recursos que Ele lhes dera na terra prometida (cf. Mt 25.15 nota; Lc 19.13 nota).

(2) No âmago do dízimo, achava-se a idéia de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5; Sl 24.1; 50.10-12; Ag 2.8). Os seres humanos foram criados por Ele, e a Ele devem o fôlego de vida (Gn 1.26,27; At 17.28). Sendo assim, ninguém possui nada que não haja recebido originalmente do Senhor (Jó 1.21; Jo 3.27; 1Co 4.7). Nas leis sobre o dízimo, Deus estava simplesmente ordenando que os seus lhe devolvessem parte daquilo que Ele já lhes tinha dado.

(3) Além dos dízimos, os israelitas eram instruídos a trazer numerosas oferendas ao Senhor, principalmente na forma de sacrifícios. Levítico descreve várias oferendas rituais: o holocausto (Lv 1; 6.8-13), a oferta de manjares (Lv 2; 6.14-23), a oferta pacífica (Lv 3; 7.11-21), a oferta pelo pecado (Lv 4.1—5.13; 6.24-30), e a oferta pela culpa (Lv 5.14—6.7; 7.1-10).

(4) Além das ofertas prescritas, os israelitas podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor. Algumas destas eram repetidas em tempos determinados (ver Lv 22.18-23; Nm 15.3; Dt 12.6,17), ao passo que outras eram ocasionais. Quando, por exemplo, os israelitas empreenderam a construção do Tabernáculo no monte Sinai, trouxeram liberalmente suas oferendas para a fabricação da tenda e de seus móveis (ver Êx 35.20-29). Ficaram tão entusiasmados com o empreendimento, que Moisés teve de ordenar-lhes que cessassem as oferendas (Êx 36.3-7). Nos tempos de Joás, o sumo sacerdote Joiada fez um cofre para os israelitas lançarem as ofertas voluntárias a fim de custear os consertos do templo, e todos contribuíram com generosidade (II Rs 12.9,10). Semelhantemente, nos tempos de Ezequias, o povo contribuiu generosamente às obras da reconstrução do templo (II Cr 31.5-19).

(5) Houve ocasiões na história do AT em que o povo de Deus reteve egoisticamente o dinheiro, não repassando os dízimos e ofertas regulares ao Senhor. Durante a reconstrução do segundo templo, os judeus pareciam mais interessados na construção de suas propriedades, por causa dos lucros imediatos que lhes trariam, do que nos reparos da Casa de Deus que se achava em ruínas. Por causa disto, alertou-lhes Ageu, muitos deles estavam sofrendo reveses financeiros (Ag 1.3-6). Coisa semelhante acontecia nos tempos do profeta Malaquias e, mais uma vez, Deus castigou seu povo por se recusar a trazer-lhe o dízimo (Ml 3.9-12).

 

A ADMINISTRAÇÃO DO NOSSO DINHEIRO

Os exemplos dos dízimos e ofertas no AT contêm princípios importantes a respeito da mordomia do dinheiro, que são válidos para os crentes do NT.

(1) Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses.

(2) Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). A Bíblia deixa claro que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5).

(3) Nossas contribuições devem ser para a promoção do reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17,18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; Gl 2.10; 2Co 8.14; 9.2; ver o estudo O CUIDADO DOS POBRES E NECESSITADOS), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22,23).

(4) Nossas contribuições devem ser proporcionais à nossa renda. No AT, o dízimo era calculado em uma décima parte. Dar menos que isto era desobediência a Deus. Aliás equivalia a roubá-lo (Ml 3.8-10). Semelhantemente, o NT requer que as nossas contribuições sejam proporcionais àquilo que Deus nos tem dado (1Co 16.2; 2Co 8.3,12; ver 2Co 8.2 nota).

(5) Nossas contribuições devem ser voluntárias e generosas, pois assim é ensinado tanto no AT (ver Êx 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no NT (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4 nota).

(6) Nossas contribuições devem ser dadas com alegria (2Co 9.7). Tanto o exemplo dos israelitas no AT (Êx 35.21-29; 2Cr 24.10) quanto o dos cristãos macedônios do NT (2Co 8.1-5) servem-nos de modelos.

(7) Deus tem prometido recompensar-nos de conformidade com o que lhe temos dado (ver Dt 15.4; Ml 3.10-12; Mt 19.21; 1Tm 6.19; ver 2Co 9.6 nota).

 

“PORQUE SOU DIZIMISTA”

https://pastorernestoavale.comunidades.net/eis-aqui-25-razoes-porque-sou-dizimista

1. Sou Dizimista porque o Dízimo é SANTO.

Lv 27.30 Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor. 31 Se alguém quiser remir uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á a quinta parte. 32 Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será santo ao Senhor.

2. Sou Dizimista porque quero ser participante das grandes bênçãos. Ml 3.11 Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos. 12 E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos exércitos.

3. Sou Dizimista porque amo a obra de DEUS na face da Terra. Ml 3.10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.

4. Sou Dizimista porque não quero ser amaldiçoado.  Ml 3.9 Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda.

5. Sou Dizimista porque DEUS é dono de tudo. Sl 24. 1 Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam.

6. Sou Dizimista porque eu mesmo vou gozá-lo na casa de DEUS. Dt 14.23 E, perante o Senhor teu DEUS, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu DEUS por todos os dias.

7. Sou Dizimista porque mais bem-aventurado é dar do que receber. At 20.35 Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do Senhor JESUS, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber.

8. Sou Dizimista porque DEUS ama ao que dá com alegria. 2Co 9.7 Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque DEUS ama ao que dá com alegria.

9. Sou Dizimista porque tudo vem das Mãos de DEUS. 1Cr 29.14 Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.

10. Sou Dizimista porque não sou avarento. 1 Tm 6. 10 Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

11. Sou Dizimista porque meu rico tesouro está nos céus. Mt 6.19-21 19 Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; 20 Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. 21 Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

12. Sou Dizimista porque tudo que peço recebo. Mt 7.7-9. 7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. 8 Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. 9 Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?

13. Sou Dizimista porque obedeço a DEUS. At 5.29 Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a DEUS que aos homens. Pv 10. 22 A bênção do Senhor é que enriquece; e ele não a faz seguir de dor alguma.

14. Sou Dizimista porque a benção de DEUS é que enriquece. Pv 10:22 A bênção do Senhor é que enriquece; e ele não a faz seguir de dor alguma.

15. Sou Dizimista porque para cada lei, DEUS promete recompensa. Sl 19. 7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.

16. Sou Dizimista porque receberei de DEUS com a mesma medida. Lc 6. 33 E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito há nisso? Também os pecadores fazem o mesmo.

17. Sou Dizimista porque os pensamentos de DEUS são mais altos que os meus. Is 55. 9 Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.

18. Sou Dizimista porque DEUS me escolheu e me nomeou. Jo 15. 16 Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

19. Sou Dizimista porque DEUS diz: “Fazei prova de Mim” . Ml 3. 10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.

20. Sou Dizimista porque minha descendência não vai mendigar o pão. Sl 37. 25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.

21. Sou Dizimista porque meu salário não será posto em saco furado. Ag 1. 6 Tendes semeado muito, e recolhido pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para o meter num saco furado.

22. Sou Dizimista porque é minha responsabilidade o sustento da igreja. Ml 3. 10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.

23. Sou Dizimista porque quero ter a consciência tranquila. 1Tm 1. 19 conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé;

24. Sou Dizimista porque tudo o que o homem plantar, isso ceifará.  Gl 6. 7 Não vos enganeis; DEUS não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

25. Sou Dizimista porque DEUS suprirá todas as minhas necessidades. Fl 4. 19 Meu DEUS suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em CRISTO JESUS.

Na verdade, na nova aliança tudo o que é meu, não é meu, mas de DEUS, eu administro e aplico na obra.  

 

RESUMO

1-O que é Dízimo? Corresponde à décima parte do que se arrecada

2-Porque dar o Dízimo? Não sei se a palavra certa seria dar, ou pagar, ou entregar, mas basicamente quando alguém sente o desejo de ajudar a obra de DEUS, reconhecendo em seus líderes pessoas que estão vivendo exclusivamente pela causa do mestre JESUS; levam sua contribuição ao templo ou congregação para que haja mantimento e suficientes fundos para as despesas na obra de DEUS

3-Todos os membros biblicamente são obrigados a dar o Dízimo? Ninguém é obrigado a dar o dízimo. O dízimo é uma opção de ajuda na obra de DEUS, devendo o dizimista ter em mente de que é apenas um mordomo de DEUS aqui na terra, aplicando seus rendimentos provindos de DEUS, na obra do próprio DEUS e não se esquecendo que tudo o que temos ou possuímos devemos ao próprio DEUS e devemos não só dar o dízimo, mas também ofertas para que o trabalho do Senhor não seja prejudicado e sempre possa progredir na evangelização dos povos.

 

“MAIS BEM-AVENTURADA COISA É DAR DO QUE RECEBER!” (JESUS)

“Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmo 24.1).

MORDOMIA CRISTÃ

Há uma grande diferença entre POSSE e MORDOMIA: DEUS é o possuidor de todas as coisas (Gn 14.19-22; Sl 24.1; 50.1-12; 68.19; 89.11; Ag 2.8). Enquanto Mordomia implica que não somos donos; somos apenas mordomos responsáveis que devem prestar contas (Mt 25.14-30; Lc 19.11-26). Temos diferentes relações entre dono-mordomo: 

a) Vida, o que recebemos (Gn 1.27-28; At 17.25; Tg 1.17).

b) Tempo, o que nos foi outorgado (Pv 24.30-34; Sl 90:12). 

c) Talentos, o que nos foi dado para usar (Mt 25.14-30). 

d) Possessões, o que nos é confiado (Mt 6.19-21; ICo 3.1- 2). 

e) Finanças, o que ganhamos com o nosso trabalho (I Co 16.1-2).

 

Para sermos um bom mordomo são necessários os requisitos: 

a) Fidelidade (I Co 4.1-2).

b) Disposição a receber ensino (Sl 27.11).

c) Desejo de servir as pessoas (Rm 12.10-13). 

d) Um coração de servo (Gl 5.13).

e) Disposição para dar (Lc 6.38). 

 

AS FINANÇAS

A questão financeira tem um tratamento bíblico bastante sério: 

a) Os Evangelhos contém mais advertências contra o dinheiro e seu mau uso do que contra qualquer outro assunto.

b) Um em cada seis versículos do NT faz alguma referência ao dinheiro. 

c) Quase a metade das parábolas de JESUS  tem alguma referência a dinheiro, especialmente advertência contra a cobiça. 

d) Judas vendeu CRISTO por dinheiro, que nunca chegou a usá-lo.

e) Satanás na cena da glória da igreja primitiva através do dinheiro, quando se vivia um ambiente de doação (At 5:1-10). 

f) O pecado de “Simonia” refere-se a dinheiro e a tentar comprar os dons de DEUS com ele (At 8:14-24). 

g)  Riqueza e tradição (Ap 13:16-18), são palavras ligadas ao poder de comprar e vender. Em si o dinheiro não é mau. É o amor ao dinheiro que é a raiz de todos os males (I Tm 6.7- 10). 

 

DÍZIMOS E OFERTAS

As Escrituras dizem o seguinte sobre dízimos e ofertas: 

a) Devemos trazer nossos dízimos e ofertas à tesouraria da casa de DEUS (casa do tesouro, Ml 3.7- 12).

b) A casa de DEUS é o lugar onde o povo de DEUS é “alimentado”. 

O dízimo é para nossos dias? Sim, tanto no VT como no NT os participativos devem entregar o dízimo das suas rendas: 

I ) O DÍZIMO ANTES DA LEI

a)                 Abraão (sob aliança, Gn 14:18-20). 

b)                 b) Jacó (sob aliança, Gn   28:22). 

II) O DÍZIMO SOB A LEI: Israel, aliança mosaica (Lv 27.30-33; Nm 18.20-24; 25-32).

III) O DÍZIMO SOB A GRAÇA: JESUS  confirmou o dízimo. O dízimo não era da lei, mas antes da lei (Mt 23.33; Lc 11:42; 18.12; Hb 7.1-21).

“Roubará o homem a DEUS? todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos: Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento n a minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Ml 3.8-10). 

 

 

PRINCÍPIOS DO DAR

a) Dar-nos primeiramente ao Senhor (II Co 8.5).

b) Dar de boa vontade (II Co 8:3-12).

c) Dar com alegria (II Co 9:7).

d) Dar com generosidade, com liberalidade (II Co 8.2; 9.13). 

e) Dar proporcionalmente (II Co 9.6; 8.14-15). 

f) Dar regularmente (I Co 16.1-2). 

g) Dar sistematicamente (II Co 9.7). 

h) Dar com amor (II Co 8.24). 

i) Dar com gratidão (II Co 9.11-12). 

j) Dar como ministração ao Senhor e seus santos (II Co 9.12- 13). 

 

DESTAQUE: O que dá pela LEI, dá por obrigação. O que dá por AMOR, dá por prazer. Louvado seja DEUS. 

CONCLUSÃO

 Hoje alguns grupos, até evangélicos, vivem uma verdadeira exploração das pessoas bem intencionadas, em relação ao dinheiro. Há denominações que administram bem os seus dízimos e ofertas, à estas que o tempo já demonstrou responsabilidade e compromisso com o Reino de DEUS,  são dignas de receberem os dízimos e ofertas de seus membros, porque neste caso está administrando o trabalho e a dignidade de vida de cada um. Sejamos dizimistas. 

INTERAÇÃO

Professor, nesta lição você terá a oportunidade de ensinar a seus alunos que o dízimo e as ofertas não são apenas uma obrigação ou responsabilidade, mas, acima de tudo, um privilégio.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para enriquecer o conhecimento de seus alunos acerca do dízimo, faça a seguinte atividade: Solicite à classe que leia as referências indicadas sobre o dízimo e descubra os propósitos, princípios e verdades relacionadas ao tema na Bíblia.

Lv 27.30-32 - Os dízimos pertencem ao Senhor. O povo deveria dar os dízimos de todos os produtos da terra e dos rebanhos.

Nm 18.21-32 - Um dos propósitos do dízimo era o sustento dos levitas em troca dos serviços prestados na tenda da congregação; por sua vez, os levitas davam os dízimos dos dízimos ao sacerdote.

Dt 14.28,29 - Outro propósito era auxiliar aos necessitados.

Dt 26.25; Ml 3.8,10 - Assim como DEUS dera bênçãos a seu povo, os que as receberam deviam reparti-las com os menos favorecidos. Dar o dízimo, portanto, traria bênçãos divinas, retê-lo traria a maldição.

De início, escreva no quadro de giz apenas as referências. Seus alunos deverão lê-las e interpretar o texto. É natural que tenham dificuldades. Porém, ajude-os com um breve comentário sobre cada texto.

 

CONCLUSÃO

Os dízimos e as ofertas, ato de ações de graças.

O ofertar faz parte tanto do nosso culto público como individual.

Palavra Chave: Contribuição: Em Romanos 12.8 é o ato pelo qual o crente compassivo contribui generosamente com sua renda, a fim de sustentar a igreja em suas necessidades materiais.

SINOPSE DO TÓPICO (1): Os dízimos e as ofertas integram a mordomia cristã e são meios materiais pelos quais reconhecemos a soberania do Senhor sobre nossas finanças.

SINOPSE DO TÓPICO (2): Agradar a DEUS, sustentar a obra do Senhor e auxiliar os necessitados da igreja local são alguns dos motivos pelos quais é necessário o exercício da contribuição voluntária na obra do Senhor.

SINOPSE DO TÓPICO (3): O ensino a respeito da contribuição financeira para sustento da Ceara do Mestre e minorar as necessidades dos crentes é confirmado no Antigo e Novo Testamento e pela prática da igreja cristã primitiva.

 

 

 

Por que devo ser um dizimista?

Hernandes Dias Lopes

Trecho retirado do livro “Mensagens Selecionadas”.

Fonte: http://www.lagoinha.com/ibl-igreja/por-que-devo-ser-um-dizimista/

 

Estudo de célula do Jornal Atos Hoje - 20/01/2008 “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.” (Ml 3.10.)

O dízimo é um tema polêmico. Alguns crentes sinceros questionam sua prática. Outros não estão convencidos de que o Novo Testamento trate dessa matéria com clareza. Há aqueles que preferem dar ocasionalmente uma oferta, buscando com isso substituir a prática do dízimo. Alguns outros, porém, seja por amor ao dinheiro, seja por dificuldades financeiras, não conseguem entregar as primícias da sua renda a Deus. Há ainda aqueles que se dizem dizimistas, mas não são regulares na entrega de seus dízimos. Ainda outros se sentem no direito de administrar o próprio dízimo, entregando-o onde bem entendem. Finalmente, há os que entregam parte do dízimo como se estivessem entregando-o integralmente. O que a Palavra de Deus tem a nos ensinar sobre esse tão importante assunto?

1 – O ensino sobre o dízimo está presente em toda a Escritura (Ml 3.8-12) – O dízimo está presente antes da lei (Gn 14.20; 28.22), na lei (Nm 18.21-26), nos livros históricos (Ne 13.10-12),  nos livros poéticos (PV 3.9-10), nos livros proféticos (Ml 3.8-12), bem como nos evangelhos (Mt 23.23) e também nas cartas gerais (Hb 7.8). A prática do dízimo fez parte do sacerdócio de Cristo, pois é ele quem recebe os dízimos (Hb 7.8). Podemos até discordar da prática do dízimo, mas não podemos negar que seu ensino seja claro em toda a Bíblia.

2 – A retenção do dízimo é um sinal de decadência espiritual (Ne 13.11; Ml 3.9) – Estude atentamente a Escritura e você verá que, sempre que o povo de Deus vivia um tempo de esfriamento espiritual, a primeira coisa que ele deixava de fazer era entregar o dízimo com fidelidade. Por outro lado, sempre que o povo se voltava para Deus em arrependimento, a prática do dízimo era restabelecida. O dízimo era uma espécie de termômetro espiritual do povo de Deus.

3 – A entrega do dízimo é um ato de obediência a Deus (Ml 3.10) – Os mandamentos de Deus nos são dados para serem cumpridos. Deus nunca nos dá ordem sem nos dar poder para cumpri-la. Há alegria e recompensa na obediência, muito embora nossa motivação em entregar o dízimo não seja a de alcançar os favores de Deus, mas glorificá-lo. Quando um servo de Deus o honra com as primícias de toda a sua renda, Deus promete encher seus celeiros e fartar de vinho seus lagares (Pv 3.9-10). Quando um servo de Deus traz todos os dízimos à casa do Tesouro, Deus promete repreender o devorador e abrir as janelas do céu (Ml 3.10-12).

4 – A entrega do dízimo é um passo de fé (Ml 3.7) – Antes de Deus ordenar a seu povo que trouxesse o dízimo, ordenou-lhe trazer o coração (Ml 3.6-10). Os fariseus traziam o dízimo, mas não o coração, e Jesus os chamou de hipócritas (Mt 23.23). Quando o coração se volta para Deus, o bolso também se abre. Deus nos mandou fazer prova dele (Ml 3.10). Nossa confiança precisa estar no provedor, mais do que na provisão. O dizimista sabe que noventa por cento com a bênção de Deus vale mais do que cem por cento sob sua maldição.

5 – O dízimo é o recurso de Deus para o sustento da sua obra (Ne 13.11-12) – O dízimo não é nosso; é de Deus. Ele é santo ao Senhor. O dízimo não é da igreja; é o Senhor Jesus quem o recebe (Hb 7.8). O dízimo é primícia, e não sobra. É dívida, e não oferta. É ordem divina, e não opção nossa. Reter o dízimo é desamparar a casa de Deus. No entanto, trazer todos os dízimos à casa do Tesouro é ser cooperador com Deus no sustento da sua obra, na expansão do seu Reino e na proclamação do evangelho até os confins da terra. Conclamo você a examinar seu coração e a corrigir essa área vital da sua vida com Deus. Não adie mais essa atitude de ser um dizimista fiel e honrar o Senhor com as primícias de toda a sua renda.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Devocional

“A verdadeira oferta no espírito da liberdade”.

Daí, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão’ (Lc 6.38a). Nessas palavras, JESUS - o Mestre - deu-nos um resumo do plano total de libertação de DEUS. Ele transcende às questões de dinheiro, embora as inclua; entendê-lo é apropriar-se da Chave do Mestre. Significa aprender a ofertar no espírito divino. A compreensão genuína faz a diferença. Se você crescer no conhecimento do coração de DEUS, irá cultivar a verdadeira oferta no espírito da liberdade. Isto o levará além dos programas de formulação humana, regulamentos, etc. É algo que conta com pleno respaldo bíblico. A oferta feita com alegria e louvor (nascida da oração e do ESPÍRITO ao invés de promoções e sistemas) dá lugar à verdadeira generosidade, e possibilita a libertação completa do espírito de mesquinhez. Crescer, conhecer, ver e ofertar, tudo deve estar em compasso com o coração de JESUS . Tais coisas afastar-nos-ão da tradição morta, de um lado; e de outro, do ‘evangelismo-saúde-riqueza’. Por quê? Porque o contribuir torna-se arraigado no espírito das palavras de JESUS . Examine melhor o texto que lemos, e meditemos juntos em cada frase.” [10]

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:

HAYFORD, Jack. A chave de tudo. RJ: CPAD, 1994.

LIMA, P.César. Dizimista, eu? RJ: CPAD, 1998.

SILVA, S. da. O crente e a prosperidade. RJ: CPAD, 1992.

SOUZA, B. de. As chaves do sucesso financeiro. RJ: CPAD, 2001.  

SAIBA MAIS na Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 34, p.39.

 

APLICAÇÃO PESSOAL

A promessa dada por DEUS através de Malaquias impõe uma condição: primeiro trazer os dízimos, depois fazer prova do Senhor, que garante derramar bênção tal, trazendo maior abastança. Porém, é preciso que fique claro: isto não anula as aflições da vida, onde podem aparecer os momentos de sequidão. Agora, com certeza garante vitória aos que, com fidelidade em tudo, atravessam estas horas mais difíceis, pois a Palavra de DEUS jamais cai por terra. Fazer prova não é chantagear o Senhor, mas saber que Ele é recíproco para conosco, se cumprirmos a nossa parte. “Se vós estiverdes em mim”, disse Ele, “e as minhas palavras estiverem em vós”.

 

 

 

ROUBARÁ O HOMEM A DEUS?

Os israelitas roubavam a DEUS ao deixarem de lhe trazer os dízimos (a décima parte do que ganhavam). O dízimo era exigido pela Lei de Moisés (Lv 27.30).

(1) Por isto, DEUS ameaça com maldições os que, egoisticamente, recusam-se a contribuir (vv. 8,9), e promete abençoar os que sustentam a sua obra (vv. 10-12).

(2) Os crentes do NT têm a obrigação de contribuir com os seus dízimos para manter a obra do Senhor tanto local quanto no campo missionário (ver 2 Co 8.2 ).

 

DERRAMAR SOBRE VÓS UMA BÊNÇÃO

Se o povo se arrependesse e se voltasse ao Senhor, e como sinal de seu arrependimento, passasse a sustentar a obra de DEUS e os seus ministros com os dízimos e ofertas, o Senhor o abençoaria de forma abundante. DEUS espera que demonstremos amor e devoção a Ele e à sua obra por meio dos dízimos e ofertas para que o seu reino seja promovido. As bênçãos que acompanham a fidelidade na contribuição financeira virão tanto nesta vida como na do porvir.

Publicado no site Estudos Bíblicos EBD

 

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Erros acerca da contribuição

1. Algumas pessoas se julgam superiores aos que administram a igreja, não entregando o dízimo, mas investindo-o em esmolas ou em sustento de missionário. Pensemos que Atos 5.1-11 trata de um casal que mentiu ao Espírito Santo. Se fosse algo somente do AT, certamente Deus não seria severo com eles. Ou seja, pense que a infidelidade na entrega está relacionada naquilo que você professou na igreja, em ser fiel aos dogmas da igreja, em obedecer a mesma enquanto esta for fiel à Palavra.

2. Se você faz parte de uma nova igreja, e saiu de outra, contribua na que você faz parte e não à antiga igreja.

3. Quando você devolve o dízimo, você não está dando ao pastor, mas a Deus.

4. Não trate o dízimo e sua oferta como esmola. Não se preocupe: a igreja não depende de você. Somos todos dispensáveis. Deus não depende de você e do que você faz, mas por obediência ao Senhor, você traz suas ofertas e dízimos.

5. Não espere sobrar dinheiro para ser fiel. Está errado. Tire em primeiro o seu dízimo.

6. Você não paga o dízimo. A igreja não é clube com mensalidade. É a Casa De Deus que precisa ser sustentada pelos seus membros. Caso você seja de fato um membro da igreja, então deve entender que Deus lhe requer a fidelidade em tudo, inclusive nas finanças. Não paga, devolve parte do que o Senhor te deu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Porque Professar a Fé na Igreja

Nossa igreja não tem a pretensão de ser conhecida apenas por um lugar de salvação onde as pessoas chegam para ouvir a poderosa Palavra de Deus. Só a proclamação do Evangelho não a torna Igreja. Ela é muito mais que uma organização evangelística, é uma comunidade.

Nossa comunidade é formada por membros comungantes e não comungantes. Os membros comungantes são aqueles que foram batizados e professaram sua fé em Jesus Cristo, com seu Senhor e Salvador, em culto público. Os membros não comungantes são os membros menores de 18 anos que não foram professos, apenas batizados quando pequenos. Por isso devem em tempo oportuno, fazer sua profissão de fé. Não cremos em uma idade exata. Uma vez que a pessoa creia em Jesus, tenha uma vida reta de acordo com a palavra, deseja em seu coração assumir seu papel junto ao Corpo (Igreja), tal pessoa poderá procurar o pastor ou a liderança para Profissão de Fé. Precisa ser orientada em relação à doutrina, à vida comum na igreja, e em todos os aspectos que dizem respeito à uma igreja.

Veja que os membros comungantes têm a participação de todos os privilégios da igreja, como os sacramentos, a escolha de um pastor, etc.

Para dar este passo, pense nisso

1. O que é preciso saber além de uma mera identificação com a igreja local. Veja como ela pensa, qual a sua doutrina, enfim, avalie onde está pisando.

2. É necessário ser chamado para o cristianismo e frequentar os cultos regularmente? Sim, faz parte da vida espiritual a necessidade de se tornar membro de uma igreja. Assim, estar envolvido nas atividades da igreja é pré-requisito para se atestar que você é um crente. Estar rodando entre várias igrejas não faz de você alguém comprometido com a vontade de Deus. Se fosse assim, não existiria igreja local. Seria sempre itinerante.  Frequente a igreja. Desenvolva seus dons. Use-os ali, pois fora dali, pode ser que você em seus afazeres não tenha tempo.

3. Rol de membros é importante? Sim. Pois através dele você poderá ser cuidado, poderá ser assistido, poderá participar dos passos e direitos da igreja. Fazer parte de um rol de membros é dizer que você pertence a uma igreja. Deve haver uma identificação com a igreja com a qual você convive. Não adianta estar hoje e não estar amanhã, pois assim você não será colocada com pessoa comprometida. Este rol ajuda à liderança a manter uma estatística de crescimento e maturidade, com a busca de recursos e criação de métodos para ensino da Palavra. Se você não é comprometido, como poderá ensinar seus filhos e amigos que a igreja é importante para sua vida se você mesmo não está arrolado como membro da tal comunidade? É questão também de testemunho.

 

Mas me perguntaria: porque, afinal, devo professar a fé?

Leia com atenção o texto abaixo

Porque a Profissão de Fé, se Batismo já é a marca?

Veja, o batismo é um ato que te liga ao Reino de Deus e atesta às pessoas que você é o cara. Você é da Igreja de Deus. Amém. Bem, a Profissão de Fé é um ato da Igreja Presbiteriana do Brasil, onde a pessoa que foi batizada poderá professar publicamente sua fé em Deus, na obra de Jesus e que concorda com o sistema de governo presbiteriano, que você irá aprender.

Quando o pastor e a igreja entendem que você sabe estas coisas e quer assumi-las como verdades fundamentais para sua vida, você pode vir e professar a fé. É importante alguns detalhes para que você possa dar este passo, mas essencialmente, você deve ter consciência do que Deus fez e quer de você.

Por isso precisamos fazer isto. Tem alguns fatos que te permitirão entender melhor o que digo.

Por exemplo, temos três símbolos de fé, a saber, a Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior de Westminster e o Catecismo menor de Westminster. Ops! Quanto nome difícil. Na verdade, eles são uma forma mais interessante de expor os ensinos bíblicos em forma de perguntas e assuntos. É muito massa e não foge de nada da Bíblia. Então, quando você faz a Profissão de Fé, você diz que concorda com eles. Olha, para saber deles, nós podemos ver e quem sabe, estudar mais profundamente. Eles existem em formato Word na internet. É só baixar e mandar ver.

Você sabia que nossa Igreja tem uma Constituição, como nosso país? É mesmo. Tem e é demais. Ela diz como funciona cada parta da Igreja, cada pessoa na Igreja. Vale a pena conhecer. Você conhece a tua Igreja por aí.

 

“Deus não se torna maior se você o reverencia, mas você se torna maior se o serve”. (Agostinho)

 

Passos importantes para se tornar parte do Corpo Visível de Cristo, a Igreja

Meu querido, se você está recebendo este material, certamente é um potencial candidato a se tornar um membro da Igreja Presbiteriana de Maanaim. Muitos ficam amedrontados, pois isto envolve alguns detalhes como cuidado da vida pessoal, bom testemunho junto aos não crentes e aos irmãos, enfim, causam certo receio com algumas perguntas: será que vou conseguir? Será esta a hora certa? Será que vou ter que ser um “crentão chato” e sem poder aproveitar a vida?

Mas temos que ter consciência de momentos importantes na vida do povo de Deus.

Tudo se relaciona com o aspecto de obediência, promessa e aliança.

 

Vamos pensar em cada um deles.

1.                  Obediência – Deus, lá no passado, instituiu um povo que levava o seu nome. Ele pactuava com este povo para o abençoar. Mas tudo girava em torno de uma Lei que era dada, a fim de que os mesmos a seguissem para atingir coração sábio, vitória e agradar ao seu Deus. Em muitos casos este povo prevaricou, ou seja, abriu mão de servir a Deus para simplesmente estar com as outras nações. Isto implicava em desobediência de todos. Fossem líderes ou não, acabavam debaixo do juízo de Deus. Assim, temos que ter em mente que no tempo de Adão e Eva a idéia era obedecer a Deus. De forma plena e de todo o coração. Mas seguiram seus instintos e se deram mal. Deus os privou da vida, lançando-os na morte. Seus filhos tiveram o mesmo destino porque não souberam dar o seu melhor, o seu primeiro a Deus. Não souberam obedecer. Escolheram caminhos que não eram regidos pelo seu Senhor.

Após esta longa caminhada, já instituída a idéia de povo, continuaram sua caminhada recebendo as leis via Moisés. Pergunto: conseguiram obedecer? Não. Criaram sentimentos contrários à santidade de Deus. O que Deus queria mostrar era que não deveriam se misturar com as nações pagãs. Não era só uma questão de se misturar ou não, mas de obedecer. Tomaram por esposas e esposos gente estranha ao mandato de Deus, que não levava o nome do Senhor. Isto nos leva ainda a meditar que o anjo no passado havia marcado a casa de quem era de Deus, para poder castigar os que na eram. Se havia a marca, então não havia morte. Com o passar dos muitos anos, Jesus, em seu tempo, vem aperfeiçoar todo aspecto de obras e lançar sobre ele a responsabilidade de dar a vida por seu povo uma vez por todas. Ele conseguiu. Sabem porque? Porque obedeceu até a morte. Ele poderia abrir mão, como Adão abriu? Sim. Mas escolheu obedecer. E deixou algumas ordens. Uma delas é o fazer parte da comunidade que Ele havia instituído a Igreja. Não era, claro, a Igreja Presbiteriana do Brasil, mas era a Igreja de Cristo. Não se pode ser chamado cristão longe desta comunidade. Percebam: comunidade envolve algo em comum entre uma geração de pessoas. Ele disse que aqueles que crerem e forem batizados serão salvo. Não tem outro modo. E para fazer parte desta comunidade invisível que é a Igreja de Jesus, tem-se que ser membro efetivo da Igreja visível. Não tem outro caminho.

Obediência envolve toda a sua vida. Obediência envolve escolher certo. Nascer na igreja não nos faz salvos, mas nos dá idéia de sermos parte de um povo escolhido. No entanto, já em sua condição de ser pensante, que pode ser influenciado pelas Sagradas Escritura pelo poder do Espírito Santo, então chega um momento em que este passo deve ser dado. Se você não o dá por conta de achar que tem que esperar, certamente ter que fazer a leitura de que Deus não tem comprometimento algum com sua vida.

Ele diz em sua palavra que aqueles que o amam, serão amados por Deus Pai. E serão conhecidos por obedecerem a Palavra. E o batismo é uma ordenança. Isto significa que é uma ordem, tanto quanto ser testemunha de Jesus onde você estiver. Ninguém conhece a Deus sem ler a Bíblia. Mentira redonda que um crente é filho de Deus e o conhece sem ter sequer lido a Bíblia. Pode ter sido alcançado pela pregação, mas as árvores são conhecidas pelos seus frutos. E filhos da Luz produzem frutos sempre.

Claro, é uma leitura pesada, densa, cheia de ordens. Mas se Jesus estivesse aqui, e perguntasse a você se queria segui-lo, você com certeza diria sim. E de repente Ele diria: Olha o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. Dura esta palavra. Disse assim aos seus seguidores, disse assim aos escribas e fariseus e diz isto hoje para você. Venha, siga-me. Prepare-se. Será uma vida de obediência ao Senhor que te salvou. Leia a Bíblia, leia com atenção. Leia como alguém que irá receber uma instrução de um manual para funcionar bem e de acordo com o fabricante.

2.                  Promessa – Esta colada a idéia de obediência as promessas que Deus fez em sua Palavra. Há infinitas promessas que irão se cumprir na vida do povo de Deus. Eu disse, povo de Deus e não gente que diz ser e não quer nada com a Igreja de Cristo. Como pode Ele negar-se a sim mesmo e à sua palavra se porventura Ele diz que é Senhor de um povo e o abençoará, porém sem ser parte do povo a pessoa recebe alguma promessa. Não devemos confundir aqui a graça comum, como a chuva que se derrama sobre todos os seres humanos. Podemos aqui enfatizar o exemplo do maná em meio ao deserto. Deus prometeu sustento, manutenção e vitória. Enquanto obedientes, receberam cada tostão de promessas dadas. Senão Deus estaria sendo como grande mentiroso. E você acha que Ele mente? Claro que não. Ele não é como nós que dizemos que somos dele, mas não fazemos a vontade dele. Você conhece as promessas que Ele tem para sua vida? Não? Estão na Bíblia meu querido e minha querida. Certamente você não tem lido a Palavra como devia. Que tal um desafio? Vamos começar hoje mesmo a colocar em prática a leitura diária da Bíblia, lendo-a neste ano todo? Que tal? Aceita este desafio? Bem, por falar em desafio, você conhecendo a Palavra de Deus, saberá que há múltipla promessas do Senhor para sua vida, para seus familiares, para seus filhos, para tudo o que você for fazer. O livro dos Provérbios de Salomão mostra o ensino de algo preciso, quando diz que se seguir os ensinos dos pais, na palavra, teus dias serão de bênção. E isto será por guia em tudo o que fizer. Me conta uma coisa: quanto tempo você gasta com coisas deste mundo, como novelas, saídas, brincadeiras, namoro, vídeo-games, etc? Quanto? Tudo isto? E com a Palavra de Deus? Vich... só isto? É pouco, não acha? Pois bem, como então Deus irá mostrar para você algo que sequer você está interessado em saber? É meu amado, você deve estar se perguntando ou se analisando... ou quem sabe dizendo, que texto chato... que pastor chato... poxa, eu quero é mais aproveitar enquanto tenho saúde...depois eu curto uma de Igreja... depois... depois... Mas lembre-se, Deus o quer agora. Ele não tem compromisso nenhum com você. Afinal que está retardando o tempo de vir e assumir a Igreja como algo maravilhoso para sua vida é você. Algo importante que acho ser necessário dizer também é que se você foi plantado numa igreja específica, certamente Deus te deu dons. E este dom, mesmo que você negue, deve ser usado para o aperfeiçoamento dos santos (crentes) no conhecimento de Jesus. Portanto, enterrar talentos é algo criminoso aos olhos do Senhor. É como sonegar imposto. É roubar a Deus. Ele deus para você usar. Use. Obedeça. Viva cada detalhe da Palavra de Deus. Viva as promessas do Senhor em tua vida.

3.                  Aliança – Muitos que conhecemos, que passaram pela Igreja de Cristo, agora estão fora da Igreja, frios, sem vontade de estar com os irmãos, preferindo fazer escolhas outras que não a Casa de Deus. Davi era um cara feliz, pois quando alguém dizia a ele “vamos à Casa do Senhor”, ele ficava alegre. Veja isto no Salmo 122. Agora, porque ele ficava feliz? Ele certamente tinha em mente alguns princípios que regiam sua vida e um deles era a consciência da Aliança que Deus fizera com ele e seus pais. Assim, para ele era uma relação de prazer estar na Casa de quem o chamou. Mas, pergunto a você: porque você não sente isto? Porque você tem preferências tantas e deixa sua vida de comunhão com Deus em segundo plano? Pois bem, se damos o segundo lugar a Deus, certamente somos por ele rejeitados. Não falo de salvação aqui. Falo de comprometimento com o Deus que te salvou. Bem, presumo que você tenha certeza de que além de ter aprendido que Jesus é o Senhor, que morreu por você e ressuscitou e que voltará para julgar a Terra... sim, espero que isto não seja apenas um legado de Escola Bíblica ou um mero ensino de papai e de mamãe. Se isto não for uma Verdade impressa em teu coração, não tem valor algum. Pois se aceitamos esta idéia, certamente entendemos o que é uma aliança. A Aliança que Deus estabeleceu com os pais do Antigo Testamento, certamente tem reflexos na Aliança que Deus estabeleceu com você hoje. Isto envolve comprometimento com a Igreja. Davi era comprometido com as festas, com a Lei, com os sacrifícios, com o serviço na Casa de Deus. E assim, Jesus desafia você a se comprometer com a Aliança feita no sangue dele. No passado, o sinal da Aliança era a circuncisão. Um homem que pertencia ao povo de Deus era marcado na pele, pelo corte de seu prepúcio, a fim de ter uma identificação como povo do Senhor. Era uma marca registrada. Quando olhavam aquele homem, de alguma maneira era identificável. Mas algo que marca este fato, é que era um ato de obediência dos pais, e da pessoa que porventura faria parte de Israel. Então, para ser considerada como gente de Deus, precisava passar por este passo. Não tinha para onde correr mesmo. Ou era ou não era. Com o passar dos anos, os profetas chamaram a atenção do povo porque esta circuncisão não era mais importante para eles. Passavam a cortar a sua carne, ter a marca no corpo, mas seus corações estavam bem longe de Deus. E assim Deus os castigava. Eram tolos, duros de coração e ignorantes, pois trocavam a glória do Deus altíssimo pela glória de si mesmos. Quando passamos a andar conforme nossos próprios caminhos e desejos, estamos em pecado e pode contar, vem retaliação. Deus não quer que seu povo se perca. E como um pai, Ele vai buscar da maneira quiser e onde estiver. Não se trata de dor, mas de romper uma aliança que Deus estabeleceu. Mais tarde, Deus enviou seu Filho amado, Jesus. Então foi instituído o sacramento chamado Batismo. Este seria o sinal que Jesus ordenara para servir de marca registrada. O lavar da água, como símbolo, agora seria regenerador, pela presença e ação do Espírito Santo. Então quem quer ser chamado povo de Deus, deve, obrigatoriamente, passar pela água do Batismo. Não discutiremos a forma do Batismo, mas a sua importância para o crente. Hoje, temos pessoas que foram batizadas, mas que estão fora da Igreja. Ou pessoas que estão na Igreja, mas que não querem saber de nada com o serviço cristão. Querem muito é saber de seus cursos, de seu status como ser humano, de seu ajuntamento de posses, de sua vida amorosa, de sua vida social. No entanto, não é diferente do passado profético. Tais pessoas perderam seu amor por Deus. Goste ou não de ler isto, mas a verdade é esta. À vezes fico a pensar no que Jesus deveria fazer para atrair tais pessoas, se a sua morte já fora conhecida e aceita, mas que não gera mais a vida. O que, afinal de contas poderá ser feito? Deus o sabe. O sinal, Batismo, será por um compromisso com o Deus da Aliança, com o Cristo vivo que é Senhor da Aliança, e com a Casa de Deus, único lugar onde poderemos demonstrar nosso compromisso. Opa! Não devo dar testemunho aí fora então? Claro que deve. Deve porque é uma das ordens dadas pelo Senhor Jesus, de irmos e sermos testemunhas de sua obra. E se Ele fez algo por você, você tem a ordem de compartilhar. Se de fato é de Cristo. Senão é ímpio. Conhece-se uma árvore pelos seus frutos. Jovens que não têm compromisso com a Aliança demoram em vir ao Batismo, quando vêm, vem sujos, cheio de marcas negativas do pecado e da transgressão. É fato que é uma escolha pessoal. Mas escolher ou trocar o certo pelo duvidoso é a mesma coisa que cuspir em Cristo, como fizeram no passado; é expô-lo à vergonha. Jesus tem chamado você a cada dia. Não demore, vem. A Casa de Deus te recebe e te abençoa. Não tem outro lugar. Sinta-se parte do povo de Deus e seja batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A trindade está envolvida e comprometida com esta ação. A Aliança é representada pelo Batismo. Não se esqueça disso. Pense: Porque Jesus foi batizado? Ele não era o Messias? Pense.

Temos que discutir algumas coisas: porque devo estar na igreja, nas atividades todas? Porque a Profissão de Fé, se Batismo já é a marca? Se vou ao culto da noite do domingo, porque então ir nos outros? Porque acordar cedo para a Escola Bíblica?

 

Calma! Não se preocupe. Tudo está relacionado com o termo “compromisso”. Você, ao assinar um contrato de casamento, de compra ou locação, lê sempre uma pergunta: Concorda, vai fazer a sua parte? Vai cumprir com todos os requisitos deste contrato? Mas lá no final de cada contrato, também lê algo interessante. São as punições pela transgressão de alguma parte. E a parte que quebrou o contrato paga o preço de ter rompido uma “Aliança”, um “Acordo”... e no final de tudo... não se pode mais fazer, porque agora é tarde, seu nome está vinculado (ligado) à sujeira ou a idéia de quem não tem compromisso.

Pois bem, a idéia é bem esta.

Uma pessoa ao ser batizada diz estar de acordo com a Bíblia, que ela é regra de fé e prática. Se foi batizada na infância, a responsabilidade de manter a Aliança é dos pais, até a idade da razão. Ou seja, quando você foi batizada na infância e sai dos caminhos de Deus, você desonra seus pais, a Deus e a Aliança. Vira tudo uma bagunça. Jogou tudo pela janela.

Não concorda com isto? Então leia a Bíblia e vai ver ali um montão de passagens que me dão a certeza disso que escrevi. Ops!  O pastor ta bravo! Que nada... eu sei como é ser ignorante e não fazer parte da Igreja de Cristo. Sei bem o que é sair dos caminhos de Deus. Sei o que é dizer a Deus com meus atos que Ele errou, que Ele é sem importância. Querem fazer isto? Não? Opa! Então ainda estamos juntos nesta.

 

A Profissão de Fé é a Declaração Pública feita por aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. É imitar as palavras de Pedro, quando diz em Mateus 16.16:

Respondendo Simão Pedro, disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

A Igreja Presbiteriana obedecendo ao ensino bíblico exige que aqueles que desejam se tornar membros da façam sua Profissão de Fé. Neste ato solene, a pessoa declara que Jesus veio ao mundo, que é o Filho de Deus, único mediador entre Deus e os homens, que morreu na cruz do calvário para remissão dos seus amados e perdão de seus pecados, que através desta morte o povo de Deus é reconciliado como Senhor e que há a justificação pela fé, que ressuscitou de entre os mortos, que subiu aos céus e está à direita de Deus Pai, de onde virá para julgar vivos e mortos. Declara também que a Bíblia é sua regra de Fe e prática dada por Deus ao seu povo e que assume o compromisso com a igreja e a Palavra.

 

A Profissão de Fé é:

Exigência de JesusMateus 10.32-33

NecessidadeRomanos 10.9-10

Condição de uma evangelização honestaAtos 1.8; Marcos 16.15

 

Precisamos fazer a Profissão de Fé porque precisamos mostrar às pessoas que não nos envergonhamos do nosso compromisso com Jesus. Isso é princípio bíblico: Mateus 10.32-33; Atos 1.8; Romanos 10.9-10.

Assim, quando professamos a fé, declaramos a todos nossa identidade com uma igreja, dizemos a que grupo pertencemos, e se de fato a comunidade pode contar conosco.

 

Perguntas básicas a uma pessoa que irá professar a fé:

1. Você tem certeza da salvação?

2. Você aceita a Bíblia como PALAVRA DE DEUS? Tem lido a Bíblia diariamente?

3. O que significa crer em Jesus?

4. O que é uma vida de oração?

5. O que representa a Igreja para você?

6. Você tem frequentado assiduamente?

7. Como anda seu testemunho dentro e fora da igreja?

8. Qual o grau de vontade de ser batizado e professar a fé?

9. O que pensa da Ceia?

10. O que pensa da eternidade?

11. Onde irá passá-la?

 

 

 

O Significado do Batismo[11]

Rev. Ronald Hanko

É frequentemente alegado que a palavra batismo do Novo Testamento significa apenas “imergir” ou “submergir”. Sem entrar aqui no todo da questão sobre o modo do batismo, um pequeno estudo da palavra mostrará que este não é o caso.

Tal estudo mostrará que há várias passagens no Novo Testamento nas quais a palavra batismo não pode e não têm o significado de “imergir/submergir”. Imploramos, portanto, que aqueles que crêem de outra forma, ouçam nosso lado da questão e não nos acusem cegamente de seguir tradições humanas ao não praticar o batismo por imersão. Batismo não significa imersão em nenhuma das seguintes passagens da Escritura:

Marcos 10:38, 39: “Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?”. Isso fala de batismo, mas entender batismo como imersão nesta passagem não tem sentido. Jesus está se referindo, sem dúvida, ao seu

O sofrimento e morte nestes versículos (veja também Lucas 12:50). Dizer que ele seria imerso no sofrimento ou morte não tem nada a ver.

1 Coríntios 10:2: “E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar”. Este versículo fala dos israelitas sendo “batizados” em Moisés. Eles não foram batizados na nuvem ou no mar, mas literalmente, no grego, “em” Moisés “pela” nuvem e mar. Pode o versículo estar dizendo que eles foram imersos em Moisés? A palavra batismo, portanto, deve significar algo mais.

1 Coríntios 1:13: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós?

ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” Aqui Paulo usa linguagem similar à de 1 Coríntios 10:2, e o próprio Jesus fala similarmente em Mateus 28:19. O que poderia significar ser imerso no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou em qualquer outro nome?

1 Coríntios 12:13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”. Pode a Palavra de Deus estar dizendo que somos imersos em um corpo? É difícil ver como isso poderia ter algum significado. De fato, a própria Palavra não fala ali de imersão, mas de beber! Versículos que falam do batismo em ou com o Espírito Santo não se referem a uma imersão, mas à efusão, derramamento ou aspersão do Espírito.

(Atos 1:5; Atos 2:17, 18). Nós não somos imersos no Espírito Santo. O que, então, a palavra batismo significa? Significa “trazer duas coisas a um contato próximo, de forma que a condição da primeira é transformada pela outra”. A palavra não diz nada sobre como este contato acontece: se por aspersão, derramamento, imersão ou qualquer outro modo. Portanto, ser batizado em Moisés, como diz 1 Coríntios 10:2, significa que Israel foi trazido a um contato com ele como o mediador apontado por Deus, um tipo daquele que haveria de vir. Desta forma, a condição deles foi transformada de escravidão à liberdade. Que Cristo foi batizado com morte não significa que ele foi imerso nela, mas que foi trazido ao contato mais próximo possível com ela, de forma que sua condição foi transforma de ser culpado diante de Deus por nossa causa, para ser justificado em nosso favor.

Quando Romanos 6:1-6 diz que fomos batizados na morte e ressurreição de Cristo, a passagem não está dizendo que de alguma forma fomos imersos nestes eventos (o que quer que isso signifique).

Ela se refere ao fato que, através da fé, fomos trazidos ao contato com sua morte e ressurreição, de tal forma que nossa condição é totalmente e para sempre transformada. Este é o significado e a realidade do batismo para os crentes.

 

A visão protestante reformada do batismo é fundamentada na teologia da Aliança de Graça. Diferente da visão católica (que foca na regeneração ex opere operato) ou da visão batista (que foca na profissão de fé individual), os reformados enxergam o batismo como o selo de uma promessa divina que abrange o crente e sua linhagem.

Aqui está um referencial estruturado com os principais pilares, autores e citações:

1. A Natureza do Sacramento: Sinal e Selo

Para os reformados, o batismo não "causa" a salvação, mas a ratifica. É um sinal visível de uma realidade invisível: a união com Cristo e a purificação dos pecados.

·                    João Calvino: O pai da tradição reformada define o sacramento como um auxílio para a nossa fé.

"O batismo é o sinal da nossa iniciação, pelo qual somos admitidos na sociedade da Igreja, a fim de que, enxertados em Cristo, sejamos contados entre os filhos de Deus." (Institutas da Religião Cristã, Livro IV, Cap. XV).

·                    Confissão de Fé de Westminster (1647):

"O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir de sinal e selo do pacto da graça." (Cap. XXVIII, Seção I).

2. A Teologia da Aliança (Paedobatismo)

O argumento central para o batismo de crianças (pedobatismo) é a continuidade entre a Circuncisão no Antigo Testamento e o Batismo no Novo Testamento. Se os filhos dos crentes no AT recebiam o sinal da aliança, não haveria razão para excluí-los no NT.

·                    Huldrych Zwingli: Foi um dos primeiros a articular que o batismo substituiu a circuncisão como marca de pertencimento à comunidade do pacto.

·                    Louis Berkhof: Teólogo sistemático que explica a inclusão orgânica da família.

"Se as crianças estavam na aliança sob o Antigo Testamento... e se o Novo Testamento não as exclui expressamente, segue-se que elas ainda estão na aliança e têm direito ao seu sinal." (Teologia Sistemática).

3. O Batismo de Crianças: Obra de Deus, não do Homem

Na visão reformada, o batismo foca na fidelidade de Deus em vez da decisão do homem. O bebê é batizado porque Deus prometeu ser "o Deus de ti e da tua descendência" (Gênesis 17:7).

·                    R.C. Sproul: Defende que o batismo é um benefício para a criança, colocando-a sob o cuidado da igreja.

"O batismo não diz que o bebê tem fé. O batismo diz que Deus prometeu a salvação a todos os que creem. O sinal é colocado na criança como um selo da promessa de Deus." (What is Baptism?).

·                    Charles Hodge:

"Os filhos de pais crentes são, em virtude do seu nascimento, membros da Igreja visível, e este privilégio é ratificado a eles no batismo." (Systematic Theology).


4. Eficácia e Modo do Batismo

A teologia reformada é flexível quanto ao modo (aspersão, efusão ou imersão), embora a aspersão seja o método tradicional por simbolizar a "aspersão do sangue de Cristo" e o derramamento do Espírito Santo.

Quadro Comparativo: Batismo Reformado vs. Outras Visões

Aspecto

Visão Reformada

Visão Católica

Visão Batista

Efeito

Sinal/Selo da Aliança

Regeneração Batismal

Declaração Pública de Fé

Alvo

Crentes e seus filhos

Todos (para remover pecado original)

Apenas crentes professos

Base

Continuidade da Aliança

Tradição e Escritura

Exclusividade do Novo Testamento

 

5. Citações de Documentos Confessionais

·                    Catecismo de Heidelberg (1563), Pergunta 74:

Pergunta: Devem os bebês também ser batizados? Resposta: Sim. Pois eles, assim como os adultos, pertencem à aliança de Deus e à sua igreja... Por meio do batismo, eles devem ser enxertados na igreja cristã e distinguidos dos filhos dos descrentes.

·                    Segunda Confissão Helvética (1566):

"Condenamos os Anabatistas, que negam que os filhos recém-nascidos dos crentes devam ser batizados. Pois, segundo a doutrina evangélica, 'dos tais é o reino de Deus'."


Autores Sugeridos para Aprofundamento:

1.                 Herman Bavinck (Dogmática Reformada, Vol. 4) - Excelente sobre a relação entre o Espírito e o Sacramento.

2.                 Michael Horton (Doutrinas da Fé Cristã) - Abordagem contemporânea da teologia do pacto.

3.                 Robert Letham (A Fé Cristã) - Foca na união mística com Cristo através do batismo.

 

Diferente da visão reformada, que foca no batismo como um "selo de promessa", a Igreja Católica compreende o batismo como ontológico e sacramentalmente eficaz. Para o catolicismo, o batismo não apenas sinaliza a graça, ele realiza o que sinaliza no momento em que é aplicado.

Aqui estão os pilares centrais do conceito católico, fundamentados no Catecismo e na tradição patrística:

1. O Batismo como Necessidade para a Salvação

A Igreja ensina que o batismo é a "porta de entrada" para a vida no Espírito e o fundamento de toda a vida cristã.

Eficácia Ex Opere Operato: Este conceito latino significa que o sacramento age "pelo próprio fato de a ação ser realizada". Ou seja, a graça não depende da santidade do ministro ou da fé imediata do bebê, mas da promessa de Cristo ligada ao rito.

Catecismo da Igreja Católica (CIC), §1213:

"O santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que dá acesso aos outros sacramentos."

2. Efeitos Regeneradores: O "Novo Nascimento"

Para o catolicismo, o batismo opera três mudanças fundamentais na alma do indivíduo:

Remissão dos Pecados: Apaga o pecado original e todos os pecados pessoais (no caso de adultos), além de toda a pena temporal devida ao pecado.

Nova Criatura: O batizado torna-se filho adotivo de Deus e participante da natureza divina.

Caráter Sacramental Indelével: O batismo imprime na alma um sinal espiritual, espiritual imaterial que jamais pode ser apagado. Por isso, para o católico, o batismo é único e nunca pode ser repetido.

3. O Batismo de Crianças (Pedobatismo)

Enquanto os reformados batizam crianças com base na Aliança de Graça, os católicos o fazem pela urgência da Regeneração.

Remoção do Pecado Original: A Igreja crê que as crianças nascem com a natureza humana decaída. O batismo é necessário para libertá-las do poder das trevas e transferi-las para o domínio da liberdade dos filhos de Deus.

Fé da Igreja: No caso de bebês, a Igreja ensina que eles são batizados na "fé da Igreja", que é professada pelos pais e padrinhos em nome deles.

4. Diferenças Cruciais: Catolicismo vs. Protestantismo Reformado

 

Ponto de Comparação

Visão Católica

Visão Reformada

Pecado Original

É efetivamente removido e a alma limpa.

A culpa é perdoada, mas a corrupção permanece (simul justus et peccator).

Necessidade

Essencial para a salvação (com exceções como Batismo de Desejo/Sangue).

Um preceito de obediência e sinal de aliança, mas não crê que a falta do rito condene.

Agência

O sacramento opera a graça de regeneração no ato.

O Espírito Santo opera a graça de acordo com Sua vontade, o rito é o selo.

 

5. Citações de Autoridades e Documentos

·                    Concílio de Trento (1545-1563):

"Se alguém disser que o batismo é livre, isto é, não necessário para a salvação — seja anátema." (Cânon V sobre o Batismo).

·                    Santo Agostinho (Doutor da Igreja): Uma das maiores influências no conceito católico, ele argumentava que o batismo é o "remédio" necessário para a ferida do pecado original herdada de Adão.

·                    Código de Direito Canônico, Cân. 849:

"O batismo... pelo qual os homens são libertados dos pecados, regenerados como filhos de Deus e, configurados com Cristo por caráter indelével, são incorporados à Igreja."

Os "Três Batismos"

A teologia católica também prevê casos onde o rito com água não ocorreu, mas o efeito é alcançado:

1.                 Batismo de Água: O rito sacramental comum.

2.                 Batismo de Sangue: O martírio de alguém que morre pela fé antes de ser batizado.

3.                 Batismo de Desejo: Quando alguém deseja sinceramente o batismo ou, sem conhecer o Evangelho, busca a vontade de Deus conforme sua consciência.

A visão Batista (ou "Credobatismo"). Essa perspectiva representa a ruptura mais radical com a tradição de batizar crianças, alterando não apenas o alvo do batismo, mas a própria compreensão da Igreja.

Aqui está o referencial estruturado para a visão batista:


1. O Princípio do Batismo do Crente (Credobatismo)

Para os batistas, o batismo é um ato de obediência e uma confissão pública de fé. Ele só pode ser administrado a quem já passou por uma experiência de conversão consciente.

·                    Rejeição do Pedobatismo: Eles argumentam que não há mandamento explícito ou exemplo claro no Novo Testamento de bebês sendo batizados.

·                    Karl Barth (Teólogo Suíço): Embora de tradição reformada, ele chocou o mundo acadêmico ao criticar o batismo infantil no fim da vida.

"O batismo sem a disposição e cooperação do batizado não é batismo de modo algum... é um batismo de água que carece do batismo do Espírito." (The Teaching of the Church Regarding Baptism).


2. Simbolismo e Modo: A Imersão

Diferente dos católicos (que veem eficácia regeneradora) e dos reformados (que veem um selo de aliança), os batistas veem o batismo como um memorial simbólico da morte e ressurreição de Cristo.

·                    O Modo: A imersão total é considerada essencial, pois simboliza o sepultamento do "velho homem" e o surgimento de uma nova criatura (Romanos 6:4).

·                    Confissão de Fé Batista de Londres (1689):

"O batismo deve ser administrado apenas àquelas pessoas que realmente professam arrependimento para com Deus e fé no nosso Senhor Jesus Cristo... o modo devido é a imersão do corpo na água."


3. A Natureza da Igreja (Eclesiologia)

Essa visão altera o conceito de quem pertence à Igreja:

1.                 Católicos/Reformados: Veem a Igreja como uma "família de aliança" que inclui crentes e seus filhos.

2.                 Batistas: Veem a Igreja como uma "comunidade de regenerados". Ou seja, apenas quem pode confessar Cristo é membro do corpo visível.

·                    C.H. Spurgeon: O famoso pregador batista era um ferrenho defensor desta distinção.

"Se você não é um crente, seu batismo é uma mentira; se você não confiou em Cristo, você foi mergulhado na água, mas não foi batizado de acordo com o padrão do Senhor."


4.                 Resumo Comparativo das Três Visões

 

Visão

Quem recebe?

O que acontece?

Conceito Chave

Católica

Bebês e adultos

A alma é regenerada e o pecado apagado.

Sacramento/Vida

Reformada

Crentes e seus filhos

Deus sela Suas promessas na vida do eleito.

Aliança/Sinal

Batista

Apenas crentes

O crente obedece e testemunha sua fé.

Ordenança/Símbolo

 

Autores Sugeridos (Visão Batista):

1.                 Balthasar Hubmaier: Um dos primeiros líderes anabatistas que defendeu o batismo como "compromisso da boa consciência".

2.                 Wayne Grudem: Teólogo contemporâneo cuja Teologia Sistemática oferece uma defesa moderna e didática do credobatismo.

3.                 John Piper: Defende a visão batista sob uma lente calvinista (Batistas Reformados).

 

A questão do re-batismo (batizar alguém que já passou pelo rito anteriormente) é um dos pontos de maior tensão teológica entre as denominações, pois mexe com a validade do sacramento e com a própria definição de quem é cristão.

Historicamente, o termo técnico para quem defende o re-batismo é anabatista (do grego ana, "novamente").


1. A Visão de Rejeição ao Re-batismo (Católicos e Reformados)

Para a Igreja Católica, Anglicana, Luterana e Presbiteriana (Reformada), o batismo é único. Se foi feito com água e em nome da Trindade, ele é considerado válido para sempre.

·                    Fundamento: O batismo é baseado na fidelidade de Deus, não na do homem. Se Deus prometeu, a promessa está selada. Repetir o batismo seria como dizer que a primeira ação de Deus falhou.

·                    Efésios 4:5: "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo."

·                    O "Caráter Indelével" (Catolicismo): A Igreja Católica ensina que o batismo imprime uma marca espiritual na alma que não pode ser removida, nem mesmo pela apostasia.

·                    Posição Reformada: João Calvino argumentava que, se você foi batizado quando bebê e depois se converteu verdadeiramente, você não precisa de um novo batismo, mas sim de se arrepender e "tomar posse" das promessas que já foram seladas sobre você na infância.


2. A Visão que Exige o "Novo" Batismo (Batistas e Pentecostais)

Para estas denominações, o que aconteceu na infância não foi um batismo real, mas apenas um rito religioso sem validade bíblica. Portanto, eles não chamam de "re-batismo", mas sim de "batismo bíblico" pela primeira vez.

·                    Lógica: Como o batismo exige fé consciente (Credobatismo), e um bebê não pode crer, o ato anterior é nulo.

·                    O argumento anabatista: Durante a Reforma, os anabatistas eram perseguidos tanto por católicos quanto por protestantes porque o re-batismo era visto como um ato de rebelião civil e heresia teológica.

·                    Contexto Atual: Batistas e a maioria das igrejas evangélicas modernas exigem que um católico ou presbiteriano que se junte a eles seja batizado por imersão, pois consideram que o batismo anterior (por aspersão ou na infância) foi inválido.


3. O Dilema do "Re-batismo" por Perda de Fé

E se alguém foi batizado na idade adulta, mas se afastou da igreja e depois voltou?

·                    Consenso Histórico: A vasta maioria das igrejas (mesmo as batistas) não re-batiza alguém que já foi batizado como adulto crente. Se a pessoa "se desviou" e voltou, ela faz uma "profissão de fé" ou "reconciliação", mas não passa pelas águas novamente.

·                    Exceções: Algumas igrejas neopentecostais ou grupos mais isolados podem sugerir um novo batismo como um símbolo de "renovação espiritual", mas isso é amplamente criticado pela teologia acadêmica como uma desvalorização do sacramento original.

4. Quadro de Validade Mútua

Se você foi batizado...

A Igreja Católica aceita?

A Igreja Reformada aceita?

A Igreja Batista aceita?

Quando bebê (Católico)

Sim

Sim (reconhece o sinal)

Não (exige novo)

Quando bebê (Presbiteriano)

Sim

Sim

Não (exige novo)

Adulto (Imersão/Batista)

Sim (se Trinitário)

Sim

Sim

Adulto (Mórmon/T. Jeová)

Não (não são Trinitários)

Não

Não

 

 

Compreendido. Focando estritamente na doutrina histórica, o debate sobre o re-batismo (ou a recusa dele) revela como cada tradição entende a autoridade da Igreja e a soberania de Deus.

Aqui estão os pontos fundamentais da evolução dessa doutrina:


1. A Polêmica de Cipriano (Século III)

Antes mesmo da Reforma, a Igreja Primitiva enfrentou o dilema: o batismo feito por "hereges" ou por clérigos que fraquejaram sob perseguição era válido?

·                    Cipriano de Cartago: Defendia que fora da Igreja não há salvação, logo, o batismo feito por grupos cismáticos era inválido. Ele exigia o re-batismo.

·                    Papa Estevão I: Ganhou a disputa teológica ao afirmar que a validade do batismo depende de Cristo e da fórmula trinitária, não da retidão de quem o administra. Essa se tornou a base da doutrina católica e, mais tarde, da reformada.

2. A "Linha de Ferro" da Reforma (Século XVI)

Um dos raros pontos em que Católicos, Luteranos e Calvinistas concordaram plenamente foi na oposição aos Anabatistas.

·                    A Posição Magisterial (Lutero/Calvino): Para eles, o batismo é um ato jurídico e espiritual de Deus. Re-batizar era visto como um sacrilégio, pois implicava que o selo de Deus poderia ser anulado pelo erro humano.

·                    O Código de Justiniano: Na época, o re-batismo era um crime civil punível com a morte. Isso explica a severa perseguição aos anabatistas, vistos não apenas como heréticos, mas como subversores da ordem social.

3. A Justificativa Teológica da Repetição

A Visão da Unicidade (Tradicional)

Baseia-se na objetividade. O batismo é algo que acontece com você (passivo).

"Se o batismo dependesse da nossa fé, teríamos que ser batizados cada vez que nossa fé vacilasse ou cada vez que pecássemos." — Martinho Lutero, defendendo que o batismo de bebês é a prova máxima de que a salvação é pela graça (Sola Gratia), pois o bebê nada oferece.

A Visão da Validade por Confissão (Anabatista/Batista)

Baseia-se na subjetividade. O batismo é algo que você faz em resposta a Deus (ativo).

Na doutrina histórica anabatista (como em Balthasar Hubmaier), o batismo de bebês não é "batismo mal feito"; é um "não-batismo". Por isso, ao batizar um adulto que foi "batizado" quando bebê, eles sustentavam que estavam realizando o primeiro e único batismo real daquela pessoa.

Documento

Posição sobre o Re-batismo

Fundamento

Credo Niceno-Constantinopolitano (381)

"Confesso um só batismo para a remissão dos pecados"

A unidade de Cristo e de Sua Igreja.

Cânones do Concílio de Trento (1547)

Condena quem diz que o batismo de heréticos (em nome da Trindade) é inválido.

Ex opere operato (eficácia do rito).

Confissão de Schleitheim (1527)

Primeira confissão anabatista; exige o batismo apenas de quem tem "emenda de vida".

Separação entre a Igreja e o mundo.

 

A controvérsia entre Santo Agostinho e os Donatistas (século IV e V) é o momento definitivo da história da Igreja em que a doutrina do re-batismo foi consolidada para o Ocidente. O que estava em jogo não era apenas um rito, mas a própria natureza da Igreja e a validade dos sacramentos.


1. O Contexto: A Crise dos Traditores

Durante a perseguição de Diocleciano, alguns clérigos cristãos, sob pressão, entregaram os livros sagrados às autoridades romanas para evitar a morte. Eles foram chamados de traditores (entregadores).

·                    O Grupo Donatista: Liderados por Donato, eles afirmavam que a Igreja deveria ser composta apenas por santos e puros. Para eles, um bispo que tivesse pecado gravemente (como a apostasia) perdia o poder de administrar sacramentos. Logo, qualquer batismo realizado por ele era inválido.

·                    A Consequência: Se um fiel quisesse entrar na igreja donatista vindo da igreja "católica" (que aceitava os pecadores arrependidos), ele deveria ser re-batizado.


2. A Resposta de Santo Agostinho

Agostinho de Hipona desenvolveu uma teologia que salvou a unidade da Igreja, mudando o foco do ministro para Cristo.

A. Ex Opere Operato (Antes do termo ser oficializado)

Agostinho argumentava que o ministro é apenas um instrumento. No batismo, quem batiza não é Pedro, Paulo ou Donato, mas o próprio Cristo.

"O Batismo pertence a Cristo, não ao cristão. O sacramento é santo em si mesmo, mesmo que seja administrado por um ministro indigno." (Sobre o Batismo, contra os Donatistas).

B. Distinção entre Sacramento e Graça

Agostinho fez uma distinção crucial para a história da teologia:

·                    O Sacramento (O Sinal): É válido se for feito com a fórmula correta (água + Trindade), mesmo entre hereges.

·                    O Efeito (A Graça): Só produz fruto de salvação se recebido na unidade e na caridade da Igreja.

·                    Conclusão: Por isso, não se deve re-batizar. Se um cismático volta para a Igreja, o batismo que ele já tinha (que estava "adormecido" ou era ineficaz pela falta de caridade) "desperta" e se torna eficaz.


3. O Legado da Controvérsia

O pensamento de Agostinho foi tão influente que moldou tanto o Catolicismo quanto o Protestantismo Reformado:

1.                 Contra o Re-batismo: Estabeleceu-se que o batismo é um ato irrepetível. Agostinho comparava o batismo ao caráter militar (o sphragis ou selo): uma vez que o soldado é marcado com o selo do imperador, a marca permanece, mesmo que ele deserte. Se ele voltar, não precisa de uma nova marca, mas de perdão.

2.                 Objetividade Sacramental: Garantiu que os fiéis não ficassem em dúvida sobre sua salvação dependendo da vida moral oculta do seu pastor ou padre.


Resumo da Doutrina de Agostinho

 

Ponto

Visão Donatista

Visão de Agostinho

Pureza da Igreja

A Igreja deve ser um campo de trigo puro.

A Igreja é um "corpo misto" (corpus permixtum) de trigo e joio.

Validade do Rito

Depende da santidade do ministro.

Depende da instituição de Cristo.

Re-batismo

Obrigatório para quem vem de fora.

Proibido, pois seria uma afronta a Cristo.

 

 

 

 

Leitura complementar sobre a história da Igreja Presbiteriana

História do Presbiterianismo - Rev. Alderi Souza de Matos

Introdução

As origens históricas mais remotas do presbiterianismo remontam aos primórdios da Reforma Protestante do século XVI. Como é bem sabido, a Reforma teve início com o questionamento do catolicismo medieval feito pelo monge alemão Martinho Lutero (1483-1546) a partir de 1517. Em pouco tempo, os seguidores desse movimento passaram a ser conhecidos como “luteranos” e a igreja que resultou do mesmo foi denominada Igreja Luterana.

Poucos anos após o início da dissidência luterana na Alemanha, surgiu na região de língua alemã da vizinha Suíça, mais precisamente na cidade de Zurique, um segundo movimento de reforma protestante, frequentemente denominado “Segunda Reforma.” Esse movimento teve como líder inicial o sacerdote Ulrico Zuínglio (1484-1531) e, pretendendo reformar a igreja de maneira mais profunda que o movimento de Lutero, passou a ser conhecido como movimento reformado, e seus seguidores como “reformados.” Assim sendo, as igrejas derivadas do movimento auto-denominaram-se igrejas reformadas.

Apesar do seu aparente radicalismo, Lutero e seus seguidores romperam com a igreja majoritária somente nos pontos em que viam conflitos irreconciliáveis com as Escrituras. Especialmente na área crucial do culto, os luteranos julgavam que era legítimo manter tudo aquilo que não fosse explicitamente proibido pela Bíblia. Já os reformados partiam de um princípio diferente, entendendo que só deviam abraçar aquilo que fosse claramente preconizado pelas Escrituras. Foi isso que os levou a uma ruptura mais profunda com o catolicismo.

I. João Calvino

Após a morte de Zuínglio em 1531, o movimento reformado passou a ter um novo líder, que revelou-se muito mais articulado e influente que o anterior: João Calvino (1509-1564). Calvino nasceu em Noyon, no nordeste da França, e ainda adolescente foi estudar teologia e humanidades em Paris. Depois de um breve período em Orléans e Bourges, quando dedicou-se ao estudo do direito, retornou a Paris para dar continuidade aos estudos humanísticos que tanto o fascinavam. Em 1532, publicou o seu primeiro livro, um comentário do tratado de Sêneca De Clementia.

O humanismo que empolgou os primeiros líderes das igrejas reformadas, Zuínglio e Calvino, foi o extraordinário movimento intelectual que marcou a transição entre a Idade Média e o período moderno. Uma das características marcantes desse movimento foi o seu profundo interesse pela antiguidade clássica, o período áureo da civilização greco-romana. Entre as obras clássicas que atraíam a atenção de muitos estava a Bíblia, particularmente o Novo Testamento. Isso levou ao surgimento de uma categoria específica de humanistas bíblicos devotados ao estudo das Escrituras em seus originais gregos e hebraicos. O maior desses humanistas cristãos foi o célebre Erasmo de Roterdã (c.1466-1536), cuja edição crítica do Novo Testamento baseada em textos gregos foi avidamente estudada e utilizada pelos reformadores suíços.

Em 1533, Calvino teve uma experiência de conversão à fé evangélica. Forçado a fugir de Paris por causa das suas novas convicções, dirigiu-se para a cidade de Angoulême. Pouco depois, começou a escrever a sua obra magna, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas, publicada em Basiléia em 1536. Nesse mesmo ano, de maneira totalmente inesperada, Calvino viu-se convocado a auxiliar a implantação da fé reformada na cidade de Genebra, na Suíça francesa. Após um interregno de três anos em Estrasburgo (1538-1541), o reformador retornou a Genebra e ali permaneceu até o final da sua vida.

Graças a sua vasta e competente produção teológica, sua habilidade como organizador e seus contatos pessoais com inúmeros indivíduos e comunidades em toda a Europa, Calvino exerceu uma poderosa influência e contribuiu para a disseminação do movimento reformado em muitos países. Em 1559, ele fundou a Academia de Genebra, que colaborou decisivamente para a formação de toda uma nova geração de líderes reformados. Dada a importância desse reformador, um novo termo surgiu para designar os reformados: “calvinistas.”

Nas Institutas, comentários bíblicos, sermões, tratados e outros escritos que produziu, Calvino articulou um sistema completo de teologia cristã que ficou conhecido como calvinismo. Esse sistema incluía normas específicas, retiradas das Escrituras, acerca da doutrina, do culto e da forma de governo das comunidades reformadas. Na base do sistema estava a ênfase no conceito da absoluta soberania de Deus como criador, preservador e redentor do mundo. A estrutura eclesiástica preconizava o governo das comunidades por presbíteros e a associação das igrejas em presbitérios regionais e em sínodos nacionais.

 

O que é IPB?

Rev. Alderi Souza de Matos

A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de igrejas que têm em comum uma história, uma forma de governo, uma teologia, bem como um padrão de culto e de vida comunitária. Historicamente, a IPB pertence à família das igrejas reformadas ao redor do mundo, tendo surgido no Brasil em 1859, como fruto do trabalho missionário da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Suas origens mais remotas encontram-se nas reformas protestantes suíça e escocesa, no século 16, lideradas por personagens como Ulrico Zuínglio, João Calvino e João Knox. O nome “igreja presbiteriana” vem da maneira como a igreja é administrada, ou seja, através de “presbíteros” eleitos democraticamente pelas comunidades locais. Essas comunidades são governadas por um “conselho” de presbíteros e estes oficiais também integram os concílios superiores da igreja, que são os presbitérios, os sínodos e o Supremo Concílio. Os presbíteros são de dois tipos: regentes (que governam) e docentes (que ensinam); estes últimos são os pastores. Atualmente, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem aproximadamente 3.840 igrejas locais, 228 presbitérios, 55 sínodos, 2.660 pastores, 370.500 membros comungantes e 133.000 membros não-comungantes (menores), estando presente em todos os estados da federação.

Quanto à sua teologia, as igrejas presbiterianas são herdeiras do pensamento do reformador João Calvino (1509-1564) e das notáveis formulações confessionais (confissões de fé e catecismos) elaboradas pelos reformados nos séculos 16 e 17. Dentre estas se destacam os documentos elaborados pela Assembléia de Westminster, reunida em Londres na década de 1640. A Confissão de Fé de Westminster, bem como os seus Catecismos Maior e Breve, são adotados oficialmente pela IPB como os seus símbolos de fé ou padrões doutrinários. Outras igrejas presbiterianas adotam documentos adicionais, como a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg. O conjunto de convicções presbiterianas, conforme expostas no pensamento de Calvino, de outros teólogos e dos citados documentos confessionais, é denominado teologia calvinista ou teologia reformada. Entre as suas ênfases estão a soberania de Deus, a eleição divina, a centralidade da Palavra e dos sacramentos, o conceito do pacto, a validade permanente da lei moral e a associação entre a piedade e o cultivo intelectual.

No seu culto, as igrejas presbiterianas procuram obedecer ao chamado princípio regulador. Isso significa que o culto deve ater-se às normas contidas na Escritura, não sendo aceitas as práticas proibidas ou não sancionadas explicitamente pela mesma. O culto presbiteriano caracteriza-se por sua ênfase teocêntrica (a centralidade do Deus triúno), simplicidade, reverência, hinódia com conteúdo bíblico e pregação expositiva. Na prática, nem todas as igrejas locais da IPB seguem criteriosamente essas normas, embora as mesmas tenham caracterizado historicamente o culto reformado. Os problemas causados pelo afastamento desses padrões têm levado muitas igrejas a reconsiderarem as suas práticas litúrgicas e resgatarem a sua herança nessa área fundamental. Quando se diz que o culto reformado é solene e respeitoso, não se implica com isso que deva ser rígido e sem vida. O verdadeiro culto a Deus é também fervoroso e alegre.

Finalmente, a vida das igrejas presbiterianas brasileiras não se restringe ao culto, por importante que seja. Essas igrejas também valorizam a educação cristã dos seus adeptos através da Escola Dominical e outros meios; congregam os seus membros em diferentes agremiações internas para comunhão e trabalho; têm a consciência de possuir uma missão dada por Deus, a ser cumprida através da evangelização e do testemunho cristão. Muitas igrejas locais se dedicam a outras atividades em favor da comunidade mais ampla, como a manutenção de escolas, creches, orfanatos, ambulatórios e outras iniciativas de promoção humana. Cada igreja possui um grupo de oficiais, os diáconos, cuja função primordial é o exercício da misericórdia cristã. O presbiterianismo tem uma visão abrangente da vida, entendendo que o evangelho de Cristo tem implicações para todas as áreas da sociedade e da cultura.

 

DE ONDE VIEMOS?

O presbiterianismo ou movimento reformado nasceu da Reforma Protestante do século 16. Tendo o protestantismo começado na Alemanha, sob a liderança de Martinho Lutero, pouco depois surgiu uma segunda manifestação do mesmo no Cantão de Zurique, na Suíça, sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico Zuínglio (1484-1531). Para distinguir-se da reforma alemã, esse novo movimento ficou conhecido como a Segunda Reforma ou Reforma Suíça. O entendimento de que a reforma suíça foi mais profunda em sua ruptura com a igreja medieval e em seu retorno às Escrituras fez com que recebesse o nome de movimento reformado e seus simpatizantes ficassem conhecidos simplesmente como “reformados”.

Ao morrer, em 1531, Zuínglio teve um hábil sucessor na pessoa de João Henrique Bullinger (1504-1575). Todavia, poucos anos depois surgiu um líder que se destacou de todos os outros por sua inteligência, dotes literários, capacidade de organização e profundidade teológica. Esse líder foi o francês João Calvino (1509-1564), que concentrou os seus esforços na cidade suíça de Genebra, onde residiu durante 25 anos. Através da sua obra magna, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas, comentários bíblicos, tratados e outros escritos, Calvino traçou os contornos básicos do presbiterianismo, tanto em termos teológicos quanto organizacionais, à luz das Escrituras Sagradas.

Graças aos seus escritos, viagens, correspondência e liderança eficaz, Calvino exerceu enorme influência em toda a Europa e contribuiu para a difusão do movimento reformado em muitas de suas regiões. Dentro de poucos anos, a fé reformada fincou sólidas raízes no sul da Alemanha (Estrasburgo, Heidelberg), na França, nos Países Baixos (as futuras Holanda e Bélgica) e no leste europeu, onde surgiram comunidades reformadas em países como a Polônia, a Lituânia, a Checoslováquia e especialmente a Hungria. Em algumas dessas nações, a reação violenta da Contra-Reforma limitou ou sufocou o novo movimento, como foram, respectivamente, os casos da França e da Polônia. As igrejas calvinistas nacionais da Europa continental ficaram conhecidas como igrejas reformadas (por exemplo, Igreja Reformada da França).

Outra região da Europa em que a fé reformada teve ampla aceitação foram as Ilhas Britânicas, particularmente a Escócia, cujo parlamento adotou o presbiterianismo como religião oficial em 1560. Para tanto foi decisiva a atuação do reformador João Knox (1514-1572), que foi discípulo de Calvino em Genebra. Foi nessa região que surgiu a designação “igreja presbiteriana”. Na Inglaterra e na Escócia dos séculos 16 e 17, o presbiterianismo representou uma posição ao mesmo tempo teológica e política. Com esse termo, as igrejas reformadas declaravam que não queriam uma igreja governada por bispos nomeados pelos reis (episcopalismo), e sim por presbíteros eleitos pelas comunidades. Foi na Inglaterra que, em meio a uma guerra civil, o parlamento convocou a Assembléia de Westminster (1643-1649), que elaborou os documentos confessionais mais amplamente aceitos pelos presbiterianos ao redor do mundo.

Nos séculos 17 e 18, milhares de calvinistas emigraram para as colônias inglesas da América do Norte. Muitos deles abraçavam a teologia de Calvino, mas não a forma de governo eclesiástico presbiterial proposta por ele. Foi esse o caso dos puritanos ingleses que se estabeleceram na Nova Inglaterra. Ao mesmo tempo, as colônias norte-americanas também receberam muitas famílias presbiterianas emigradas da Escócia e do norte da Irlanda. Foram essas pessoas que eventualmente criaram a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, cujo primeiro concílio, o Presbitério de Filadélfia, foi organizado em 1706 sob a liderança do Rev. Francis Makemie, considerado o “pai do presbiterianismo norte-americano”. O primeiro Sínodo foi organizado em 1717 e a Assembléia Geral em 1789. Em 1859, a Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos enviou ao Rio de Janeiro o Rev. Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil.

 

Por que somos presbiterianos?

Cremos que a salvação do homem não decorre de nenhum tipo de boas obras que venha a realizar, nem de alguma virtude ou mérito pessoal, mas sim do favor imerecido de Deus (Rm 3:20,24, 28; Ef 2:1-10). Em decorrência da Queda, todo ser humano nasce com uma natureza totalmente corrompida, de modo que não pode vir a agradar a Deus, a não ser pela ação soberana e eficaz do Espírito Santo, o único capaz de iluminar corações em trevas e convencer o homem do pecado, da culpa, da graça e da misericórdia de Deus em Cristo Jesus (Rm 3:19,20).

Todo ser humano em seu estado natural é escravo do pecado. O teólogo puritano Stephen Charnock observou que todo pecado é uma espécie de amaldiçoar a Deus no coração. O homem tenta destruir e banir Deus do coração, não realmente, mas virtualmente; não na intenção consciente de cada iniquidade, mas na natureza de cada pecado.[12]

A dureza de coração lhe é normal, por que ele está rígido como uma pedra (Ez 36:26-27).

O livre arbítrio perdeu-se com a Queda. A capacidade de agir contrário à própria natureza foi perdida com a escravidão do pecado. No início, Adão sendo santo foi capaz de escolher contrário à sua inclinação natural de perfeita santidade e, decidiu pecar. Tornando-se escravo do pecado, o primeiro homem livremente passou a agir de acordo com a escravidão dos desejos mais fortes da sua alma corrompida pela iniquidade, e por si mesmo é incapaz de não pecar. Ele é livre, mas a sua liberdade é usada tendenciosamente para pecar de conformidade com os impulsos de sua inclinação para o pecado. Se ele for deixado para si mesmo, ele sempre agirá de acordo com a sua disposição interna, ou seja, naturalmente sempre escolherá pecar (Rm 1: 24-32; 3:9-18; 7:7-25; Gl 5:16-21; Ef 2:1-10).

A causa da nossa salvação é devido a ação da livre e soberana graça do nosso Deus. A Confissão de Fé de Westminster declara que

todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. [13]

A dureza de coração lhe é normal, por que ele está rígido como uma pedra.

O principal emblema teológico do presbiterianismo não é a sua eclesiologia [doutrina da Igreja], mas a sua teontologia [doutrina de Deus]. A doutrina da soberania é o centro da convicção presbiteriana. Todas as demais doutrinas são diretas ou por implicação resultado deste tema unificador. Héber C. de Campos observa que o Deus que é pregado em muitos púlpitos e ensinado nas escolas dominicais, e lido em grande parte dos livros evangélicos, não passa de uma adaptação da divindade das Escrituras, uma ficção do sentimentalismo humano. Esse Deus, cuja vontade pode ser resistida, cujos desígnios podem ser frustrados e cujos propósitos podem ser derrotados, não é digno de nossa verdadeira adoração. De fato, esse não é o Deus das Escrituras. [14]

A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. W.E. Roberts de forma quase poética afirma esta verdade, declarando que quanto mais claramente Deus é compreendido e a sua soberania reconhecida, tanto mais aceitáveis e obrigatórios se tornam os seguintes princípios: o homem é um ser livre, predestinado; a vida reta é um dever perpétuo estabelecido por Deus; a responsabilidade moral do homem foi preordenada pelo Espírito Divino; o juízo de Deus é inevitável e a libertação do castigo e da condenação só é possível mediante Jesus Cristo. A soberania, a lei e a justiça de Deus, em harmonia com a liberdade humana, fazem dos conceitos presbiterianos sobre o dever uma força moral austera e poderosa. [15]

 

Os pontos da Reforma Protestante

Os Cinco Solas da Reforma

Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

 

SOLA SCRIPTURA

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual é o teste da verdade.

SOLO CHRISTUS

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

SOLA GRATIA

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

SOLA FIDE

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

SOLI DEO GLORIA

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito. [16]

 

O Governo Presbiteriano

As principais formas de governo de Igreja:

Episcopal – Um governante sobre todos;

Congregacional – Todas as pessoas governam

Presbiterial – Um grupo de pessoas eleitas pela assembléia governa.

A Igreja Presbiteriana pensa da forma 3, ou seja, com base em Atos 11.30; 14.23; 15.2-6 e 22.

Características:

É o governo do povo por meio de representantes por ele escolhidos. Os presbíteros tanto docentes (pregadores ou ministros da Palavra) como regentes (auxiliam os ministros) são da mesma ordem.

Os presbíteros docentes são aqueles com educação teológica formal, ordenado para o ministério pastoral.

Símbolos de Fé

-    Confissão de Fé de Westminster

-    Catecismo Maior de Westminster

-    Breve Catecismo de Westminster

 

Tais instrumentos não substituem em nenhum teor a Palavra de Deus que está acima de qualquer documento dogmático. Eles são preciosos documentos instalados por estudiosos e teólogos em um tempo onde as heresias começaram a perverter a sã doutrina, criando assim problemas para a fé cristã. Assim, estes líderes, em Assembléia, e não isoladamente, individualmente, teceram e sistematizaram as principais doutrinas oferecidas pela Bíblia, de forma mais fácil estudá-las. Por exemplo, entendemos que a idolatria estava massacrando as verdades bíblicas de um único mediador entre Deus e os homens. Por isso, o Solo Christus. No mais, a Confissão de Fé trata de vários assuntos sistematicamente, sobre a Bíblia, sobra a Igreja, sobre Deus, enfim... ela lança os temas, explica e dá todas as referências bíblicas possíveis. Na internet ou de modo impresso é possível ter-se o acesso a tais documentos. Em forma de questionários, os catecismos tentam elucidar as riquezas por baixo de cada tese bíblica, dando entendimento e coerência às maiores questões já discutidas na igreja.

 

Poder para testemunhar[17]

Se você tem o desejo de testemunhar da sua fé, mas não sabe que material usar, veja este script, retirado do livreto da ABU, “As 4 Leis Espirituais”. Se quiser, pode segui-lo, pois muitos o usaram para evangelizar, com resultados muito positivos.

 

1- Primeira Lei: Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida.

João 3.16

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 10.10

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

Porque as pessoas não têm conseguido experimentar esta VIDA ABUNDANTE?

2. Segunda Lei: O homem é pecador e está separado de Deus; por isso não pode conhecer nem experimentar o amor e o plano de Deus para sua vida.

Romanos 3.23

pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,

O homem foi criado para ter um relacionamento perfeito com Deus, mas por causa de sua desobediência e rebeldia, escolheu seguir seu próprio caminho e seu relacionamento com Deus se desfez. Esse estado de independência de Deus, caracterizado por uma atitude de rebelião ou indiferença, é evidência de que a Bíblia chama de pecado.

O homem está separado de Deus

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Deus é Santo e o homem pecador. Um grande abismo separa os dois. O homem está continuamente procurando alcançar a Deus e a vida abundante através de seus esforços, com as boas obras, filosofias, religião etc.

3. Terceira Lei: Jesus Cristo é a única solução de Deus para o homem pecador. Por meio de JESUS podemos conhecer e experimentar o amor de Deus e conhecer seu plano para cada ser humano.

Romanos 5.8 – Ele morreu em nosso lugar

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

I Coríntios 15.3-6

3 Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

4 e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

5 E apareceu a Cefas e, depois, aos doze.

6 Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.

 

JESUS é o único CAMINHO

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

Deus tomou a iniciativa de ligar o abismo que nos separa dele por meio de JESUS CRISTO. Deus enviou seu filho para morrer em nosso lugar, a saber, o s que creram em seu nome. Pagou na cruz o nosso pecado e se fez culpado pelos que de antemão escolheu. Ou seja, a iniciativa de Deus veio de encontro com alguém que estava sem rumo e completamente sem chances de ter a VIDA ETERNA.

4.Quarta Lei: Precisamos receber a JESUS CRISTO em nossos corações como Senhor e Salvador. Precisamos confessar com nossa fé com nossa boca que cremos que Ele nos salvou. Só assim poderemos conhecer e experimentar a Vida e o Amor de Deus, descobrindo assim qual seu plano para cada um de seus filhos.

João 1.12

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;

Efésios 2.8-9

8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;

9 não de obras, para que ninguém se glorie.

 

Receber a Cristo implica em deixar de confiar em nossa capacidade para nos salvar, crendo que Cristo é suficiente e o único meio de termo o perdão de nossos pecados. Apenas saber que Cristo é o filho de Deus e que morreu na cruz pelos nossos pecados não é suficiente. É necessário receber a Cristo pela fé, por meio de uma decisão pessoal.

 

Como pode acontecer?

Deus conhece seu coração e está interessado em sua atitude. A oração pode ser feita neste modo:

“Jesus, eu preciso do Senhor. Abro a porta de minha vida e o recebo como me Salvador e Senhor. Obrigado por ter morrido na cruz em meu lugar e ter perdoado meus pecados, por me dar a vida eterna e por me aceitar em teu reino. Tome conta de minha vida e faça a tua vontade e me ajuda a ser o que o Senhor quer que eu seja. Amém.”

 

Você gostaria de receber a Cristo neste momento?

Se você quer, faça esta oração acima.

 

A Bíblia garante que Deus promete a VIDA ETERNA a todos os que o receberam e decidiram viver em conformidade com sua Palavra (1 João 5:11-13)

E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus.

 

Você deve sempre ser grato a Deus pelo que Ele fez a você.

Depois de ter sido abençoado com a Salvação tenha as seguintes práticas:

- Converse com Deus

- Reserve tempo para Ele em seu dia

- Esteja disposto a obedecer ao que Ele ensina na Bíblia

- Seja sensível às necessidades dos outros

- Fale aos outros sobre este amor de Deus em Jesus Cristo que mudou sua vida

- Espere em Deus a orientação para sua vida

- Receba o poder do Espírito Santo em oração e comunhão com a Palavra

- Vá para uma igreja que ensine as verdades da Bíblia

- Evite as que vivem de ilusão e não se prendem à Palavra

- Sempre que alguém te falar algo dizendo que é de Deus, busque na Bíblia se ela fala do que está escrito

- Faça da sua Bíblia a sua espada para combater o combate da Fé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Disciplina na Igreja

Por  Solano Portela

https://www.monergismo.com/textos/igreja/disciplina_igreja_solano

 

Introdução

Nossas igrejas estão sempre tendo problemas relacionados à disciplina de membros. Se a igreja é fiel e bíblica ao disciplinar, há a necessidade de que todos os membros compreendam as bases bíblicas para tanto; se a igreja é falha, é necessário que todos se conscientizem das razões dadas pelas Escrituras para a aplicação da disciplina e dos perigos e consequências de negligenciá-la. Esse é, portanto, um tema sempre relevante. Não se trata de um caminho opcional para a administração da igreja, mas de uma trilha necessária, que deve ser entendida, acatada, apoiada e aplicada, para que tenhamos saúde espiritual em nosso meio.

O exercício da disciplina na igreja é algo tão importante que o reformador João Calvino a considerou, ao lado da proclamação da Palavra e da administração dos sacramentos, uma das marcas que distinguem a igreja verdadeira da falsa. Ou seja, na igreja falsa não somente está ausente a pregação das inspiradas Escrituras e os sacramentos são antibíblicos, ou incorretamente administrados, mas ela é negligente, também, na preservação de sua pureza moral e doutrinária. A igreja, às vezes, não segue os passos e objetivos de disciplina eclesiástica delineados na Palavra de Deus. Quando negligencia essa área, passa a abrir mão da identidade peculiar dos seus membros, perante o mundo. O resultado é que a autoridade na pregação e o testemunho do Evangelho ficam prejudicados.

Não queremos desenvolver um espírito de censura gratuita, no qual enxerguemos sempre o argueiro no olho do irmão antes da trave que está no nosso. Mas precisamos despertar um senso de comportamento bíblico que faça justiça ao nome de Cristo e que não envergonhe o Evangelho. Isso começa com o cuidado sobre a nossa própria vida e deve se estender pela nossa igreja local.

A disciplina, exercida com amor, pelas razões especificadas na Bíblia e com os objetivos que ela prescreve, deve ser exercida na esfera pessoal e apoiada e compreendida quando já estiver na esfera do Conselho da Igreja, ou de outras autoridades superiores.

Queremos examinar alguns textos bíblicos que se relacionam com a disciplina na igreja. Alguns outros tratam igualmente desse assunto, mas os que apresentaremos são fundamentais à nossa compreensão. Com o seu exame, oramos para que sejamos despertados ao apreço da pureza tanto do indivíduo como da igreja visível.

 

1. O perigo da falta de disciplina

Paulo, escrevendo à igreja da Corinto (I Co 5.1-13), alerta para os perigos que sobrevêm quando se é negligente na aplicação da disciplina. Nesse trecho lemos:

Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.

E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.

Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.

Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade. Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.

Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.

 

Notem, no trecho, os seguintes pontos que o Espírito Santo fez registrar para a nossa instrução:

a. O pecado na igreja entra em choque com o seu caráter santo, mas ele ocorre. Não é negando a realidade de sua existência que resolvemos o problema. No versículo 1, ele diz: "...há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios...". Ou seja, o que estava ocorrendo naquela igreja chocaria até os descrentes, mesmo com sua visão dissoluta.

b. Muitos pecados atingem um estágio público e notório. Esse mesmo versículo 1 começa com as palavras: "Geralmente, se ouve que há entre vós...". A questão não era privada, de mais fácil resolução e aconselhamento, mas já se espalhara, chegando até ao conhecimento de Paulo, que se encontrava distante.

c. Acomodação e orgulho. A falta de ação revelava acomodação da consciência individual e coletiva ao pecado, em forma de rebeldia e soberba. No versículo 2, Paulo se espanta que aqueles irmãos "...não chegaram a lamentar" toda aquela demonstração de vida em pecado. Paulo diz ainda que eles se achavam "ensoberbecidos", ou seja, se orgulhavam da postura tomada em vez de estarem conscientes do mal que era causado ao testemunho do Evangelho. Ainda sobre a ausência de disciplina naquela igreja Paulo diz: "... não é boa a vossa jactância..." (v.6). Eles nada haviam feito, portanto, para "... tirar do meio" o que havia praticado aquilo que o próprio Paulo chama "ultraje" e "infâmia" (v.3). Quando a disciplina não é exercida, nossas consciências vão sendo cauterizadas e conformamo-nos ao modo de compor-tamento do mundo e, também, deixamos de nos chocar, de identificar o contraste com a forma de vida prescrita para o servo de Deus. Paulo ensina que a ação correta era a exclusão daquele membro (v. 5) - ele deveria ser "entregue a Satanás", ou ser considerado como descrente, pois o seu modo de vida não testemunhava uma conversão verdadeira. Estaria, portanto, sob o domínio de Satanás. Essa constatação não era para ser feita individualmente, mas corporativamente, pela autoridade e no poder de Cristo. No versículo 4 ele escreve: "...em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor...".

d. O perigo especificado. Paulo diz (vs. 6 e 7): "...Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento." A igreja era para ser "massa sem fermento" - pura. A admissão de um pouco de fermento, apenas, atingiria toda a massa. Ou seja, deixar que o comportamento incompatível com a fé cristã permaneça no seio da igreja, sem disciplina, significa pôr em risco a saúde espiritual de toda a comunidade.

e. As marcas da Igreja. Paulo ensina (v. 8) que a igreja deve ser conhecida pela "... sinceridade e verdade..." e não pelo "... fermento da maldade e da malícia".

f. O esclarecimento quanto à associação. Paulo reconhece que o mundo é constituído de impuros. Ele diz que não está ensinando que a igreja deva se isolar do mundo. Existindo no mundo ela terá contato com "...avarentos, ou roubadores, ou idólatras..." (v.10). Mas ele reforça que não deve haver "associação com impuros" (v.9) e explica quem são esses a quem ele chama de impuros, no versículo 11 - é aquele que "...dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador...". Ou seja, é aquele que professa a fé cristã, mas tem comportamento imoral ("impuro"); ou tem afeição descabida pelas suas próprias posses materiais ("avarento"); ou o que distorce a religião verdadeira por sua prática ou ensinamentos ("idólatra"); ou o que tem o hábito de caluniar ou de espalhar boatos ("maldizente"); ou o que está sob o domínio de substâncias que impedem o compor-tamento racional ("beberrão") - nas quais estão a bebida alcoólica e, certamente, as drogas -, em vez de sob o controle do Espírito Santo; e, finalmente, o que demonstra ganância e não respeita a propriedade alheia ("roubador").

g. A rigidez da disciplina - A necessidade era a de se exercitar "julgamento interno" (v.12) contra o "malfeitor", expulsando-o do seio da igreja (v. 13). Esse julgamento deveria ser evidente a todos e deveria ser sentido pelo disciplinado; isto é, ele deveria sentir que a comunhão fraterna havia sido atingida pelo seu pecado: "com esse tal, nem ainda comais". Muitas vezes membros, com boas intenções, confundem o desejo legítimo de restauração do disciplinado com um apoio prejudicial ao mesmo. Não se limitam a indicar que estão em oração, mas colocam "panos quentes" na ação do Conselho. Muitas vezes os disciplinados são alvo de um aconchego e atenção após a disciplina que não somente minam a autoridade da igreja, mas são prejudiciais ao próprio disciplinado, que deixa de sentir os efeitos danosos da falta de comunhão que o seu pecado causou. A advertência de Paulo é dura, mas devemos orar a Deus por sabedoria para saber como aplicar essa exortação com respeito a membros disciplinados por pecados graves nas nossas igrejas, de tal forma que eles sintam que algo mudou e que a comunhão procedente do Espírito é restaurada mediante o arrependimento sincero e o testemunho verdadeiro de uma conversão real.

h. O objetivo final - Não podemos esquecer o objetivo final de Paulo com a disciplina, especificado no versículo 5: "...a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus." O objetivo era a salvação daquela alma disciplinada. Essa deve ser também a nossa visão: consciência da necessidade da disciplina, percepção dos perigos da sua falta de aplicação, apoio à sua aplicação correta no caso de comportamento anticristão contumaz, oração e desejo de arrependimento pelo disciplinado.

2. A autodisciplina e o ensino de Jesus sobre os passos da disciplina na igreja

Jesus Cristo, em Mateus 18.15-22, nos deu, de uma forma bem detalhada e inteligível, os passos necessários para o exercício da disciplina corporativa (na igreja). Entretanto, antes que o pecado se concretize em ações contra alguém e antes que atinja um caráter público, a Palavra de Deus nos dá admoestações sobre o exercício da autodisciplina. A palavra grega traduzida como temperança ou autocontrole (egkratea - um dos aspectos do fruto do Espírito, em Gl 5.23) significa, apropriadamente, a disciplina exercida pela própria pessoa, quer pelo estabelecimento de limites próprios, que não devem ser ultrapassados, quer na avaliação dos próprios pensamentos e atitudes que, se concretizados, prejudicariam alguém e desagradariam a Deus. O livro de Provérbios nos fala sobre a importância de controlar nosso próprio espírito (16.32), nossa língua (17.27 - "reter as palavras") e nossa ira (19.11 - "tardio em irar-se" na Versão Corrigida). Certamente o exercício coerente da autodisciplina, na vida dos membros da igreja, reduz a necessidade da disciplina eclesiástica.

O texto de Mateus 18.15-22, diz o seguinte:

Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

 

Disciplina na Igreja

Por Valdeci da Silva Santos

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Introdução

Disciplina eclesiástica é um termo em risco de extinção no atual vocabulário cristão. Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4) Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina?

O termo "disciplina," em geral, é empregado em vários sentidos. Podemos usá-lo para referir-nos a uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade(5) ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo é delinear alguns fatores da importância da disciplina eclesiástica entre os membros do corpo de Cristo. O autor está plenamente consciente de que um artigo como este não coloca um ponto final no diálogo sobre o assunto. Porém, o que motiva esta reflexão é a esperança de que a mesma seja útil para elucidar a muitos quanto ao aspecto bíblico-teológico da disciplina.

I. Errando o alvo

A igreja cristã tem sido acusada de ser o único exército que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusação é, muitas vezes, devido a mal-entendidos com relação à disciplina eclesiástica. Tais mal-entendidos estão presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicação da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, só nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relação à disciplina eclesiástica.

A. Disciplina e Despotismo

Com a subida ao poder do Partido Nacional na África do Sul, em 1948, a segregação foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso não foi disciplina, mas despotismo.

A história da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustrações da confusão entre o uso da disciplina e o exercício do despotismo.(8) Seria isto apenas um fenômeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os círculos eclesiásticos para se descobrir que o espírito medieval ainda está vivo e ativo na mente e atitude de alguns líderes modernos. Há aqueles que, como resultado da ganância pelo poder, seguem o caminho de Balaão e amam a injustiça (2 Pe 2.13,15). Estes estarão sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). Não se deve esquecer, porém, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o seu irmão à espada, e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre" (Amós 1.11).

B. Disciplina e Discriminação

A confusa identificação entre disciplina e discriminação pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro é imprescindível que a família cristã não desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que "o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que "Satanás não alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11).

Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a disciplina (1 Co 5.5 e 1 Tm 1.20).

C. Disciplina e Arbitrariedade

"Com que direito fizeram isso?" Tal é a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina e arbitrariedade. Ou seja, é como se aqueles que aplicam a disciplina não tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. "Aliás," alguns argumentariam, "não somos todos pecadores?"

Primeiramente, é preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida, mas há algumas que requerem correção pública. Por exemplo, em Mateus 18.16-17 o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortação pessoal. Na sua Primeira Carta aos Coríntios 5.1-13, Paulo descreve as pessoas cujas práticas trazem escândalo à igreja, e na Primeira Carta a Timóteo 1.20, na Segunda Carta a Timóteo 2.17-18 e na Segunda Carta de João 9–11 são mencionados os que dissimulam ensinos contrários ao Evangelho. Por outro lado, na Carta aos Romanos 16.17 o apóstolo recomenda disciplina aos que causam divisões na igreja e, ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.6-10 ele prescreve disciplina eclesiástica para aqueles que se deleitam na preguiça. Há um princípio claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes, e muitos deles haviam continuado por um período de tempo."(9)

Com relação à autoridade, é importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica, mas daquele que a ordenou, ou seja, o Cabeça e Senhor da Igreja (Ef 1.22-23). Além do mais, a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?" (Hb 10.29). Também, "Que direito temos nós de tomar o corpo de Cristo e fazê-lo um com a prostituição?" (1 Co 6.15). Nenhum direito nos é dado, mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10.12).

Concluindo, somente a ignorância, equívocos, ou dureza de coração poderiam levar alguém a deturpar os princípios bíblicos sobre a disciplina eclesiástica e justificar sua ausência entre os membros do corpo de Cristo.

II. O Ensino Bíblico

A. A Necessidade da Disciplina

Aquele que ordena a disciplina na igreja é o mesmo que estabelece o padrão a ser seguido no exercício da mesma. Esse padrão consiste primeiramente em amor paternal (Hb 12.4-13). É certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade, mas as Escrituras mostram que a disciplina de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.19). Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 12.7-9), e quando os cristãos recebem disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. Deus não disciplina bastardos, ou seja, filhos ilegítimos (v. 8). O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. A disciplina que vem do Senhor "é para o nosso bem (v. 10)." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina, a mesma produz paz e retidão (v. 11). O v. 13 ensina que o propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual.

O termo hebraico rasUm é usado no Antigo Testamento como sinônimo de "instruir" (Pv 1.3, 8), "corrigir" (Pv 22.15 e 23.13) ou "castigar" (Is 53.5). No Novo Testamento, o grego paidei/a possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hb 12.1-10 e Ap 3.19). Nesse sentido, disciplina e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50.17; Pv 1.1-2 e 15.32). A correção é fonte de esperança para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.18 e 4.13). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira (Pv 13.24).

Segundo as Escrituras, a disciplina na igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso, mas principalmente nos imperativos do Senhor. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5.1-13). Também, há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual mas sua própria existência. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5.25-27) e sem poder (Js 7.11-12a). A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2.20-24).

B. Os Passos da Disciplina

Biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.15; 1 Co 5.5 e Gl 6.1); 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5.20). É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.

1. Abordagem individual

O v. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só...) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27.5-6). Mas é sempre arriscado confrontar alguém, pois nunca se pode prever a reação do mesmo. Jesus, todavia, dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Além do mais, o termo grego e)/legcon ("arguir, instruir, confrontar," v. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz, expor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo, em convencê-los (confrontá-los) "do pecado, da justiça, e do juízo." Assim, antes de confrontar um irmão, podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.

2. Admoestação privada

No caso de o ofensor não atender à confrontação individual, Jesus ordena que haja admoestação privada (v. 16). Nesse caso, um número maior de pessoas é envolvido. A princípio, pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. Uma atenção maior, porém, leva-nos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em outras palavras, nosso pecado traz consequências pessoais e coletivas. Além do mais, Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35.30, Dt 17.6 e 19.15). Com isto, a objetividade do caso é preservada, o que diminui as chances de injustiça, e o ofensor é beneficiado.

 

3. Pronunciamento público (v. 17)

Tal proceder nunca é violação de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Co 10.12). Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.27).(11)

4. Exclusão pública

O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex, "fora," e communicare, "comunicar"), na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).

É claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, amor e transparência. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor, ou seja, a recusa ao arrependimento. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18.19-20). Assim, a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente, mas algo a ser conduzido na presença do Senhor."(12)

III. Implicações teológicas

Sem a intenção de limitar, mas tão somente de elucidar, oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.

A. Disciplina e a Adoração Cristã

A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem, pela graça de Deus, é capaz."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.10 e Ap 19.10), é uma marca da fé salvadora (Fp 3.3), e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20.7 e Mt 6.9). A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2.24). Assim, o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2.18-29).

B. Disciplina e as Marcas da Igreja

A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino, tais marcas consistem da proclamação da Palavra, da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós."(15) Nesse sentido, "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família."(16)

Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (Ef 5.27), a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.

C. Disciplina e Evangelismo

A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. Sem a visão dessa seriedade, a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.

Uma igreja sem disciplina torna-se um empecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5.12-13. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim, ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. 6.1-23). Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida, ou rejeitada, pelos seus próprios membros. Como diz Barnes, "há pouca vantagem em uma igreja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo."(17)

Conclusão

Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano."(18) Nenhum profissional médico, porém, se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. Também, nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas.

Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Primeiro, que a disciplina na igreja não é uma opção, mas sim uma ordenança e, consequentemente, uma bênção divina (Hb 12.5-7). Segundo, que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2.5-11).

 1 Ver Os Guinness, Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker, 1993).

2 Ver Guilherme de Barros, "O Pastor da Esquerda Evangélica," Vinde (Julho 1997):7-12. Nessa entrevista, o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano," mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica."

3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne, The Scarlet Letter.

4 Josh N.D. McDowell, Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton, Illinois: Josh McDowell Ministry).

5 Richard J. Foster, Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual, trad. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida, 1983).

6 Carl J. Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64.

7 Compton’s Interactive Encyclopedia, 1997 (The Learning Company, Inc. CD).

8 Justo L. González, The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco, 1984), 277-359.

9 Wayne Grudem, Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan, 1994), 896. Minha tradução. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5.1-11). Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja."

10 F. F. Bruce, ed., Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Revell, 1981), 283-4.

11 R. N. Caswell, "Discipline," em New Dictionary of Theology, eds. S. B. Ferguson, D. F. Wright, e J. I. Packer (Downers Grove: InterVarsity, 1988), 200.

12 Grudem, Systematic Theology, 898. Minha tradução.

13 John R. W. Stott, Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press, 1970), 160. Minha tradução.

14 Confissão de Fé de Westminster, XXI.i.

15 John Calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill (Filadélfia: Westminster, 1960), 4.7.4. Minha tradução.

16 Caswell, "Discipline," 200. Minha tradução.

17 Peter Barnes, "Biblical Church Discipline," The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. Minha tradução.

18 Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," 363.

 

Os passos ensinados pelo nosso Senhor Jesus Cristo, para aplicação em nossa vida comunitária, como membros da igreja visível, são esses:

Passo 1 - Contato individual, pessoa a pessoa. Em Mt. 18.15, lemos: "Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão". Não devemos esperar que a parte ofensora venha pedir perdão, quando pecar contra nós. Jesus nos ensina que nós, quando ofendidos, devemos tomar a iniciativa para ter uma conversa discreta e individual com o nosso ofensor. Essa admoestação, em si só, já é importante para o nosso crescimento em santificação. Abordar o ofensor vai contra o nosso orgulho, mas é uma atitude típica da humildade que Cristo requer de nós, como cristãos. Cristo não oferece garantias de que teremos sucesso, mas se o ofensor der ouvidos à nossa admoestação individual, ganharemos o irmão, no sentido em que o impediremos de cometer pecados mais sérios contra outros, bem como construiremos um relacionamento mais sólido, em Cristo, com aquele irmão ou irmã.

Passo 2 - Contato com dois ou três. O versículo 16 aprofunda o contato e o envolvimento corporativo no processo de disciplina. Ele deve ocorrer se o contato individual for infrutífero, se o irmão ou irmã não der ouvidos à abordagem prescrita anteriormente. O v. 16 diz: "Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça". Quando é a hora certa de passar do passo 1 ao passo 2? Devemos pedir a Deus discernimento e sabedoria para ver quando não há mais progresso no contato individual e está caracterizado que a parte ofensora não "quer ouvir". Nesse caso, a abordagem deve ser exercida com mais uma ou duas pessoas, como "testemunhas". Serão testemunhas do problema ocorrido, ou testemunhas do contato que está sendo realizado? Creio que não são testemunhas do problema, pois se o fossem a questão já seria pública e não limitada às duas pessoas, como indica o v. 15. São pessoas que deverão testemunhar e participar do encaminhamento do processo de disciplina, da exortação, do aconselhamento, objetivando que o faltoso "ouça". Não são testemunhas silentes. O verso fala do "depoimento" delas.

Passo 3 - Contato com a Igreja. O versículo 17 apresenta uma mudança enorme no encaminhamento da questão. O faltoso recusou a admoestação individual e a conjunta de dois ou três membros. Jesus, então, determina: "... se ele não os atender, dize-o à igreja...". O "dizer à igreja", em uma estrutura presbiteriana, equivale a relatar ao Conselho. Em uma estrutura congregacional, relatar à Assembléia. Em qualquer situação, o relato, agora, deve ser feito pelo primeiro irmão ou irmã e pela outra ou outras testemunhas, envolvidas no Passo 2. A continuidade da frase, neste mesmo versículo, mostra que o propósito de "dizer à igreja" continua sendo o da admoestação. Não é só uma questão de veicular notícias, mas a de visar a exortação do ofensor, que agora será feita "pela igreja", ou pelos representantes constituídos e eleitos por ela. Infelizmente, muitos pecados públicos e já amplamente divulgados no seio da comunidade só são tratados a partir deste estágio. Muitas vezes aqueles mais próximos ao faltoso deixaram de aplicar os passos 1 e 2, ao primeiro sinal da ofensa. A igreja é, então, surpreendida com o pecado realizado, divulgado e comentado, restando aos oficiais apenas tomar o processo a partir deste passo. Humanamente falando, quem sabe pecados maiores não teriam sido evitados se a abordagem individual, prescrita por Jesus, tivesse sido realizada.

Passo 4 - Exclusão. No final do versículo 17 Jesus diz "...se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano". A recusa no atendimento às admoestações, a atitude de arrogância e desafio às autoridades, retratada em 2 Pe 2.10-11 e Judas 7-8, devem levar o faltoso à exclusão da igreja visível. Ele (ou ela) deve ser considerado como um descrente ("gentio") e deve ser cortado da comunhão pessoal da mesma forma como os coletores de impostos ("publicanos") eram desprezados pelos judeus. Somente evidências de arrependimento e conversão real poderão restaurar essa comunhão cortada pela disciplina. Com essa exclusão vão-se também os privilégios de membro, como a participação na Santa Ceia, e os demais. Jesus demonstra a necessidade de respaldar essa drástica atitude na sua própria autoridade e na do Pai. Isso ele faz nos vs. 18-19, mostrando o seu acompanhamento e o do Pai, nas questões da igreja que envolvem a preservação de sua pureza. Ele fecha essas instruções com a promessa de sua presença na congregação do povo de Deus (v. 20). Essas são palavras de grande encorajamento para que a igreja não negligencie a aplicação do processo de disciplina em todos esses passos.

3. Outros textos e pontos importantes sobre a disciplina na igreja.

Necessitamos abordar outros pontos adicionais sobre a disciplina na igreja. Os textos seguintes mostram que a disciplina não se restringe apenas ao comportamento imoral ou que deva ser exercida somente contra aqueles que se desviam da prática correta da sexualidade:

a. A disciplina deve ser aplicada contra os que causam dissensão e divisão. Paulo, em Tito 2.15-3.11, diz o seguinte:

Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze. Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens.

Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens.

Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis. Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada.

Paulo está exortando a Tito para que exerça sua autoridade, como líder da igreja, ensinando, exortando e repreendendo os membros da igreja para que não sejam difamadores e briguentos. Antes, devem ser obedientes, cordatos, corteses, não somente para com os crentes, mas para com os descrentes também. Ele lembra a Tito e a nós que características condenáveis já fizeram parte da personalidade e do modo de vida de muitos de nós, antes da salvação, mas pela graça e misericórdia de Deus fomos regenerados pelo Espírito Santo e transformados para as boas obras. Devemos, portanto, evitar discussões fúteis e sobre assuntos secundários que não levam a lugar algum. A pessoa facciosa, que quer causar divisão, deve ser admoestada uma e duas vezes, mas depois disso deve ser evitada, ou seja, excluída, por recusar as advertências e por preferir viver em pecado.

b. Os que ensinam doutrinas falsas, bem como os que as praticam, devem ser disciplinados. Novamente, Paulo, em Ro 16.17-20, ensina que a igreja deve afastar os que causam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina por ele ensinada. O texto diz:

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos.

Pois a vossa obediência é conhecida por todos; por isso, me alegro a vosso respeito; e quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal.

E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.

Paulo especifica o perigo existente nas palavras daqueles que procuram os seus próprios interesses, mas falam suavemente, com palavras de elogio, enganando o coração dos incautos.

No livro de Apocalipse, 2.12-16, João registra as palavras de Cristo, advertindo a Igreja de Pérgamo, e a todas as nossas igrejas (2.17), contra aqueles que procuram incitar o povo de Deus a práticas contraditórias à fé cristã. Ali lemos:

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas, diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.

Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.

Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.

Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.

A menção à doutrina de Balaão, no v. 14, identifica o ensinamento dos que possuem motivos pessoais, rasteiros, aqueles que, mesmo com linguajar que aparenta honrar a Deus, não estão preocupados com a santificação da igreja, mas se empenham em destruir as linhas demarcatórias de comportamento que identificam o povo de Deus e os distinguem do mundo ("comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição"). A doutrina dos nicolaítas é igualmente condenada (v. 15). Essa é também uma referência aos que advogavam uma vida dissoluta e imoral no seio da igreja. Na carta anterior (à igreja de Éfeso), as obras dos nicolaítas foram condenadas. Agora a menção é contra a sua doutrina. Notem que a condenação e a chamada ao arrependimento vêm para toda a igreja (vv. 14 e 16), por não exercer a disciplina e por conservar tais pessoas em seu meio.

c. A disciplina deve ser exercida com precaução e deve ser divulgada. Em 1 Tm 5.19-22, temos o ensinamento de que as denúncias devem ser substanciadas, não aceitas levianamente:

Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam. Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade. A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro.

Cautela é prescrita especificamente para as denúncias contra os oficiais (v. 19 - "duas ou três testemunhas"), mas o princípio de que deve haver substância e provas, nas denúncias, é genérico. O outro ensino deste trecho é que a disciplina dos que "vivem no pecado" (v. 20) se exerça "na presença de todos". Isso significa que ela não deve ser alvo de uma resolução velada. Paulo dá uma razão para isso - "para que também os demais temam". A disciplina tem essa característica didática de proclamar e provocar o temor do Senhor, livrando membros do pecado para uma vida em santidade e conformidade com a pureza de Cristo.

d. O objetivo final da disciplina é o arrependimento do disciplinado.

Dois textos nos falam a esse respeito. O primeiro é 2 Ts 3.6-15:

Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes; pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes.

Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão.

E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.

Paulo enfatiza a necessidade do afastamento de "qualquer irmão que ande desordenadamente", contrário aos ensinamentos que recebeu (v. 6). O exemplo dado por Paulo é para aqueles que se acomodam no ócio, tornam-se um peso para os outros e passam a ocupar o tempo "intrometendo-se na vida alheia" (v.11). Esses, e aqueles que "não prestarem obediência" à palavra dada por Paulo, na sua carta, devem ser disciplinados (v. 14). Paulo indica que não deve haver "associação" com o faltoso e dá uma razão para tal: "para que fique envergonhado", ou seja, para que se conscientize de sua falha e, sob humilhação perante a disciplina exercida pela igreja, se arrependa. Esse texto é encerrado com as seguintes palavras de cautela (v. 15): "Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão".

O segundo texto é 2 Tm 2.22-26:

Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas.

Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

Nesse texto Paulo volta a reforçar que o cristão deve caracterizar-se por seguir "a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (v. 22). Nesse sentido as "questões insensatas e absurdas" devem ser não somente evitadas como repelidas, quando introduzidas no seio da igreja (v. 23), pois só geram contendas. Contenda não deve fazer parte da postura do servo de Deus. Este deve ser brando e capaz de ensinar com paciência (v. 24). A disciplina deve ser exercida em mansidão (v. 25), com o objetivo de que Deus conceda aos disciplinados "não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade" (v. 26).

Conclusão

Vivemos em uma era sem restrições e sem limites. Por isso, talvez, a questão da disciplina na igreja seja tão incompreendida e até negligenciada. Muitos questionam a legitimidade da sua aplicação - "com que direito?" Outros se revoltam quando a recebem. É preciso que saibamos que o direito e a autoridade da disciplina procedem do Senhor da igreja, que a comanda. É preciso que nossos olhos sejam abertos para que verifiquemos que a rejeição da disciplina é um grande mal. As recusas de suas aceitações ou as revoltas por ela significam agir contra o objetivo maior, que é o reconhecimento do pecado, o arrependimento sincero e a restauração à plena comunhão da igreja visível.

Examinamos textos bíblicos que falam claramente sobre a necessidade de preservarmos nossa vida em sintonia com as diretrizes de Deus, em santificação e pureza, contribuindo para a edificação do corpo de Cristo. Esses mesmos textos especificam a necessidade da disciplina, que vai desde a autodisciplina, continuando com a admoestação individual e chegando até a exclusão, se necessário. O testemunho da igreja demanda fidelidade às diretrizes bíblicas, nesse sentido. Num mundo sem regras, Deus, em sua misericórdia, coloca a sua igreja como baluarte para que os seus padrões sejam reforçados e seguidos. Supliquemos a Deus que nos preserve em pureza, na plena comunhão de sua igreja e que compreendamos e defendamos o exercício da disciplina, quando necessária.

(Publicado em O Presbiteriano Conservador nas edições de Julho/Agosto e Setembro/Outubro de 2000)

 

Resumo do que vimos

Os passos ensinados por Jesus Cristo em Mateus 18:15-17 para a resolução de conflitos e manutenção da disciplina na igreja visível (a comunidade local de crentes) são passos graduais, visando à reconciliação e restauração do irmão, e não apenas à punição.

Esses passos são:

1º Passo – Conversa Individual e Discreta (O Diálogo Pessoal): "Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão" (Mt 18.15). A iniciativa deve ser tomada pela parte ofendida, buscando o ofensor em particular para evitar fofocas e resolver o problema diretamente.

2º Passo – Envolvimento de Testemunhas (Mediação): "Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, de modo que toda questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas" (Mt 18.16). O objetivo é ter suporte de pessoas maduras para mediar o conflito, caso a conversa privada não tenha funcionado.

3º Passo – Levar ao Conhecimento da Igreja (Liderança): "E, se ele não atender a eles, dize-o à igreja" (Mt 18.17). Isso envolve relatar a situação à liderança ou à comunidade, buscando um último esforço de reconciliação.

4º Passo – Exclusão da Comunhão (Separação Eclesiástica): "E, se ele não atender à igreja, considera-o como gentio e publicano" (Mt 18.17). Se o ofensor persistir na desobediência e recusa ao arrependimento, o passo final é o tratamento como alguém fora da comunhão (disciplina eclesiástica), visando a proteção do corpo e a esperança de arrependimento futuro.

Princípios Importantes na Aplicação:

Amor e Humildade: A disciplina deve ser feita com amor, compaixão e humildade, e não com espírito de vingança (Gálatas 6.1).

Foco na Restauração: O objetivo é sempre ganhar o irmão de volta (Mt 18.15).

Autoridade Bíblica: A base deve ser a Palavra de Deus, não opiniões pessoais.

 

 

Examinando e Expondo a Palavra de Deus aos Nossos Dias:

Isaías 1:18-20 "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse."

Atos 17:2-3 "Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio." [18]

 

Doutrina: Disciplina eclesiástica

Leitura: Mt 18.15-22.

A disciplina eclesiástica está em risco de extinção, ameaçada pelo individualismo e a liberdade de escolha do pós-modernismo. Nessa “nova era” antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais “humana”. Por outro lado, muitos, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens. Entretanto, a disciplina é necessária na igreja, hoje e em todas as épocas, quando exercida com amor. O termo “disciplina,” em geral, é empregado em vários sentidos: uma área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade ou a medidas corretivas no seio da igreja. É notável que na primeira referência no Novo Testamento sobre a Igreja local (Mt 18.15-17), e também na última (Ap 3.19), o assunto é sobre a necessidade de disciplina nesta Igreja.

 

Há alguns tipos de disciplina mencionados na Bíblia:

Disciplina Divina - onde Deus mesmo corrige os Seus filhos pessoalmente (At 5.1-11).

Disciplina Própria - onde nós mesmos corrigimos as nossas atitudes erradas (1 Co 11.31)

Disciplina no Lar - onde os pais corrigem seus filhos (Ef 6.4). Além destas, muitas vezes há a necessidade de disciplina na igreja.

A igreja tem autoridade, dada por Deus, para disciplinar (Mt 16.19; 18.18). A autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica, mas daquele que a ordenou, ou seja, o Cabeça e Senhor da Igreja, Cristo (Ef 1.22-23). A igreja local aplica a disciplina em nome de Deus. A pergunta a ser feita não é “com que direito a igreja disciplina?”, mas: “Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliança e ultraja o Espírito da graça?” (Hb 10.29). Nenhum direito nos é dado, mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que também não caiamos (1 Co 10.12).

 

Os propósitos da disciplina são:

1. Manter a reputação de Deus (Rm 2.23,24). Deus é santo e exige que o seu povo também o seja e que haja santidade na sua congregação (Dt 7.6; 28.9; 23.14). O céu é santo (Sl 20.6), o Nome de Deus é santo (Sl 30.4), o trono de Deus é santo (Sl 47.8), o homem de Deus é santo (Sl 106.16), o caminho de Deus é santo (Is 35.8), os mandamentos de Deus são santos (Rm 7.12), o temor a Deus é santo (Hb 12.28), os anjos são santos (At 10.22), JESUS é Santo ( Mc 1.24), O Espírito é Santo (Lc 3.22) e Ele nos ordena que sejamos santos (1 Pe 1.15,16; Ap 22.11).

2. Proteger a pureza moral e a integridade doutrinária da igreja (1 Co 5.6,7; 2 Jo 7-11; 1 Tm 1.13). A igreja não pode tolerar o pecado (Ap 2.20). Se Cristo deseja sua igreja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27), a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.

3. Salvar a alma do crente e restaurá-lo à comunhão com Deus e com a igreja (Mt 18.15; Tg 5.19,20; 2 Co 2.7,8; 10.8; Hb 12.6-11; 2 Ts 3.6-15; 2 Tm 2.22-26).

4. Dissuadir outros a não pecarem, temendo a disciplina (1 Tm 5.20; At 5.11).

A disciplina não é obrigatoriamente sinônimo de exclusão, assim como o remédio para tratar um membro doente não é a amputação, senão em último recurso. Isto ocorre frequentemente por falta de habilidade para tratar o caso e por falta de misericórdia por parte dos crentes. A disciplina tem o propósito de educar, corrigir, livrar do mau caminho (Pv 6.20,23; 5.22,23).

Passos para a disciplina, ensinados por Jesus:1. Repreensão particular (v15; 1 Ts 5.14; Hb 10.25). Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27.5-6).2. Com testemunhas (v16; Jo 8.17; 2 Co 13.1; Hb 10.28; 1 Tm 5.19), com o propósito de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo e prover testemunhas. Isto é uma referência à prática do AT de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35.30, Dt 17.6 e 19.15).3. Repreensão pública (v17). Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Co 10.12). Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.27);4. Desligar da comunhão (v17). Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).

A disciplina deve ser exercida em amor (Hb 12.6-11; Ef 4.15; 2 Ts 3.15; 2 Jo 6; 2 Co 2.6-8; Pv 13.24), mansidão (2 Tm 2.24,25; Gl 6.1), bondade (Rm 15.14), paciência (1 Ts 5.14) e com pesar (1 Co 5.1,2).As Escrituras mostram que a disciplina de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos (Hb 12.4-13). Amor e disciplina possuem conexão vital (Ap 3.19). Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 12.7-9), e quando os cristãos recebem disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. A disciplina que vem do Senhor “é para o nosso bem (v. 10).” Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina, a mesma produz paz e retidão (v. 11). O propósito de Deus em disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas antes de restaurá-lo à saúde espiritual (v. 13). A igreja não pode ser : “o único exército que abandona seus feridos no campo de batalha”.

O pecador deve ser afastado, antes que contamine outros (Rm 16.17; 2 Ts 3.6, 14; 1 Co 5.6-13; 1 Tm 1.20). O Obreiro que causar escândalo deve ser tratado com o mesmo rigor (1 Tm 5.19,20; Gl 2.11-18)

Motivos para disciplina / afastamento: · Divisões e escândalos (Rm 16.17; Tt 3.10-11; At 20.29,30; 16.17-20)· Devassidão, idolatria, bebedices, roubo, maledicência (Rm 5.11)· Heresia (2 Jo 6,9,10)· Imoralidade (1 Co 5.1);· Blasfêmia - ensinar doutrina errada sobre a pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo (1 Tm 1.20).

Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes, e muitos deles haviam continuado por um período de tempo.

 

Casos que precisam de orientação, mas não punição:

· Tropeço (Gl 6.1). Neste caso o pecado não foi planejado e não era costume da pessoa agir assim.

· Dúvidas sobre doutrina (Jd. 16-23). Estas pessoas não são falsos ensinadores, mas precisam de compaixão e esclarecimento.

· Desordenado (2 Ts. 3.6-14). Esta pessoa intromete na vida de outros; ou não quer trabalhar para ganhar a sua vida material; passa muito tempo nas casas dos outros falando o que não deve; usa a Palavra publicamente para atacar outros. Toda a igreja deve mostrar que não está gostando do seu comportamento e não deve dar oportunidades para ele.

A disciplina visa à restauração. Portanto, o disciplinado deve ser acompanhado e orientado pela igreja em todo o tempo da sua disciplina. Não deve ser afastado dos cultos de instrução e oração, pois neste momento ele está fraco e precisando alimentar seu espírito com as coisas de Deus.O arrependido e disciplinado deve ser genuinamente perdoado (Lc 17.3). Deus perdoa, mas a igreja local muitas vezes não esquece, mas isola o irmão e o trata como se não tivesse sido perdoado. A igreja precisa perdoar como Deus o faz (Mq 7.18,19). Paulo exorta a igreja para que manifeste perdão, conforto e reafirmação de amor para com o arrependido, para que “o mesmo não seja consumido por excessiva tristeza” (2 Co 2.7-8). Outra razão para esta exortação é para que “Satanás não alcance vantagem” sobre a igreja, criando amargura, discórdia e dissensão (v. 11). Há sempre a possibilidade de que o disciplinado não se submeta à disciplina, e acuse a igreja de discriminação. Tal atitude apenas manifesta ignorância e estupidez (Pv 12.1 - tradução literal). Segundo as Escrituras, é o pecado e a determinação em segui-lo que gera discriminação, e não a disciplina (1 Co 5.5 e 1 Tm. 1.20). O homem espiritual deve submeter-se à disciplina (Hb 13.17) e não a rejeitar, pois isso seria seu fim (Pv 5.11-14). [19]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Presbítero Regente na IPB.

Na IPB o oficialato se estabelece por meio dos ministros (presbíteros docentes), presbíteros e diáconos.

No tocante aos presbíteros nossa constituição os classifica como presbíteros docentes e regentes. Os primeiros, são os que comumente chamamos de ministro ou pastor. Os segundos são os que auxiliam o pastor na administração da igreja. Nos concílios da IPB (Supremo, Sínodo, Presbitério e Conselho) os presbíteros têm autoridade igual a dos ministros. Contudo, existem funções especificas a cada um destes ofícios.

           

Quem é o presbítero regente?

“É o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelas pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isto eleito e designado”[20].

O sistema de governo presbiteriano é procura encontrar um ponto de equilíbrio entre o sistema episcopal e o congregacional. No episcopal todo o poder eclesiástico reside no sacerdote o qual se crê ser o representante com a mesma autoridade dos apóstolos. O ministro neste sistema se vê como um sucessor apostólico e, portanto, com a mesma autoridade deles. No sistema, ao contrário, nenhum poder reside sobre o ministro, pois o mesmo está colocado totalmente sobre a assembléia da igreja. O sistema presbiteriano parte do principio que o poder reside na igreja que, elege seus representantes para, juntamente com o pastor, exercer o ministério. Portanto, cada presbítero fala pelo povo.

Sobre esta questão precisamos refletir um pouco, pois raramente encontramos uma igreja onde a relação conselho-igreja seja satisfatória. O presbítero foi eleito pela Igreja para representá-la e executar esta tarefa com fidelidade não permitira ao presbítero tomar decisões pessoais sem conhecer sua comunidade.

O presbítero precisa ser alguém que conhece sua comunidade e que entra e sai do meio dela sem nenhum constrangimento. É certo que, às vezes, os presbíteros têm uma visão mais abrangente de determinadas situações competindo a ele, portanto, defendê-la. Mas o mesmo não pode se perder a sensibilidade de sentir o que a igreja precisa nas mais diversas situações.

Algumas igrejas pensam nos presbíteros como: xerifes, donos da igreja, carrascos, pessoas que só querem o cargo e não suas obrigações... Isto dependerá de como exerceremos nosso ministério.

Além disto, o presbítero regente é também um pastor.  Você que vai ser ordenado ao presbiterato saiba que você será um pastor do seu rebanho e se não puder se apresentar como tal, melhor não assumir tão ofício.

Não me interessa aqui fazer uma exegese para provar que presbítero no N.T. é um pastor, mas recomendo a leitura do artigo “Saindo da sala do Conselho” da Revista Servos Ordenados que já está disponível em nossa secretaria.

Compreender o presbiterato como um ofício pastoral é de suma importância para a saúde de nossa igreja.

           

O que deve fazer o presbítero regente[21]?

1º. Levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares. O presbítero tem a obrigação de cumprir na sua comunidade Mateus 18:15-20. O mesmo tem autoridade informal para exercer admoestação individual com o objetivo pastoral de levar o faltoso ao arrependimento e restaurar a ordem na igreja. Naturalmente o presbítero não tem autoridade de resolver os casos cabíveis de disciplina eclesiástica sozinho, mas os mesmos devem ser levados ao Conselho. Compete ao presbítero admoestar e quem se fizer necessário, mas não disciplinar.

2º. Auxiliar o pastor no trabalho de visitas. A visitação dos membros da igreja não é um trabalho específico do pastor, mas de todos os presbíteros que foram eleitos como representantes desta igreja. Não podemos nos esquecer que o presbítero na IPB é um ofício pastoral e, portanto, implica no dever para com as ovelhas do rebanho.

3º. Instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude. Neófitos são os recém-convertidos e os imaturos na fé. O presbítero tem como dever instruir, doutrinar, ensinar os novos na fé. Na minha opinião, o discipulado e as classes de estudos bíblicos deviam ser precipuamente assumidas por presbíteros que se afadigam na palavra (1Tm5:17).

Ao presbítero também compete consolar os aflitos seja por enfermidades, problemas conjugais, emocionais, financeiros... O presbítero é o irmão mais velho dos crentes.

Cuidar da infância e da juventude é uma das tarefas do presbítero que garantirá a saúde da igreja no futuro.

4º. Orar com os crentes e por eles.  Como presbítero devemos saber que para orar com os crentes precisamos estar participando de suas necessidades. O presbítero precisa também orar pelos crentes e se preciso chorar por eles também diante de Deus. O presbítero precisa ser um homem de oração.

5º. Informar o pastor dos casos de doenças e aflições. Isto não significa que o presbítero deve apenas informar ao pastor. Pois como já vimos é também dever do presbítero visitar e orar com estes crentes.

6º. Distribuir os elementos da Santa Ceia. Compete apenas ao pastor (presbítero docente) ministrar os sacramentos, mas a distribuição dos mesmos deve ser feita pelos presbíteros.

7º. Tomar parte na ordenação de ministros e oficiais.  “Os oficiais embora não possuam o status de mediadores entre Deus e o povo, são escolhidos e separados para o exercício do governo, do ensino e da disciplina do povo de Deus. Eles são investidos institucionalmente para o exercício de certas funções que não são permitidas para os demais membros da igreja”[22].

E por causa deste poder institucional que os presbíteros participam na ordenação de novos oficiais para esta instituição.

8º. Representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Supremo Concílio. Ao presbítero é dado ao direito de, representando o Conselho de sua igreja local, participar das assembléias de todos os concílios superiores conforme preceitua a CI/IPB. E nestes concílios exercer autoridade igual a dos ministros.

 

 

“DIÁCONOS: Quem são e o que fazem?”

DIACONIA: Serviço (Atos 6:3; 2ª Co.11:8; Ef.4:12; Hb.1:14; Ap.2:19); especificamente doméstico (Lc.10:40); serviço, ofício, ministério (At.1:17;20:24; Rm.12:7; 1ª Co.12:5; 2ª Co.5:18; auxílio, apoio, distribuição (At.6:1; 11:29).

DIÁCONO: Servir (Mt.20:26; 22:13; Mc.9:35); especificamente garçom (Jo.2:5,9); agente (Rm.13:4; Gl.2:17); auxiliar pessoa que presta serviço como cristão... (2ª Co.6:4; 11:23; Ef.6:21; Cl.1:23,25; 1 Tm.4:6). Em caráter oficial ou semioficial (Rm.16:6; Fp.1:1; 1ª Tm.3:8,12). O termo técnico posterior à diácono deriva desse uso (diaconato).

 

O DIÁCONO SEGUNDO a CI/IPB, cap. IV, seção 3ª:

Art.53, fl.23 – “O diácono é oficial eleito pela igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente: a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos; b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos; c) a manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados aos serviços divinos e d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na casa de Deus e suas dependências”

Art.54 – “O exercício do presbiterato e do diaconato limitar-se-á ao período de 05 anos que poderá ser renovado”. 1) três meses antes de terminar o mandato, o Conselho fará proceder a nova eleição; 2) Findo o mandato e não sendo reeleito, ou tendo sido exonerado a pedido ou ainda por haver mudado de residência que não lhe permitas exercer o cargo, ficará em disponibilidade, podendo, entretanto, quando convidado: distribuir os elementos da Santa Ceia; tomar parte na ordenação de novos oficiais.

Art. 55 – “O Presbítero e o Diácono devem ser assíduos e pontuais no cumprimento de seus deveres, irrepreensíveis na moral, sãos na fé, prudentes no agir, discretos no falar e exemplos de santidade na vida”.

Art.56 – “As funções de presbítero e diácono cessam quando: a) terminar o mandato, não sendo reeleito; b) mudar-se para lugar que o impossibilite de exercer o cargo; c) for deposto; d) ausentar-se sem justo motivo, durante seis meses, das reuniões do Conselho, se for presbítero e da junta diaconal, se for diácono; e) for exonerado administrativamente ou a pedido, ouvida a igreja.”

 

Art.57 – “Aos presbíteros e aos diáconos que tenham serviço satisfatoriamente a uma igreja por mais de 25 anos, poderá esta, pelo voto da assembléia, oferecer o título de presbítero ou diácono emérito, respectivamente, sem prejuízo do exercício do seu cargo, se para ele forem reeleitos.”

Art.58 – “A Junta Diaconal dirigir-se-á por um regimento aprovado pelo Conselho.”

 

CONCLUSÃO

Seguindo estas orientações e observando aquele que preenchem estes requisitos indispensáveis, certamente faremos boa escolha regada em oração! Mas, lembre-se de que o que você exigir do seu próximo (em relação a obra de Deus) busque fazer o mesmo em sua vida; não seja apenas alguém na arquibancada... PARTICIPE!

 

O MINISTÉRIO DIACONAL

Qualificações do Diácono: “Ser crente, com vivência comunitária suficiente para ser conhecido e para conhecer os irmãos; ter demonstrado disposição nos serviço religioso e no cuidado e zelo com a Casa do Senhor; ser, aos olhos de seus conservos, equilibrado, sensato, paciente, dedicado, consagrado, afável, prestativo, de bom relacionamento com toda as faixas etárias da igreja; demonstrar espírito democrático nas decisões em que sua opinião não prevalecer; aceitar e respeitar as autoridades constituídas de sua Igreja, enquanto referidas autoridades permanecerem fiéis às Escrituras Sagradas e submissas às doutrinas, à disciplina e ao governo da Igreja Presbiteriana do Brasil; possuir uma vida moral irrepreensível; conviver bem e harmoniosamente com seus pais e demais familiares.” (transcrito)

Seção 3ª - Presbíteros e Diáconos

Art.50 - O Presbítero regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado.

Art.51 - Compete ao Presbítero:

a) levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares;

b) auxiliar o pastor no trabalho de visitas;

c) instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude;

d) orar com os crentes e por eles;

e) informar o pastor dos casos de doenças e aflições;

f) distribuir os elementos da Santa Ceia;

g) tomar parte na ordenação de ministros e oficiais;

h) representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Supremo Concílio.

Art.52 - O presbítero tem nos Concílios da Igreja autoridade igual a dos ministros.

Art.53 - O diácono é o oficial eleito pela Igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente:

a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos;

b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos;

c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino;

d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.

Art.54 - O exercício do presbiterato e do diaconato limitar-se-á ao período de cinco anos, que poderá ser renovado.

§ 1º - Três meses antes de terminar o mandato, o Conselho fará proceder a nova eleição.

§ 2º - Findo o mandato do presbítero e não sendo reeleito, ou tendo sido exonerado a pedido, ou, ainda, por haver mudado de residência que não lhe permita exercer o cargo, ficará em disponibilidade, podendo, entretanto, quando convidado:

a) distribuir os elementos da Santa Ceia;

b) tomar parte na ordenação de novos oficiais.

Art.55 - O presbítero e o diácono devem ser assíduos e pontuais no cumprimento de seus deveres, irrepreensíveis na moral, sãos na fé, prudentes no agir, discretos no falar e exemplos de santidade na vida.

Art.56 - As funções de presbítero ou de diácono cessam quando:

a) terminar o mandato, não sendo reeleito;

b) mudar-se para lugar que o impossibilite de exercer o cargo;

c) for deposto;

d) ausentar-se sem justo motivo, durante seis meses, das reuniões do Conselho, se for presbítero e da junta diaconal, se for diácono;

e) for exonerado administrativamente ou a pedido, ouvida a Igreja.

Art.57 - Aos presbíteros e aos diáconos que tenham servido à Igreja por mais de 25 anos, poderá esta, pelo voto da Assembléia, oferecer o título de Presbítero ou Diácono Emérito, respectivamente, sem prejuízo do exercício do seu cargo, se para ele forem reeleitos.

Parágrafo Único - Os presbíteros eméritos, no caso de não serem reeleitos, poderão assistir às reuniões do Conselho, sem direito a voto.

Art.58 - A junta diaconal dirigir-se-á por um regimento aprovado pelo Conselho.

 

CAPÍTULO XII

ORDENAÇÃO E INSTALAÇÃO DE PRESBÍTEROS E DIÁCONOS

Art.26 - Quando a Igreja eleger alguém para o ofício de presbítero ou diácono, deverá o Conselho, julgadas a idoneidade do eleito para o cargo e a regularidade da eleição, fixar dia, hora e local para a ordenação e investidura.

Art.27 - Em reunião pública, o presidente do Conselho ou o ministro que suas vezes fizer, realizará a cerimônia solenemente, com leitura da Palavra de Deus, oração e imposição de mãos dos membros do Conselho sobre o ordenando, cabendo-lhe também, em momento oportuno, fazer uma exposição clara e concisa da natureza do ofício, sua dignidade, privilégios e deveres.

Art.28 - Os presbíteros e diáconos assumirão compromisso na reafirmação de sua crença nas Sagradas Escrituras como a Palavra e Deus e na lealdade à Confissão de Fé, aos catecismos e à Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Art.29 - Prometerão cumprir com zelo e fidelidade o seu ofício e também manter e promover a paz, unidade, edificação e pureza da Igreja.

Art.30 - A Igreja comprometer-se-á a reconhecer o oficial eleito e prometerá, diante de Deus, tributar-lhe o respeito e a obediência a que tem direito, de acordo com as Escrituras Sagradas.

§ 1º - Após a ordenação, os membros do Conselho darão ao recém-ordenado a destra de fraternidade e, em seguida, o presidente o declarará solenemente ordenado e investido no ofício para que foi eleito.

§ 2º - Quando o presbítero ou diácono for reeleito ou vier de outra Igreja Presbiteriana, omitir-se-á a cerimônia de ordenação.

 

As qualificações dos bispos e dos diáconos

1 Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. 2 É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; 3 não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; 4 e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito 5 (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); 6 não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. 7 Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.8 Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, 9 conservando o mistério da fé com a consciência limpa. 10 Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. 11 Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. 12 O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. 13 Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus. (I Tm. 3)

 

Acerca dos presbíteros. Vários conselhos

17 Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino... E ainda: O trabalhador é digno do seu salário. 19 Não aceites denúncia contra presbítero... 22 A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro. 23 Não continues a beber somente água usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades. (I Tm 5)

PRESBÍTERO PASTOREANDO

            O trabalho do presbítero é pastorear o rebanho do Senhor. Melhor exemplo não há do que o de Cristo Jesus. O Bom Pastor. Tornemo-nos alunos do bom Pastor, cada dia novamente.

            Por este motivo pretendemos, antes de refletir sobre várias atividades do Presbítero, fazer um estudo bíblico sobre João 10.

            Um trecho muito conhecido! Mas esta vez lemos e estudamos não com olhos de uma ovelha, mas com os olhos de um pequeno pastor que quer aprender do Seu Mestre, o grande Pastor das ovelhas.

O Presbítero pastoreando na prática:

I) VISITAÇÃO

Uma das maneiras de pastorear o rebanho de Deus é mediante visitas.

Quando e como fazer visitas?

           

Para facilitar nosso estudo proponho a seguinte classificação de visitas:

1)         A visita feita nas ocasiões importantes na vida dos nossos irmãos: de natureza triste como doença, acidentes, falecimentos, grandes aflições e contratempos; e de natureza alegre como aniversário, casamento, nascimento de um filho, bênçãos recebidas. Motivo destas visitas: 1 Co.12:26; Rm.12:15.

2)         A visita feita para ajudar, corrigir, repreender e exortar. Quando há falta de amor, contendas, brigas que perturbam a vida espiritual, problema na vida conjugal ou com os filhos, ausência nos trabalhos da Igreja, falta de testemunho, frieza espiritual. Em muitos casos a participação ou a não-participação na Ceia do Senhor será também assunto da conversa pastoral nestes casos. Motivo para estas visitas: 1 Ts.5:14; Hb.12:15.

3)         A visita de Evangelização na casa dos que não pertencem ainda ao rebanho do Senhor; muitas vezes mediante os contatos naturais: vizinhos ou parentes dos que já pertencem à Igreja.

4)         A visita feita por ocasião da profissão de fé ou da apresentação de um filho menor para o batismo. Motivo: estar ao lado dos nossos irmãos quando estão se preparando para estes momentos solenes na sua vida.

5)         A visita anual ou semestral a cada um que está sob o nosso cuidado pastoral, sem que haja um motivo especial, como um dos mencionados. Simplesmente para conhecer melhor a família, falar sobre temas gerais como: a vida cristã no lar, o culto doméstico, o serviço cristão no mundo, o testemunho para com os outros, a participação nos trabalhos; para saber o que os irmãos acham da Igreja, da Escola Dominical, dos sermões do pastor e dos presbíteros, em fim da vida da igreja em geral.

II) ENSINO

Não somente através de visitas, mas também mediante o ensino, o presbítero está pastoreando o rebanho de Deus. Ensinando no púlpito, na Escola Dominical ou em conversas particulares durante suas visitas, o presbítero alimenta espiritualmente aqueles que lhe foram confiados.

Na Igreja Presbiteriana do Brasil discernimos entre o presbítero docente, o pastor, que ensina, e o presbítero regente, que governa.

Esta classificação foi baseada em 1 Tm.5:17: “Devem ser merecedores de dobrada honra os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se afadigam na palavra e no ensino.” De fato: a atividade principal do pastor é ensinar – especialmente mediante os sermões apresentados – enquanto a atividade e o esforço do presbítero está no governo da Igreja; não há, entretanto, uma separação total da atividade: também o pastor participa do governo da Igreja e há muitos presbíteros que ensinam, pregando, lecionando na Escola Dominical ou explicando a Bíblia em visitas particulares. Por este motivo é preciso falar também sobre o ensino mediante o qual o presbítero alimenta o rebanho de Deus.

Textos: 1 Tm.3:2; Tt.1:9; 2 Tm.2:26; Tt.3:8-10; 2 Tm.3;14-17; 2 Tm.2:15; 1 Co.4:1,2.

3) GOVERNANDO

A Constituição da Igreja dá uma lista de funções do Conselho da Igreja local pela qual obtemos uma noção completa do que o Conselho deve tratar.

Art.83 - São funções privativas do Conselho:

a) exercer o governo espiritual e administrativo da Igreja sob sua jurisdição, velando atentamente pela fé e comportamento dos crentes, de modo que não negligenciem os seus privilégios e deveres;

b) admitir, disciplinar, transferir e demitir membros;

c) impor penas e relevá-las;

d) encaminhar a escolha e eleição de presbíteros e diáconos, ordená-los e instalá-los, depois de verificar a regularidade do processo das eleições e a idoneidade dos escolhidos;

e) encaminhar a escolha e eleição de pastores;

f) receber o ministro designado pelo Presbitério para o cargo de pastor;

g) estabelecer e orientar a Junta Diaconal;

h) supervisionar, orientar e superintender a obra de educação religiosa, o trabalho das sociedades auxiliadoras femininas, das uniões de mocidade e outras organizações da Igreja, bem como a obra educativa em geral e quaisquer atividades espirituais;

i) exigir que os oficiais e funcionários sob sua direção cumpram fielmente suas obrigações;

j) organizar e manter em boa ordem os arquivos, registros e estatística da Igreja;

l) organizar e manter em dia o rol de membros comungantes e de não-comungantes;

m) apresentar anualmente à Igreja relatório das suas atividades, acompanhado das respectivas estatísticas;

n) resolver caso de dúvida sobre doutrina e prática, para orientação da consciência cristã;

o) suspender a execução de medidas votadas pelas sociedades domésticas da Igreja que possam prejudicar os interesses espirituais;

p) examinar os relatórios, os livros de atas e os das tesourarias das organizações domésticas, registrando neles as suas observações;

q) aprovar ou não os estatutos das sociedades domésticas da Igreja e dar posse as suas diretorias;

r) estabelecer pontos de pregação e congregações;

s) velar pela regularidade dos serviços religiosos;

t) eleger representante ao Presbitério;

u) velar por que os pais não se descuidem de apresentar seus filhos ao batismo;

v) observar e pôr em execução as ordens legais dos concílios superiores;

x) designar, se convier, mulheres piedosas para cuidarem dos enfermos, dos presos, das viúvas e órfãos, dos pobres em geral, para alívio dos que sofrem.

DIÁCONOS (II)

Os primeiros dias da vida da Igreja foram dos mais maravilhosos. Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Todos os que creram estavam juntos e tinham todo em comum.

A comunhão com Cristo resultou numa comunhão entre os irmãos. Comunhão verdadeira e contagiante. O números dos discípulos crescia diariamente. Necessitado não havia no meio deles. Quem possuía mais, vendia dos seus bens e depositava o valor correspondente aos pés dos apóstolos. Distribuía-se a cada um, conforme precisava.

Mas, com o crescimento da Igreja, apareceram as primeiras dificuldades. A organização espontânea, sob a liderança dos apóstolos, não era mais suficiente. Sentia-se necessidade de procurar outras maneiras para continuar esta assistência mútua.

 

Quem deve servir?

Quem deve servir é o diácono. Ele é o servo para servir! É fato. Mas não somente ele: o serviço pertence à igreja toda. Como vimos, na vida da primeira igreja todos os fiéis ajudavam, uns aos outros, espontaneamente. Os diáconos foram eleitos para organizar melhor este serviço, a fim de que tudo pudesse correr da melhor maneira possível. O mesmo encontramos em Ef.4:11-12: os oficiais da igreja têm o dever de aperfeiçoar os santos para o desempenho do seu serviço.

 

A VIDA DEVOCIONAL DO PRESBÍTERO

INTRODUÇÃO

Leva tempo e esforço vir a ser um homem de Deus.

Mas, o que é um homem de Deus?

Como podemos reconhecer uma pessoa espiritualmente amadurecida?

Quanto Timóteo foi instalado em Éfeso para estabelecer uma liderança fiel, enfrentou homens que queriam ser mestres e líderes espirituais na Igreja.

Paulo elogiou aqueles que queriam liderar. “Excelente obra almeja’, escreveu o apóstolo (1º Tm.3:1). “Mas”, ele deu a entender, “é pouco que seja um tipo certo de homem”.

Tito também foi deixado em Creta especificamente para que “em cada cidade, constituísse presbíteros” (Tt.1:5). E Paulo novamente dá a entender: “Mas é preciso que seja um tipo certo de homem”.

As duas passagens das cartas de Paulo a Timóteo e a Tito constituem um esboço poderoso para testar o nível de maturidade do cristão (1º Tm.3:1-7; Tt.1:5-10).

 

QUALIFICAÇÕES ESPIRITUAIS:

Irrepreensível

Não avarento

Esposo de uma só mulher

Não inascível

Temperante

Não violente

Sóbrio

Inimigo de contendas

Modesto

Não avarento

Hospitaleiro

Que governe a sua própria casa

Apto para ensinar

Bom testemunho dos de fora

Não dado ao vinho

Amigo do bem

Piedoso

Justo

Não seja neófito

 

 

O homem de Deus é aquele que reflete o Senhor Jesus em seu estilo de vida.

a)         Um homem de Deus é alguém convertido (despiu-se do velho homem e revestiu-se do novo). Abandonou aquelas atitudes e padrões de comportamento que estavam ligados ao velho homem.

b)         Um homem de Deus é alguém que tem andado com o Senhor, sendo conformado a cada dia à imagem do Senhor Jesus Cristo.

 

Nós devemos ser homens de Deus!

Se alguém deseja ser um líder espiritual na Igreja, deseja “excelente obra’. Mas devemos nos certificar que desenvolvemos as qualidades que estão especificadas em I Timóteo 3 e Tito 1.

 

Um homem de Deus não aparece de repente. Leva tempo para nos tornamos semelhantes a Jesus Cristo – um processo, naturalmente, que não se completará até que estejamos com Ele.

“Por onde devo começar?”

Comecemos com a vida devocional.

 

 

O PRESBÍTERO E O DIÁCONO: HOMENS DE VALOR

Rev. Hernandes Dias Lopes

Data: 12-05-2008

Esta igreja está se preparando para eleger presbíteros e diáconos. Esta escolha precisa ser feita com oração e sob a dependência do Espírito Santo. A Palavra de Deus estabelece critérios claros acerca do perfil daqueles que exercem liderança na igreja. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo (1Tm 3.1-13) oferece algumas orientações oportunas sobre o perfil do presbítero e o diácono. À luz deste texto, vamos observar algumas verdades importantes.

1. O presbítero e o diácono precisam ser homens que amam a Deus acima de todas as coisas – O relacionamento do líder com Deus é que o credencia a cuidar da igreja de Deus. Antes de pastorear as ovelhas de Cristo, o líder precisa devotar seu amor a Cristo. O líder é exemplo. A igreja é um espelho da sua liderança. Somente pessoas que amam a Deus podem estimular e encorajar outras a andarem com Deus e a amarem a Deus sobre todas as coisas. Quando Jesus escolheu seus doze discípulos, designou-os para estarem com ele. Só então os comissionou para pregar. Vida com Deus precede trabalho para Deus.

2. O presbítero e o diácono precisam ser homens que amam a igreja de Deus mais do que a si mesmos – Uma coisa é amar a liderança, outra coisa é amar os liderados. O líder não é o dominador do rebanho, mas aquele que se cinge com a toalha e lava os pés empoeirados dos seus irmãos. O líder é aquele que serve. A liderança não é um posto de privilégios, mas uma plataforma de serviço. O líder não é aquele que se serve do rebanho, mas serve ao rebanho. Somente aqueles que amam as ovelhas de  Cristo podem apascentá-las com amor e cuidado. O presbítero precisa pastorear a igreja de Deus não como dominador do rebanho, mas como exemplo do rebanho. O diácono precisa servir as mesas com alegria, pois sabe que no reino de Deus maior é o que serve.

3. O presbítero e o diácono precisam ser homens que tenham uma vida familiar exemplar – A família do líder cristão autentica sua liderança. O presbítero e o diácono precisam ser fiéis ao cônjuge e criar os filhos no temor do Senhor. Quem não sabe administrar sua própria casa não pode cuidar da igreja de Deus. O líder cristão precisa ser um marido amoroso e um pai cuidadoso na educação dos filhos. Ele precisa ser exemplo dentro da sua própria família. Um marido infiel e um pai bonachão estão desqualificados para cuidarem da igreja de Deus.

4. O presbítero e o diácono precisam ser homens de vida irrepreensível – Os oficiais da igreja não podem ser dominados pelo vinho, nem pelo dinheiro nem pelo destempero emocional. Precisam ser homens íntegros em seus negócios, sábios em suas atitudes, sadios em suas palavras, generosos em seus gestos e prudentes e sensatos em seu comportamento dentro e fora da igreja. Os oficiais precisam ter corações abertos para amar, mãos abertas para ajudar e casas abertas para hospedar. Os oficiais da igreja precisam desfrutar de bom testemunho dentro da família, dentro da igreja e dentro da sociedade onde vivem. Eles precisam ser irrepreensíveis na conduta, sãos na fé e ter bom testemunho dos de fora da igreja.

5. O presbítero e o diácono precisam ser homens apegados à Palavra de Deus – Os líderes da igreja não podem ser neófitos e imaturos espiritualmente, mas homens experimentados. Eles devem ser aptos para ensinar. Somente aqueles que dispõem o coração para aprender e viver a Palavra estão aptos para ensinar a Palavra. O líder espiritual é um mestre. Ele precisa ensinar os crentes mais velhos, tratando-os como  pais; aos de sua idade como irmãos e aos mais novos, como filhos. Os líderes da igreja precisam ser homens dedicados ao estudo e ao ensino da Palavra, uma vez que eles nutrem com o alimento da verdade os crentes, ao mesmo tempo em que os protegem dos lobos vorazes e das heresias perniciosas. Que Deus nos dê líderes segundo o seu coração!

 

 

 

As funções atribuídas aos presbíteros aqui descritas não são exaustivas.

Rev. Ewerton B. Tokashiki

 

Elas mencionam o que o presbítero deve ser e fazer, mas ele não pode se limitar a elas. Todos os presbíteros devem exercer o seu ofício em conformidade com a diversidade dos dons de cada um, e discernindo segundo a necessidade da Igreja. A vitalidade da igreja muito depende da operosidade dos presbíteros.

Uma palavra grega usada para se referir ao ofício de presbítero é episcopos. Sabemos que “o uso no N.T., em referência aos líderes, parece ser menos técnica do que uma tradução como ‘bispo’ sugeriria; daí, superintendente, ou supervisor At 20:28; Fp 1:1; 1 Tm 3:2; Tt 1:7.”

[1] O presbítero tem a responsabilidade de supervisionar a igreja que o escolheu para ser o seu líder. Louis Berkhof afirma que “claramente se vê que estes oficiais detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados. Eles tinham que abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo a própria família de Deus.”

[2] A responsabilidade dos presbíteros de supervisão não se limita aos membros da igreja. Os presbíteros devem supervisionar o seu pastor. R.B. Kuiper observa que "um dos seus mais solenes deveres é vigiar a vida e o trabalho do pastor. Se o pastor não leva uma vida exemplar os presbíteros regentes da igreja devem chamar-lhe a atenção, e corrigi-lo. Se não é tão diligente em sua obra pastoral como deveria sê-lo, devem estimulá-lo para que tenha maior zelo. Se a falta de paixão que deve caracterizar a pregação da Palavra de Deus, os presbíteros regentes devem dar os passos necessários para ajudá-lo a superar tal defeito. E, se a pregação do pastor, em qualquer assunto de maior ou menor importância, não está de acordo com a Escritura, os presbíteros não devem descansar até que o mal tenha sido resolvido."

[3] Entretanto, os presbíteros devem oferecer liberdade e recursos para que o seu pastor desenvolva-se e possa oferecer mais ao rebanho.

 

A autoridade do presbítero

A autoridade dos governadores é puramente ministerial e declarativa. Cada função do Conselho, como o ensino, a admoestação, governo e o exercício da disciplina, devem fundamentar-se na Palavra de Deus. Os presbíteros não possuem autoridade inerente. Não possuem o direito de impor as suas opiniões pessoais, preferências, filosofias sobre o culto, a doutrina, ou o governo da igreja, antes, devem examinar e extrair das Escrituras os padrões e princípios estabelecidos por Deus.

 

A autoridade do presbítero procede de:

1. A autoridade de Cristo como cabeça da Igreja.

2. Submissão à Cristo como o Senhor da Igreja.

3. A obediência e fidelidade à Escritura Sagrada como única regra de fé e prática.

4. Uma vida de santidade pessoal e familiar.

5. O exercício responsável da sua vocação e dos seus dons segundo o seu chamado.

 

As funções pastorais

1. Visitar os membros menos assíduos às reuniões da igreja;

2. Resolver os desentendimentos entre os membros;

3. Instar os disciplinados ao sincero arrependimento;

4. Orar por/com todas as famílias da igreja;

5. Consolar os aflitos e necessitados;

6. Supervisionar o bom andamento das atividades da igreja;

7. Exortar aos pais que tragam os seus filhos ao batismo;

8. Ser um pacificador em assuntos controversos;

9. Lembrar aos membros da sua fidelidade com os dízimos e ofertas;

10. Dar assistência e/ou liderar as congregações (quando houver);

 

11. Auxiliar na distribuição da Ceia do Senhor.

 

As funções doutrinárias

Os presbíteros em nosso sistema de governo têm a responsabilidade de guardarem a doutrina da corrupção. (1 Tm 3:16; Tt 2:7-8). Entretanto, para isto é necessário:

1. Conhecer o sistema e doutrinas presbiterianas;

2. Zelar pela fidelidade e pureza doutrinária da igreja;

3. Avaliar a qualificação doutrinária do pastor;

4. Examinar os candidatos ao rol de membros da igreja;

5. Discernir os novos “movimentos” que os membros estejam se envolvendo;

 

As funções administrativas (indivíduo)

1. Representar as necessidades dos membros nas reuniões do Conselho;

2. Zelar para que as decisões do Conselho sejam cumpridas pela igreja;

3. Lembrar os membros dos seus deveres e privilégios;

4. Acompanhar o funcionamento das sociedades e ministérios da igreja;

5. Elaborar propostas e projetos para a edificação da igreja.

 

As funções administrativas (concílio)

1. Reunir periodicamente para decidir sobre o bem estar da igreja;

2. Divulgar na igreja local as decisões dos concílios superiores (presbitérios, sínodo, SC);

3. Avaliar candidatos ao batismo e profissão de fé;

4. Participar na aplicação da disciplina bíblica para que atinja a sua finalidade;

5. Analisar se a Junta Diaconal está realizando as suas atribuições;

6. Acompanhar o bom andamento das sociedades internas e ministérios da igreja;

7. Avaliar para o envio ao presbitério os candidatos ao sagrado ministério pastoral;

8. Participar da ordenação e instalação de novos pastores e presbíteros;

9. Representar a igreja local nos concílios superiores.

 

Notas:

[1] F. Wilbur Gingrich & F.W. Danker, Léxico do N.T. Grego/Português (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1993), p. 83.

[2] Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 590.

[3] R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo (Michigan, T.E.L.L., 1985), p. 132.

 

CÓDIGO DE DISCIPLINA

CAPÍTULO I

NATUREZA E FINALIDADE

 

Art.1º - A Igreja reconhece o foro íntimo da consciência, que escapa à sua jurisdição, e da qual só Deus é Juiz; mas reconhece também o foro externo que está sujeito à sua vigilância e observação.

 

Art.2º - Disciplina eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicada de acordo com a Palavra de Deus.

Parágrafo Único - Toda disciplina visa edificar o povo de Deus, corrigir escândalos, erros ou faltas, promover a honra de Deus, a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e o próprio bem dos culpados.

 

Art.3º - Os membros não-comungantes e outros menores, sob a guarda de pessoas crentes, recebem os cuidados espirituais da Igreja, mas ficam sob a responsabilidade direta e imediata das referidas pessoas, que devem zelar por sua vida física, intelectual, moral e espiritual.

 

CAPÍTULO II

FALTAS

Art.4º - Falta é tudo que, na doutrina e prática dos membros e concílios da Igreja, não esteja de conformidade com os ensinos da Sagrada Escritura, ou transgrida e prejudique a paz, a unidade, a pureza, a ordem e a boa administração da comunidade cristã.

Parágrafo Único - Nenhum tribunal eclesiástico poderá considerar como falta, ou admitir como matéria de acusação aquilo que não possa ser provado como tal pela Escritura, segundo a interpretação dos Símbolos da Igreja (Cons., Art.1º).

Art.5º - A omissão dos deveres constantes do Art.3º constitui falta passível de pena.

 

Art.6º - As faltas são de ação ou de omissão, isto é, a prática de atos pecaminosos ou a abstenção de deveres cristãos; ou, ainda, a situação ilícita.

Parágrafo Único - As faltas são pessoais se atingem a indivíduos; gerais, se atingem a coletividade; públicas, se fazem notórias; veladas quando desconhecidas da comunidade.

Art.7º - Os concílios incidem em falta quando:

a) tomam qualquer decisão doutrinária ou constitucional que flagrantemente aberra dos princípios fundamentais adotados pela Igreja;

b) procedem com evidente injustiça, desrespeitando disposição processual de importância, ou aplicando pena em manifesta desproporção com a falta;

c) são deliberadamente contumazes, na desobediência às observações que, sem caráter disciplinar, o Concílio superior fizer no exame periódico do livro de atas;

d) se tornam desidiosos no cumprimento de seus deveres, comprometendo o prestígio da Igreja ou a boa ordem do trabalho;

e) adotam qualquer medida comprometedora da paz, unidade, pureza e progresso da Igreja.

CAPÍTULO III – PENALIDADES

Art.8º - Não haverá pena, sem que haja sentença eclesiástica, proferida por um Concílio competente, após processo regular.

Art.9º - Os Concílios só podem aplicar a pena de:

a) Admoestação, que consiste em chamar à ordem o culpado, verbalmente ou por escrito, de modo reservado, exortando-o a corrigir-se;

b) Afastamento, que em referência aos membros da Igreja, consiste em serem impedidos de comunhão; em referência, porém, aos oficiais consiste em serem impedidos do exercício do seu ofício e, se for o caso, da comunhão da Igreja. O afastamento deve dar-se quando o crédito da religião, a honra de Cristo e o bem do faltoso o exigem, mesmo depois de ter dado satisfação ao tribunal. Aplica-se por tempo indeterminado, até o faltoso dar prova do seu arrependimento, ou até que a sua conduta mostre a necessidade de lhe ser imposta outra pena mais severa;

c) Exclusão, que consiste em eliminar o faltoso da comunhão da Igreja. Esta pena só pode ser imposta quando o faltoso se mostra incorrigível e contumaz;

d) Deposição é a destituição de ministro, presbítero ou diácono de seu ofício.

Art.10º - Os Concílios superiores só podem aplicar aos inferiores as seguintes penas: repreensão, interdição e dissolução;

a) Repreensão é a reprovação formal de faltas ou irregularidades com ordem terminante de serem corrigidas;

b) Interdição é a pena que determina a privação temporária das atividades do Concílio; c) Dissolução é a pena que extingue o Concílio.

§ 1º - No caso de interdição ou disso interdição ou dissolução do Conselho ou Presbitério deverá haver recurso de ofício para o Concílio imediatamente superior.

§ 2º - As penas aplicadas a um Concílio não atingem individualmente seus membros, cuja responsabilidade pessoal poderá ser apurada pelos Concílios competentes.

§ 3º - É facultado a qualquer dos membros do Concílio interditado ou dissolvido recorrer da decisão para o Concílio imediatamente superior àquele que proferiu a sentença.

Art.11º - Aplicadas as penas previstas nas alíneas “b” e “c” do Artigo anterior, o Concílio superior, por sua Comissão Executiva, tomará as necessárias providências para o prosseguimento dos trabalhos afetos ao Concílio disciplinado.

Art.12º - No julgamento dos Concílios, devem ser observadas no que lhes for aplicável, as disposições gerais do processo adotadas nesta Constituição.

Art.13º - As penas devem ser proporcionais às faltas, atendendo-se, não obstante, às circunstâncias atenuantes e agravantes, a juízo do tribunal, bem como à graduação estabelecida nos Artigos 9 e 10.

§ 1º - São atenuantes:

a) pouca experiência religiosa;

b) relativa ignorância das doutrinas evangélicas;

c) influência do meio;

d) bom comportamento anterior;

e) assiduidade nos serviços divinos;

f) colaboração nas atividades da Igreja;

g) humildade;

h) desejo manifesto de corrigir-se;

i) ausência de más intenções;

j) confissão voluntária.

§ 2º - São agravantes:

a) experiência religiosa;

b) relativo conhecimento das doutrinas evangélicas;

c) boa influência do meio;

d) maus precedentes;

e) ausência aos cultos;

f) arrogância e desobediência;

g) não reconhecimento da falta.

Art.14º - Os Concílios devem dar ciência aos culpados das penas impostas:

a) Por faltas veladas, perante o tribunal ou em particular;

b) Por faltas públicas, casos em que, além da ciência pessoal, dar-se-á conhecimento à Igreja.

Parágrafo Único - No caso de disciplina de ministro dar-se-á, também, imediata ciência da pena à Secretaria Executiva do Supremo Concílio.

Art.15º - Toda e qualquer pena deve ser aplicada com prudência, discrição e caridade, a fim de despertar arrependimento no culpado e simpatia da Igreja.

Art.16º - Nenhuma sentença será proferida sem que tenha sido assegurado ao acusado o direito de defender-se.

Parágrafo Único - Quando forem graves e notórios os fatos articulados contra o acusado, poderá ele, preventivamente, a juízo do tribunal, ser afastado dos privilégios da Igreja e, tratando-se de oficial, também do exercício do cargo, até que se apure definitivamente a verdade.

Art.17º - Só se poderá instaurar processo dentro do período de um ano a contar da

ciência da falta.

Parágrafo Único - Após dois anos da ocorrência da falta, em hipótese alguma se instaurará processo.

 

 

Bibliografia Central

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·                     Escola Biblica, Ensinando para Transformar Vidas – Igreja Presbiteriana de Cuiabá, Curso Estratégico

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[1] Robert L. Reymond, A New Systematic Theology of the Christian Faith (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1998), Apêndice E.

[2] Robert L. Reymond, A New Systematic Theology of the Christian Faith (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1998), Apêndice E.

[3] Robert L. Reymond, A New Systematic Theology of the Christian Faith (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1998), Apêndice E.

[4] Robert L. Reymond, A New Systematic Theology of the Christian Faith (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1998), Apêndice E.

[5] Catecismo Maior de Westminster

[6] Catecismo Maior de Westminster

[7] Catecismo Maior de Westminster

[8] Catecismo Maior de Westminster

[9] www.morrinho.com.br/mensagens/dizimos%20

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http://www.ebdweb.com.br/2008/05/14/dizimos-e-ofertas-uma-disciplina-abencoadora-ev-luiz-henrique/

 

[10] HAYFORD, Jack. A chave de tudo. Rio de Janeiro: CPAD, 1994, pp. 63-4

[11] Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 261-62.

 

[12] Stephen Charnock, The Existence and the Attributes of God (Grand Rapids, Baker Books, 2000), vol. 1, pág. 93

[13] Confissão de Fé de Westminster, X.1

[14] Héber C. de Campos, O Ser de Deus e os seus Atributos (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999), p. 351

[15] W.E. Roberts, O Sistema Presbiteriano (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 3ªed., 2003), p. 28

[16] Declaração de Cambridge

[17] Bright, Bill. 2004 – Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo - ABU

 

[18] www.solanoportela.net/artigos/disciplina_igreja.htm

Acesso às 20:26, dia 15 de outubro de 2008.

 

 

[19] BAKER, Don. Além do Perdão. Venda Nova: Betânia, 1986.STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

e

http://www.thirdmill.org/files/portuguese/79393~9_19_01_9-59-11_AM~disciplina_igreja.htmhttp://www.orvalho.com/?pagina=estudo&id=44http://www.solanoportela.net/artigos/disciplina_igreja.htmhttp://creusearite.spaces.live.com/blog/cns!8D08BA3BB8BC2442!170.entry?_c=BlogPart

 [20] Art. 50 da CI/IPB

[21] Art.51 da CI/IPB.

[22] Revista Servos Ordenados, p.19.


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