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terça-feira, 21 de abril de 2026
[136]
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Em penas e tintas desta sombra, a alma esquiva,
Mexe as cinzas do que fui, no vago empenho,
Mede-se no porvir que é sonho que desenho,
Mudando em névoa que de ser, e sendo, a vida priva.
Vislumbre da mente que se aviva
No abraço que a saudade traz cativo!
Pois quem busca o bem-vir no fugitivo,
Ensina ao peito a dor que o desengana:
Toda esperança é glória insana,
Que fenece no instante em que ainda vivo.
No diálogo do Ser e do Nada
Não pulsa em mim vontade que resista,
Nem importa que o destino mude o traço;
Sou apenas o eco de um cansaço,
Identidade em despedida esculpista.
Nesta página da vida, onde a luz mista
De virtude e missão se faz leitura,
Vê-se a alma clamar nesta noite escura,
Como arado que a existência lavra,
Escrita na areia a última palavra:
"A beleza é o início da mente pura."
O desalento desta matéria
Onde tudo o que é tempo, em tempo se desata,
É orvalho que o sol bebe e consome;
A erva do peito, que não tem nome,
É a vaidade que o próprio sopro mata.
Se a vida é velada, a partida é exata;
"Confesso que vivi", mas sob o engano
De um mar que é calmaria e é oceano.
Entre o riso do Céu e o pó do Chão,
Arde em contrários este meu coração:
Por humano que seja, é anjo por vocação.
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