Mateus 16:15 – "E vós, quem dizeis que eu sou? Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Bem-aventurado és, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai..."
A revelação de
Deus nem sempre implica que o homem, ao ser alcançado por esse conhecimento,
discernirá todas as coisas sob a mesma intenção divina. Por nossa condição
humana, possuímos limitações inerentes à capacidade de assimilar verdades que
se "discernem espiritualmente e não carnalmente" (1 Co 2:14).
Jesus declara que
foi o Pai quem capacitou Pedro a proclamar: "Tu és o Cristo de Deus".
No entanto, o mesmo Pedro, logo após esse vislumbre espiritual, torna-se autor
de uma atitude impensada, como registra o texto: "Pedro, tomando-o de
parte, começou a repreendê-lo" e imediatamente, aquele que recebeu a
revelação do Pai — e que teria a primazia de ser o proclamador no Pentecostes —
recebe uma das mais duras advertências do Mestre: "Para trás de mim,
Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são
de Deus, mas as que são dos homens" (v. 23). Esse episódio ilustra a
fragilidade do nosso limite, mesmo diante das coisas do Céu.
A Heresiologia
traz clareza a essa questão ao expor como diversos grupos, ao tentarem explicar
a natureza e a missão de Cristo apenas sob o prisma terreno, semearam enganos
que exigiram o crivo dos Concílios sob a autoridade bíblica. Observamos
isso em diversas correntes: Testemunhas de Jeová: Ao reduzirem Jesus à
figura do arcanjo Miguel, negando sua natureza divina; Mórmons: Ao
flertarem com o triteísmo, ensinando que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são
três deuses distintos em substância; Espíritas: Ao definirem Jesus
meramente como um espírito de luz ou um médium divino; Coptas
(Eutiquianismo/Monofisismo): Ao fundirem as naturezas de Cristo em uma única,
absorvendo a humanidade na divindade; Católicos Romanos: Ao elevar Maria
a uma condição de co-redenção que rivaliza com a exclusividade de Cristo; Islã:
Ao tratarem Jesus como um profeta superior, mas negando sua divindade e
ressurreição, aproximando-se do docetismo; Saduceus e Fariseus: Que,
presos a uma interpretação política de Davi, rejeitaram o Messias por esperarem
um reinado puramente terreno, ignorando tudo que JESUS realizou entre os homens.
A resposta de
Pedro só será plenamente compreendida quando entendermos que a revelação que
Deus deposita na mente humana deve refletir em nossas decisões contínuas.
Confessar, viver e servir ao propósito real exige mais do que um lampejo de
iluminação.
Como nos ensina o
Credo Apostólico, não podemos nos alicerçar apenas em confissões momentâneas ou
empolgações efêmeras. Devemos desenvolver, por meio da oração e do exame das
Escrituras, a constância da fé. Essa confissão é obra do Espírito Santo em
nós, revelando quem Ele é e, consequentemente, quem nós somos n’Ele.
(Pr Carlos Puck)
